meu primeiro post de 2010 vai ser meio piegas – queria falar sobre beleza… naquele livro “como proust pode mudar sua vida”, do alain de botton, que eu já postei aqui, tem uma parte em que ele diz que tudo o que vemos pode ser interessante.
“(…) beleza é algo para ser achado, em vez de passivamente encontrado, é nossa função descobrir detalhes escondidos, identificar a brancura de um vestido de algodão, o reflexo do mar no casco de um barco, ou o contraste entre a cor do casaco e do rosto de um jóquei (…)”
[original em inglês: "(...) beauty is something to be found, rather passively encountered, that it requires us to pick up on certain detailes, to identify the whiteness of a cottn dress, the reflection of the sea on the hull of a yacht, or the contrast between the colour of a jockey's coat and his face (...)"]
lendo essa frase, pensei no casal de fotógrafos alemães bernd e hilla becher (ele faleceu em 2007, ela continua viva), que tiravam fotos de máquinas, construções, edifícios industriais e caixas d’água. diferente do fotógrafo francês henri cartier-bresson, que via poesia no “momento decisivo” – onde o artista precisa ter sorte e paciência, estar no lugar certo, na hora certa –, os bechers se interessavam pelo deadpan (uma palavra mais ou menos sem tradução que significa ‘inexpressivo’, ‘sem emoção’), na repetição e naquilo que tivesse uma ‘vida’ finita e, muitas vezes, curta. numa entrevista, hilla disse que o trabalho deles está terminado “quando o objeto em si foi destruído”.

como eles apresentam fotos de ‘objetos’ similiares, um ao lado do outro, em série, o efeito é musical – você vê as diferenças sutis entre as partes quando elas estão reunidas. mas, voltando ao livro sobre proust, o trabalho dos bechers convida a gente a ver beleza em detalhes – que talvez passassem despercebidos se não estivessem registrados em fotografia.
eles chamam a nossa atenção para o trabalho dos engenheiros, que estavam provavelmente muito mais preocupados com a funcionalidade dos objetos do que com a estética. e isso é exatamente o que o alain de botton sugere – reparar nas coisas banais do dia-a-dia. falando assim, parece até um post de auto-ajuda…
bernd e hilla começaram a trabalhar juntos em 1959 e todas as fotos são de autoria dos dois – juntos eles escolhiam o local, negociavam com proprietários, preparavam a câmera, revelavam as fotos…
eles inspiraram toda a geração seguinte de fotógrafos alemães – seus alunos andreas gursky, candida höfer, thomas struth, entre outros. também inspirada pelos bechers – e por alain de botton –, achei que prestar atenção nas bonitezas escondidas do cotidiano podia ser um bom começo para este ano. que tal?
os fotógrafos hilla e bernd becher




3 de janeiro de 2010, às 18:59
lindo Gi…
bjs
3 de janeiro de 2010, às 19:41
ai que postão! amay
:*
3 de janeiro de 2010, às 22:11
lindo, né, bela!
e, sim, ivo… comecei 2010 empolgada… com um postão!
4 de janeiro de 2010, às 18:58
lindo, de desmaiar!
FELIZ 2010!!!
4 de janeiro de 2010, às 18:58
lindo! de desmaiar!
FELIZ 2010!!!
4 de janeiro de 2010, às 21:19
gigi
eu lembro…
dia beacon, né?
love, love, love!
bjsss
4 de janeiro de 2010, às 22:54
tais, feliz 2010 pra vc também! na verdade, um 2010 de desmaiar!
nini, isso mesmo! dia:beacon. beijos mil. gi
5 de janeiro de 2010, às 15:24
gei, que bonito! adorei.