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Clarice Reichstul
17 de maio de 2012, às 11:05

17 DE MAIO – DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA

por Clarice Reichstul

Já assinou a petição pelo casamento civil igualitário? Não? Então, aproveita que hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia e faz o que é certo.

Clarice Reichstul Paty Moll Novaes
17 de maio de 2012, às 00:05

UM DIA EM MANAUS

por Paty Moll Novaes

Este ano eu realizei mais um daqueles sonhos de viagem, o de conhecer o estado do Amazonas! Fiz uma viagem de navio de cinco dias pelo Rio Negro e passamos o último dia em Manaus. Para entrar no clima, aprender e aproveitar ainda mais da cultura local, levei o livro Cinzas do Norte, do Milton Hatoum, que ainda não acabei de ler mas estou adorando e sentindo que começo a entender um pouco de como é a vida neste estado incrível.

Depois de 5 dias no navio sem poder fazer grandes escolhas de onde ir e o que fazer, assim que cheguei na capital, depois de ir ao Teatro Amazonas, visita obrigatória total, eu pude sentir o delicioso prazer de descobrir a cidade livremente e fazer o que eu tinha vontade. E a primeira coisa que fiz foi correr para o o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, que fica ao lado do Porto Flutuante de Manaus. Era tudo o que eu queria conhecer!

No mercado eu encontrei muitos peixes amazônicos, camarão, pimentas, farinhas, tucupi, frutas, verduras e ervas típicas, artesanato e barracas de comida, principalmente de peixe frito. E você pode comer olhando para o canal, em um cenário sensacional. Comprei pimentas murici e murupi desta senhora japonesa e levei farinha uruani e tucupi na mala de mão que voltou bem pesada – levar farinha tem sempre este porém!

Depois atravessei a rua e fui ao Porto. Lá tinham todos os tipos e tamanhos de embarcações, das de pescador às enormes e navios. Quem estiver em Manaus e não tiver a oportunidade de fazer uma viagem mais longa de barco, recomendo fazer um passeio pequeno, lá tem várias opções.

Diferentemente de São Paulo, a cidade oferece ótima comida de rua. Na minha caminhada eu encontrei alguns vendedores de mingau e provei um de tapioca com banana da terra fenomenal! Também provei uma fruta chamada tucumã, bem interessante, de cor laranja e sabor neutro. Eles comem muito um sanduíche chamado X-caboquinho, de queijo coalho com lascas de tucumã no pão francês. É super hit da cidade!

Voltei para São Paulo bem feliz por ter conhecido mais um pouco da Amazônia, até então só tinha ido para Belém. Nós aqui em São Paulo temos o hábito de ir muito para o Nordeste, que é mais perto e barato. Mas acho que vale o investimento para poder conhecer e aprender como vive e a cultura tão diferente do maior estado brasileiro. Agora o próximo destino que quero muito conhecer é a Colômbia e espero poder dividir com vocês essa viagem em breve!

Paty Moll Novaes Fafá Strumpf
17 de maio de 2012, às 00:05

SÁBADO: FIGHT FOR YOU RIGHT TO PARTY

por Fafá Strumpf

Se tem uma coisa em São Paulo que eu gosto é a diversidade. Sempre que eu (ou você) reclamar que está faltando opção do que fazer, onde ir ou algo assim, pense duas vezes, porque sabemos que no fundo é uma mentira e nossa pequena ubertrópole tá cheia de coisas boas por aí, esperando para serem descobertas!

Essas últimas semanas, por exemplo, estive pensando na falta de opção de boas novas festas… Que abuso! Pura preguiça e falta de criatividade pra ousar um pouco nessa vida paulistana. Então, fugindo um pouco dos meus post de cinema, tv e quadrinhos, hoje escrevo uma boa dica pro sábado desse final de semana, pra sair da monotonia e se jogar nessa vida freestyle que todos precisamos, de vez quando…
No dia 19/05, em homenagem, mais do que merecida, ao gênio MCA, Andam Yauch, vai rolar no centro, pertinho do Estadão, a balada Um Tributo (e um agasalho) para MCA! Como o meu primeiríssimo post aqui foi sobre os Beastie Boys, eu não poderia deixar de falar, promover e comparecer à festança!


A balada está sendo organizada pelo jornal underground O Ópyo do Povo, que vai lançar no dia a sua 2ª edição, com direito a entrevista com Xico Sá já de cara. Não só isso, a festa vai contar com um setlist de Caos Rigolo e Dj TTyL que prometem o melhor do soul, hip-hop, funk, punk, rock e tudo aquilo que fizeram dos Beastie Boys uma das melhores bandas do gênero!

Pra completar o som bom, com o lançamento interessante e uma homenagem necessária, fechamos de ir no evento com o preço justo de 5 reais +um agasalho que será doado, ou 10 reais sem. Hummm deixaeupensarprontofechei!

Local: A Gruta
Major Quedinho 112 A (ao lado do Estadão) – Centro, Pauliceia Desvairada
Hr: 22.01 as 05:59

Bueno, semana que vem, de volta ao normal com notas cinematográficas, reclamações da vida paulistana e afins…

Fafá Strumpf Clarice Reichstul
16 de maio de 2012, às 21:05

JUKE BOX DE VELHINHO COROCA

por Clarice Reichstul

Enquanto eu estava aqui, mandando email, fuçando no salon, no boing boing e no flavorwire, lendo uma lista de 10 poetisas feministas, vendo o povo ferver com as monguices da Soninha no twitter, os mais politizados falando sobre a comissão da verdade ou sobre o Serra fingir que não nomeou o tal do fulano dos 1001 imóveis e talz, escutei um monte de música, hum, meio antigas… Começou com o primeiro disco da Goldfrapp, que era tão lindo…Depois ficou diferente, mas esse disco podia ter sido produzido pelo Angelo Badalamenti, de tantos climões estranhos e incríveis que tem. Depois eu fui ouvir a trilha sonora do Sid e Nancy, o filme do Alex Cox sobre o Sid Vicious. Não vou entrar nos méritos do filme, ele foi odiado e mais ou menos amado no seu lançamento, eu particularmente gosto, apesar de achar a coisa toda bastante deprimente. Mas a trilha sonora do filme é bem boa, feita em grande parte pelo Joe Strummer. Aí, uma coisa puxa a outra, do Joe Strummer você cai para o Big Audio Dynamite (uma constante aqui em casa), depois o Malcom Mclaren para causar desconforto nos puristas, depois The Slits, cuja vocalista era enteada do John Lydon (!!!)… daí foi um pulinho para a Poly Styrene e os Buzzcocks… O curioso é ver nos videos como todos são tão jovens, falando para outros tantos jovens iguais a eles. E aqui estamos nós, ouvindo essas músicas até hoje.

Clarice Reichstul participação especial
16 de maio de 2012, às 20:05

O SOM QUE EU NÃO OUVI

por participação especial

Por Isabel Braga*

A oito quadras de onde eu estou, um estampido clamou vidas e deixou civis feridos. Durante a tarde, o entra e sai do albergue foi seguido das mesmas perguntas: Te paso algo? Crees que tendremos mas bombas? Faz pouco mais de uma semana que eu cheguei em Bogotá, Colômbia – onde oxalá vou morar pelos próximos anos. E, entre tantas coisas que eu tenho que conhecer e sabores que eu tenho que provar, acabei vivenciando o inesperado episódio de um atentado. Por sorte, eu não estava tão perto a ponto de ouvir o som da explosão.

FARC? Manifestação contra o TLC (tratado de livre comércio com os Estados Unidos)? Ao redor de mim, apenas palpites de quem seriam os autores do carro-bomba. Dentro de mim, um sentimento de insegurança e pequenez. A experiência é nova para mim – assim como tudo e todos em Bogotá. Então achei que o melhor a fazer, por enquanto, é seguir os conselhos que vêm por aí: não passar perto de carros que pareçam abandonados; não frequentar bares e restaurantes (por sinal divinos) da Zona Rosa (ou Zona “T”), tão pouco os da calle 93 e 82.

Ou seja, pelo menos esta noite resolvi ficar em casa – apesar do convite para ir tomar uma cervejinha. Posso até estar “overreacting”, mas pelo menos foi uma boa desculpa para ficar no youtube escutando sons da Colômbia que eu, assim como um episódio de bomba , recém-conheci.

Monsier Perine/ La Muerte – delícia de música, apresentada por um desconhecido em um bar muy bacano onde experimentei a cerveja Monserrate Roja da Bogota Beer Company (BBC).

Frente Cumbiero/Explosion de Vinilos – cumbia apresentada por Anita, uma amiga virtual colombiana. Ah, a banda se apresenta em Londres no dia 31 de maio 2012, para quem estiver por lá.

E que venham mais sons da Colômbia!!

*Isabel Braga tem 27 anos, é jornalista, economista, acaba de passar uma temporada de quase 2 anos em Londres e agora está descobrindo Bogotá, onde mora há pouco mais de 1 semana.

participação especial participação especial
15 de maio de 2012, às 12:05

PROCRASTINAR RIMA COM MADRUGAR

por participação especial

por Ivi Roberg*

Anteontem, em pleno domingão, madruguei. Levantei as 7 da matina, mesmo tendo saído na noite anterior, porque eu tinha um objetivo maior, que me fez conseguir ver através das remelas e levantar da cama, preparar um litro de café e um pão preto com sustança. Peguei um busão as 8:05, já sabendo que minha amiga que disse que talvez viesse comigo provavelmente não apareceria. E as 8:20, debaixo de uma garoa fina, eu descia na esquina da Neue Nationalgalerie, prédio lindo projetado pelo arquiteto Mies van der Rohe, nas proximidades de Potsdamer Platz, na cidade onde eu moro, Berlim. Já havia pessoas na fila, umas 50, e um casal tinha trazido até umas cadeirinhas portáteis para esperar com mais conforto.
Uma das coisas mais legais da Alemanha é que o farofeirismo não só é tolerado, como é socialmente valorizado – tirar um pãozão do alumínio e uma garrafa térmica em qualquer lugar público não tem nada de tabu, e é visto como uma atitude saudável, para o corpo e o bolso. Eu então comecei a tomar meu café da manhã e esperar, até que as 9 em ponto as portas da felicidade se abriram, e começamos a adentrar o espaço. Munida de meu recém-comprado bilhete, me pus a caminho da entrada da exposição, lindamente disposta no andar térreo do prédio, onde a luz de fora embelezava ainda mais os trabalhos geniais que eu estava para ver ao vivo. C O N S E G U I – pensei, ainda pasma! No último dia da expo mais bombada de Berlim dos últimos tempos, depois de planejar ir umas mil vezes sem sucesso, consegui!

GERHARD RICHTER – mais de 350 mil visitantes, filas homéricas dobrando quarteirões, entradas online esgotadas. E não era para menos. Chamado de “o Picasso do século 21″ pelo Guardian inglês, Richter, que completou 80 anos em fevereiro desse ano, gerando a exposição tributo que tive o prazer e a honra de visitar, é considerado um dos artistas mais importantes da atualidade – e é um dos artistas vivos mais caros do mundo.

A exposição em questão, um panorama de seu trabalho, com obras escolhidas em cooperação com o artista, englobando 5 décadas de atividade, é fundamental para qualquer pessoa interessada em arte. Eu já tinha visto coisas soltas do Richter em museus afora, mas nunca tanto, tão dentro do contexto e tão bem disposto como dessa vez. E eu, que sou geralmente chatinha e bastante crítica, me arrepiei e houve até mesmo momentos onde senti uma leve vontade de chorar. Tanto pinturas abstratas como figurativas aparecem desde sempre em seu repertório, e em ambos os casos Richter sempre consegue transformar suas pinturas em algo muito único e pessoal. Ele reproduz fotos, a maioria em preto e branco, muitas vezes adicionando um “borrão”, uma de suas marcas registradas, o que oferece às imagens uma aparência fotográfica, mas paradoxalmente exibe a marca do pintor, de uma forma ao mesmo tempo tecnicamente impecável mas visivelmente pintada, trazendo à tona a qualidade plástica da pintura em si. Ele estudou profundamente os tons de cinza, mas também se dedicou muito às cores. Fez também esculturas incríveis, usando muito vidro e espelhos, brincando com reflexos e espacialidade. E há também os trabalhos abstratos lindos, incluindo outra de suas marcas registradas, as pinturas de muitas camadas, onde ele remove parte da tinta ainda molhada aplicada na tela, e pinta de novo, repetindo o processo muitas vezes, criando quadros folhados, multi-layers, que têm uma cara própria e que remetem prontamente ao seu criador. E sua série mais famosa, chamada de 18 de outubro de 1977, tematiza o Outono Alemão, período de crise na Alemanha Ocidental por conta dos ataques da RAF, a Fracção do Exército Vermelho, grupo extremista de esquerda formado por jovens que sequestraram e mataram um empresário, sendo consecutivamente presos e assassinados na prisão. Ele pintou alguns dos terroristas, vivos, mortos, uma das celas, o enterro, e objetos e lugares ligados aos acontecimentos e à época. É muito tocante e dramático!

Não quero me estender demasiadamente (e esse texto já está provavelmente longo demais) tentando em poucas linhas descrever o trabalho desse artista incrível. Não dá. O melhor, se for possível, é ir ver ao vivo. A exposição, que é um trabalho conjunto do Tate Modern de Londres, da Neue Nationalgalerie de Berlim e do Centre Georges Pompidou parisiense, e que já passou pela capital inglesa e acabou de fechar por aqui, segue agora para a capital francesa. E se você calhar de estar por lá a partir de junho de 2012, não deixe de conferir. E não esqueça da baguetona embrulhada na feuille d’aluminium e seja feliz!

Ps.: Segue o trailer do documentário de 2011 “Gerhard Richter Painting”, da diretora alemã Corinna Belz. O filme também é muito bacana pra quem quiser saber mais sobre o Richter.

* Ivi Roberg escreve, filma e edita entre Berlim e São Paulo.

participação especial Gisela Gueiros
15 de maio de 2012, às 12:05

WE HEART THE HIGH LINE PARK

por Gisela Gueiros

Neste momento, o meu livro favorito e o dos meus filhos é sobre o mesmo tema: o High Line Park.

Piet Oudolf é o paisagista responsável pelo lindo jardim do parque elevado e Peter Brown conta para crianças a transformação de um trilho de trem em um parque arborizado. Recomendo! Para comprar, clique aqui e aqui.

Gisela Gueiros Clarice Reichstul
15 de maio de 2012, às 10:05

HOMENAGEM À MEMÓRIA DE ADAM YAUCH

por Clarice Reichstul

Melhor de todas as homenagens ao MCA até agora, dá até vontade de chorar no final, shuif!

(via trabalho sujo)

Clarice Reichstul Gisela Gueiros
14 de maio de 2012, às 12:05

SEGUNDA-FEIRA

por Gisela Gueiros

Gisela Gueiros Clarice Reichstul
10 de maio de 2012, às 10:05

SALADA SALADINHA

por Clarice Reichstul

Você já foi numa parada arco-íris? Eu queria ir, olha que coisa divertida!

O Jay Z deu uma declaração escandalosamente lúcida em tempos de miopia parental. Sei lá, acho que essa Blue Ivy não vai ser a potencial filha de celebridades mimada que se espera dela, ufa!

Em semana de morte de um dos grandes gênios dos livros infantis, Maurice Sendak, de todas as coisas que eu vi, a mais legal é a que o Neil Gaiman desenterrou da New Yorker, uma conversa em quadrinhos do Sendak com o Spigelman, é demais!

Aliás, tem outra coisa incrível no blog do Neil Gaiman, que é a entrevista que ele fez com o Stephen King, para fãs e não-fãs, recomendo.

Ando apaixonada pela Rookie Magazine, da Tavi.A Marina Pontieri já tinha feito um post sobre o site, mas eu não me aguentei. A revista feita para adolescentes por essa turma de adolescentes é o sonho de consumo de cultura, que trata seus leitores com amor e principalmente inteligência, não é pautada pelas novidades da mídia tradicional e segue um caminho próprio, delicioso, de gente que está descobrindo coisas incríveis numa idade incrível, se eu fosse adolescente só iria ler a Rookie Magazine e se eu tivesse uma filha adolescente, eu discretamente deixaria a página da revista aberta no computador para que ela pudesse “descobrir” sozinha. Coisas imperdíveis que eu vi ontem por lá são as entrevistas do Daniel Clowes, do John Waters e uma resenha do Black Power Mixtape.

Aí uma coisa que me arrepiou o cabelo, é esse post sobre a avaaz, aquele site de ativismo em que as pessoas fazem abaixo-assinados, parece que a coisa toda cheira um pouco mal.

E amanhã tem Kraftwerk, eeeeeeeee! Eu vou, quem vai?

Clarice Reichstul Clarice Reichstul
8 de maio de 2012, às 16:05

PIMP MY CARROÇA

por Clarice Reichstul

Faltam apenas 2 dias para o projeto Pimp My Carroça arrecadar R$ 38.200,00 no catarse. Vamos ajudar o Mundano a “pimpar ” 50 carroças de catadores de papel paulistanos, melhorando sua segurança no trabalho e a sua arrecadação (as carroças “pimpadas” ganham mais, sabia?). Falta muito pouco e o projeto é muito legal, por não se propor a salvar o mundo, mas chamando a atenção a pessoas que são quase invisíveis em nossa cidade e fazem um trabalho que deveria ser olhado com mais carinho.

E para entender de onde surgiu a idéia do Mundano, veja aqui sua palestra no TEDx Ver-o-Peso:

Clarice Reichstul participação especial
8 de maio de 2012, às 09:05

JANTAR EM FAMÍLIA

por participação especial

por Maria Brant e Alice Abramo*

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Depois que tive filhos, adquiri uma estranha mania de comprar livros de receita. Assim como tem gente que coleciona sapatos, carrinhos, corujas, eu passei, meio que sem querer, a colecionar esses livros. É irresistível. Vou à livraria quase toda semana e sempre acabo levando um livro de receitas. Você pode imaginar o resultado. Meu marido ri -  poderia sem bem pior: já imaginou se eu tivesse desenvolvido uma atração irresistível por bolsas da Hermés? Mas os livros, coitados, até recentemente, ficavam lá, lindos, mas na estante, sem nunca ser usados. Na correria do dia-a-dia, acabávamos comendo os restos do almoço, improvisando um sanduíche, descongelando uma torta de frango. Quando eu me empolgava e abria os livros à procura de uma receita, sempre faltava um ingrediente. E nos fins-de-semana, sem ajuda externa, o cansaço quase sempre só permitia pedir comida delivery.

Até que um dia, entre as dezenas de livros de receita que a Amazon me recomenda toda hora, apareceu um que chamou minha atenção: “The Family Dinner” . A autora, Laurie David, era uma jornalista “celebridade” (ex-mulher do Larry David, de Curb Your Enthusiasm) especializada em aquecimento global (produtora do famigerado documentário do Al Gore sobre o tema). O livro era recomendado por vários deuses do Olimpo culinário, como a Alice Waters, o Jamie Oliver, o Mark Bittman… Além do mais, era lindinho.

Já me rendi por muito menos, então saquei meu Mastercard.

Basicamente, “The Family Dinner” é uma compilação de receitas razoavelmente fáceis de fazer e depoimentos de celebridades cool sobre como era a hora do jantar em sua infância. A tese da autora é que fomos, com o tempo, deixando de lado a hora das refeições para dedicar nosso tempo ao trabalho ou à TV, ao computador, ao celular. Exaustos, acabamos comendo qualquer coisa, na hora que der, enquanto fazemos alguma outra coisa. E isso é ruim para nossa saúde, nosso relacionamento com nossas famílias e nossa cultura. Temos, portanto, que resgatar a hora do jantar como hora de estar juntos, criar algo juntos, conversar.

Tudo bem óbvio, mas algo ali me pegou.

O livro chegou pouco depois do nascimento do meu filho mais novo, o Martín, então ficou relegado à minha mesa de centro por alguns meses. Um dia, minha mãe deu uma olhada nele e desdenhou: “Que coisa mais americana!”. (Na minha família, a palavra “americano” é meio coringa, mas pode equivaler a “raso, ignorante, artificial, brega, massificado” e outros adjetivos pouco lisongeiros).

Realmente, o livro é um pouco “americano”. Tem pesquisas mostrando “cientificamente” que os jovens que jantam com a família usam menos drogas, tem dicas de jogos para jogar com as crianças na hora do jantar e diferentes formas de agradecer pela comida… (Até a Ariana Huffington, do Huffington Post, aderiu à causa e publica toda sexta-feira um “roteiro” com temas interessantes pra discutir no jantar. Hard to get more American than that. ) Mas tem muita coisa bacana também. As receitas trazem dicas para envolver crianças e adolescentes no preparo da comida, há depoimentos de gente interessante como o Jonatan Safran Foer (de “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”) e o Michael Pollan (do excelente “O Dilema do Onívoro” ). Mas o principal, para mim, foi o fator motivador.

Não sei se porque a minha vida tinha virado meio que uma sequência sem fim de pequenas tarefas a realizar, se porque, por trabalhar em casa, estava com dificuldade de separar trabalho e vida familiar, mas o fato é que eu estava sempre ou fazendo algo com os filhos, mas me sentindo culpada por não estar trabalhando, ou trabalhando, mas me sentindo culpada por não estar com os filhos. A idéia de separar um tempo todos os dias para preparar e comer o jantar junto com todo mundo me pareceu perfeita para unir o útil e o agradável. Demarcaria, necessariamente, o horário do fim do trabalho, seria uma oportunidade de fazer algo com meus filhos que fosse interessasse a eles e a mim (por enquanto, com a minha filha, já que meu filhote tem só nove meses) e um jeito passar um tempo fazendo algo com meu marido que não cuidar de filhos. Acima de tudo, eu achei que ia ser divertido. Me imaginei colocando um jazz pra tocar e bebericando um hi-fi enquanto descascava cebolas e contava histórias da minha infância à Isadora.

A realidade foi bem menos glamurosa – estou amamentando, então coquetéis não rolam por enquanto, o som da nossa sala é o computador que serve de DVD-player, e convencer a minha filha a trocar desenho da Disney por Thelonious Monk não rolou no primeiro dia, então acabei esquecendo da música, meu marido continua na frente do computador enquanto eu cozinho, mas persisti, resolvida a preparar o jantar todos os dias.

Comecei faz mais ou menos um mês e posso dizer que a iniciativa foi… um fracasso, ha ha. Os imprevistos (viroses dos filhotes, conjuntivite da babá) e previstos (viagem para apresentar meu filho à minha avó em BH, preparativos para o casamento da minha irmã) acabaram tomando muito mais tempo do que eu queria e tive que recorrer mais vezes do que gostaria ao almoço requentado ou aos congelados, mas consegui preparar muitos jantares e, só de criar esse tempo mental para fazer isso todos os dias, consegui dar uma boa reorganizada mental na vida.

Na verdade, essa história de jantar foi o estopim para uma espécie de mini-revolução no meu modo de ver a minha rotina. Repensei a forma como eu lido com meu tempo e minhas tarefas, com a tecnologia, com o trabalho, me fez refletir sobre o que devo priorizar e o que devo terceirizar, que tipo de rituais quero ter com meus filhos, que tipo de assuntos me interessam e quais são aqueles com os quais não quero mais perder tempo… Acho que vale muito a pena tentar.

E o melhor é que você nem precisa comprar o livro, porque as autoras criaram um site com as receitas e dicas e tudo mais. O blog é em inglês, então deixo aqui uma receitinha traduzida:


Cozido de Lentilhas com Batatas e Especiarias Indianas Quentes

(serve 4 a 6 pessoas)

Você vai precisar de:

  • 2 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 2 cebolas médias, picadas
  • 3 dentes de alho, picadinhos
  • 2 colheres de sopa de gengibre fresco ralado
  • 1 colher de sopa de garam masala**
  • 1 xícara de cenouras cortadas em cubinhos
  • 1 batata grande, descascada e cortada em cubos pequenos
  • 2 xícaras de lentilhas, enxaguadas
  • 1 lata de tomates pelados, com a aguinha que vem na lata
  • 1 xícara de leite de coco (ou leite de coco light)
  • 5 xícaras de caldo de legumes ou de frango
  • 1 xícara de ervilhas congeladas, descongeladas
  • Sal e pimenta a gosto
  • Iogurte natural

Como fazer:

Numa panela funda, esquente um pouquinho de azeite e refogue as cebolas até que elas murchem e fiquem douradas. Acrescente então o alho, o gengibre e as especiarias e mexa por um momento, até que fiquem fragrantes. Tome muito cuidado para não queimar as especiarias, porque, se queimarem, elas ficam amargas.

Tire metade desta mistura da panela e separe. Na panela, acrescente as cenouras, a batata, as lentilhas, os tomates, o leite de coco e o caldo de legumes (ou frango). Mexa e deixe tudo cozinhando (borbulhando levemente), sem tampa, por 30 a 40 minutos, até que as batatas e lentilhas estejam macias.

Ponha a outra metade das cebolas e especiarias na panela e mexa. Acrescente as ervilhas por último. Deixe no fogo por mais alguns minutos, até que o cozido esteja bem quente. Tempere com sal e pimenta do reino.

Sirva com uma colherada de iogurte, junto com pão naam ou sírio quentinhos, ou com arroz integral cozido com uma fava de cardamomo.

Dica para fazer com os restos:

Para o jantar do dia seguinte, ponha o que sobrou do cozido no liquidificador e bata bem. Dilua com um pouco de leite, caldo de legumes (ou frango) ou leite de coco até virar uma sopa e dê a ela um nome sofisticado, como A Sopa do Casamento da Princesa Jahanara.

* Maria Abramo Caldeira Brant e Alice Abramo Góes são irmãs. Desde pequenas, a Maria gosta de escrever, e a Alice, de desenhar.

** Garam é a palavra indiana para “quente”. O garam masala é uma mistura de especiarias tostadas e moídas. (Minha observação: dá pra comprar garam masala em supermercado, mas dá pra preparar em casa também. Eis aqui uma receita.)

participação especial Fafá Strumpf
7 de maio de 2012, às 23:05

VIAGEM INSÓLITA

por Fafá Strumpf

“Acordei com o sol rubro do fim da tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos, quando não soube quem eu era – estava longe de casa, assombrado e fatigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindo o silvo das locomotivas, e o ranger das madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancólicos, e olhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos realmente não soube quem eu era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era outra pessoa, um estranho, e toda a minha existência era uma vida mal-assombrada, a vida de um fantasma. Eu estava na metade da América, meio caminho andado entre o Leste da minha juventude e o Oeste do meu futuro, e é provável que tenha sido exatamente por isso que tudo se passou bem ali, naquele entardecer dourado e insólito. (…)”

Foi bem aí que o livro me fisgou de vez… Assim como a Gi, para mim nada substituí um bom livro que seja capaz de ser grifado, cheirado e folheado! Estou lendo aos poucos já faz alguns meses. Ando, volto, corro, pauso, engulo, digiro e entro na jornada de On The Road (1951) sem grandes compromissos, como uma pequena fuga da rotina, volto para essas páginas e loucuras dos personagens principais. Meu único objetivo é acabar antes da estréia do filme, dirigido pelo querido Walter Salles.

Acho que não é muita novidade que o filme vai sair, mas é de se espantar que ele não tenha sido feito antes. É, afinal, a bíblia Beat escrita por Jack Kerouac, um dos livros mais cultuados da geração de escritores que deu a juventude em ascensão uma voz nos anos 50 e 60, para mudar de vez toda a cultura. Na verdade, agradecemos a espera pelo filme, por que, do meu ponto de vista, isso só diz quão difícil é adaptar um ícone literário para as telas, e deve ser feito com todo o cuidado. Tenho medo, por exemplo, do personagem alucinado e cativante de Dean Moriarty se tornar um perfeito clichê de James Dean (Dean-Dean) que não deu certo, nas mãos do ator Garrett Hedlund, que ainda tem muito a provar no cinema, milhas e milhas ainda a serem rodadas, assim como Kristen Stewart que faz sua namorada…

A dica do post não é veja o filme daqui meses quando estrear, isso já tá implícito e espero mesmo que valha a pena, com um grandioso elenco e um bom diretor. Mas a dica é: leia o livro enquanto pode não estar contaminado pelo filme. Corra! Ou melhor, vá atrás e se jogue na leitura, vale a pena. Se possível, e se gostar, entre no ritmo das palavras ouvindo um bom jazz! Daí você, assim como Sal, o personagem central, se perde de vez de quem você é, pra onde vai e por que está aqui, só pra curtir a viagem…

“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars.”

Fafá Strumpf Gisela Gueiros
7 de maio de 2012, às 14:05

TREINO

por Gisela Gueiros

Às vezes a gente precisa de tempo para absorver uma música, uma banda, um artista… Não bate de primeira. São as repetições que fazem a idéia amolecer e se infiltrar no nosso coração. Para mim, quando a paixão acontece em câmera lenta, fico ainda mais feliz.

Com Little Dragon, a banda sueca, foi assim. Ouvi muitas vezes, mas nunca dei bola, nunca achei muita graça. Até que, de repente, pluft. Tudo mudou. Faz mais de uma semana que só consigo escutar o último disco deles no meu “walkman”. Para quem, como eu, não tinha reparado neles ainda, eis aqui mais uma chance. É altamente viciante e faz tudo mudar… Vai ter show em SP dia 11 de maio e no Rio dia 13. Se eu estivesse no Brasil, ia aos dois shows!

E aqui tem uma entrevista legal que o Arto Lindsay fez com a vocalista, Yukimi Nagano.

PS: adoro a energia rápido-devagar que não sei explicar, mas que é clara na música “Summertearz”.

Gisela Gueiros Clarice Reichstul
7 de maio de 2012, às 12:05

JOATAN NASCIMENTO, PEDRO ITO E YONATAN AVISHAI

por Clarice Reichstul

Nesse fim de semana que passou, rolou no Centro de Cultura Judaica o projeto Conexões, que junta músicos israelenses com brasileiros em encontros musicais que misturam as duas heranças culturais em shows. O projeto está em sua segunda edição e é filhote da mente fértil de Benjamim Taubkin que é o curador musical do centro.

Assisti duas apresentações, a primeira uma jam session entre todos os músicos participantes, que aconteceu na sexta feira, na Casa do Núcleo. Foi muito interessante ver todos esses músicos interagindo entre si, alguns mais, outros menos. Mas dentro da algazarra maravilhosa que rolou lá, tinha a junção de três figuras mágicas, suaves e discretas, os músicos Joatan Nascimento, Pedro Ito e Yonatan Avishai, respectivamente trumpetista, percussionista e pianista.

No domingo, fui ver justamente os três tocando no palco do centro e foi uma das coisas mais lindas que eu vi esse ano. A delicadeza, suavidade do que foi tocado é quase inexplicável para uma leiga no assunto como eu. Os três tocavam timbres tão suaves e macios, que quase pareciam não tocar, as mãos eram tão leves, que olhando você jurava que os dedos não tocavam as teclas do piano, que Joatan não soprava o trumpete e que a percussão não existia, mas a música estava ali, forte em toda a sua suavidade.

É meio que contraditório, mas a força todas estava mesmo nessa suavidade, parecia que esses caras estavam tocando sem fazer o menor esforço, como se estivessem apenas respirando. E a música nos transportava para lugares tão lindos, de sonho bom, como que num por-do-sol eterno, cálido, perfumado.

Muitas vezes quando vamos a shows de música, o que nos impressiona é a potência, a força desmedida do som, que enche o nosso peito e nos faz vibrar junto a cada acorde. Pelo menos é isso o que acontece comigo, quando esse som gordo, forte me pega eu me entrego, não dá para resistir, e a cabeça vai para o espaço, fica só o corpo sentindo. Dessa vez foi muito curioso, porque parecia um sonho, a cabeça foi para o espaço da mesma maneira, mas sem essa força bruta do som, sabe?  Foi leve, quase que brincando.

Depois que eu fui entender, anta catatônica que sou, que eu estava ouvindo músicos fenomenais, aclamados por seus pares e tudo o mais. Bom,  sei lá, nesse assunto eu sou só mais uma perua que foi acertada em pleno vôo por uma música maravilhosa.

Para vocês terem uma idéia do que foi, ou não, sei lá, dêem uma escutadinha em cada um deles em suas respectivas praias:

Clarice Reichstul
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