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Paty Moll Novaes
19 de outubro de 2009, às 13:10

centro da culinária amazônica

por Paty Moll Novaes

pessoal, to de férias essa semana! por isso, convidei minha prima paty moll novaes, jornalista que trabalha com gastronomia, para escrever sobre sua viagem para belém do pará, cidade considerada o principal centro da gastronomia da amazônia. espero que gostem! beijos!!!!

olá! vou contar para vocês como foi a minha incrível experiência em belém do pará, de onde acabo de voltar. conhecer esta cidade era um sonho antigo, e eu não só o realizei como fui na época mais importante do calendário local: o círio de nazaré. celebrado desde 1793 e considerado o natal dos paraenses, patrimônio imaterial e cultural do brasil, esta é a maior procissão do mundo e reúne cerca de 2 milhões de católicos para homenagear a santa padroeira do estado, a nossa senhora de nazaré, ou naza, nazinha ou santinha, para os mais íntimos. É uma fé inimaginável! a festa é realizada no segundo domingo de outubro e, como desta vez caiu em um feriado, consegui ir, com uma tia um pouco distante, mas muito querida que nasceu lá e mora em São Paulo há muitos anos.

diversos festejos antecedem a procissão, entre elas missas e outras romarias, como a comovente romaria fluvial, na qual a imagem da santa é levada, na baia de guajará, do porto de icoaraci ao porto de belém, seguida por centenas de barcos e, hoje em dia, até lanchas e jet skis, acreditam? o cortejo principal acontece no domingo de manhazinha e a nossa senhora vai da catedral metropolitana à basílica de nazaré. círio significa uma grande vela que muitos promesseiros e fiéis carregam no percurso. após o cortejo, um grande almoço é realizado nas casas das famílias e são servidos os pratos mais típicos da culinária paraense. na casa que eu fui, o cardápio era pato no tucupi, maniçoba e vatapá, sempre com arroz e farinha. de sobremesa, minhas duas mais novas paixões, sorvete de açaí e tapioca.

o pato no tucupi é um prato muito tradicional da culinária local, no qual o pato é cozido em um caldo feito com o tucupi, líquido amarelo extraído da mandioca brava que precisa ser fervido por dias até perder o seu veneno, e o jambu, aquela verdura que causa dormência na língua. os paranses são ta-ra-dos por este prato, que não foi meu preferido, mas achei bem gostoso. a maniçoba é uma espécie de feijoada preparada coma maniva moída no lugar do feijão. maniva é a folha da mandioca brava, que também precisa ser fervida por dias até perder seu veneno. este eu gostei muito mesmo, mas é tão forte que tem que comer só um pouquinho. o vatapá paraense é diferente do baiano, não leva peixe, castanha de caju nem amendoim, apenas camarão seco, leite de coco e dendê. mas o meu eleito predileto da viagem foi o pirarucu de casaca, feito com este peixe amazônico, farofa molhada com vinagrete e leite de coco, coberto com banana frita, um escândaloooo! depois desta comilança, eu quase não consegui mais socializar e pedi discretamente a chave da casa para a minha tia, e capotei nada menos que 4 horas seguidas. é, deu para entender porque os paraenses fazem a tradicional siesta depois do almoço. a comida é sensacional, mas forte, forte… no próximo post vou contar como foi a minha visita ao famoso e sensacional ver-o-peso, o mercadão de lá, um dos maiores mercados da américa latina, que eu estava super ansiosa para conhecer!

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“centro da culinária amazônica” tem 3 comentários.

  1. Lana Luna

    Sou suspeita para falar, pois sou de Belém, mas de fato, a energia que sentimos neste período na mangueirosa é contagiante e as delícias … vou descongelar um pouco de maniçoba e comer por ti. E o sorvete de açaí e tapioca ,tu podes saborear por aí,na Feira Moderna, que fica na Vila Madalena, ah, experimenta o de cupuaçú com castanha.
    Paz e luz!

  2. ver-o-peso | Minas de Ouro - G l a m u r a m a - Por Joyce Pascowitch

    [...] por patricia moll novaes [...]

  3. o verdadeiro açai e o melhor sorvete do norte | Minas de Ouro - G l a m u r a m a - Por Joyce Pascowitch

    [...] por patricia moll novaes [...]


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Paty Moll Novaes
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