o assunto culturete do momento em nova york é a peça esperando godot, de samuel beckett. a montagem que está em cartaz no studio 54 foi produzida por anthony page e recebeu ótimas críticas.
eu sou apaixonada por este livro (1948), mas nunca tinha visto a peça. na verdade, preferia ter visto a versão brasileira que teve uns anos atrás, com bete coelho e magali biff, mas estava sempre esgotada… até fila de espera eu encarei. o texto de beckett em inglês tem várias palavras inventadas, estilo guimarães rosa, e eu perdi muitas ‘piadas’. a platéia toda ria, menos eu.
mesmo assim, fiquei feliz da vida de ter ido. a ausência de godot, a passagem das horas, dos dias, os questionamentos deles e as repetições são geniais. me lembrei muito do balé da alemã pina bausch, que eu amo. as coreografias dela também são feitas de repetições que fazem a gente entender o mesmo ato de maneira diferente, sob vários pontos de vista, durante o espetáculo. não é à toa que ensaio em françês é répétition… repetir para aprender.
algumas curiosidades sobre a peça –
* apesar de beckett ser irlandês, o texto foi escrito primeiro em francês e depois traduzido para o inglês por ele próprio
* o nome godot, acreditam alguns, faz referência a deus (god). mas beckett dizia que godot vem de godillot, uma gíria para botas, em francês, já que os pés de estragon são uma parte importante da peça
* segundo outras interpretações, os nomes dos personagens principais vladimir (didi) e estragon (gogo) descrevem a psique segundo freud – didi para id e gogo para ego. godot seria o superego.
segundo o escritor normand berlin, a peça é tão elementar que convida todos os tipos de interpretação social, política e religiosa. e talvez exatamente por isso seja tão incrível… minha parte preferida é o final do primeiro e do segundo ato (que são o mesmo diálogo) –
vladimir – então? vamos embora?
estragon – vamos.
(eles não saem do lugar)
(bete coelho e magali biff na versão brasileira, cenas da montagem americana e o cartaz da peça)
serviço
waiting for godot
studio 54
254 w rua 54 (entre broadway e oitava avenida)
em cartaz até 12 de julho



26 de maio de 2009, às 14:37
Que bom que vc gostou da peça pi(per)!!!
24 de junho de 2009, às 03:07
[...] o diálogo é breve, mundano e faz pensar no teatro do absurdo. encarnei perry, mas me lembrei de godot enquanto lia. [...]