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Gisela Gueiros
3 de janeiro de 2010, às 18:01

bobagens

por Gisela Gueiros

meu primeiro post de 2010 vai ser meio piegas – queria falar sobre beleza… naquele livro “como proust pode mudar sua vida”, do alain de botton, que eu já postei aqui, tem uma parte em que ele diz que tudo o que vemos pode ser interessante.

“(…) beleza é algo para ser achado, em vez de passivamente encontrado, é nossa função descobrir detalhes escondidos, identificar a brancura de um vestido de algodão, o reflexo do mar no casco de um barco, ou o contraste entre a cor do casaco e do rosto de um jóquei (…)”

[original em inglês: "(...) beauty is something to be found, rather passively encountered, that it requires us to pick up on certain detailes, to identify the whiteness of a cottn dress, the reflection of the sea on the hull of a yacht, or the contrast between the colour of  a jockey's coat and his face (...)"]

lendo essa frase, pensei no casal de fotógrafos alemães bernd e hilla becher (ele faleceu em 2007, ela continua viva), que tiravam fotos de máquinas, construções, edifícios industriais e caixas d’água. diferente do fotógrafo francês henri cartier-bresson, que via poesia no “momento decisivo” – onde o artista precisa ter sorte e paciência, estar no lugar certo, na hora certa –, os bechers se interessavam pelo deadpan (uma palavra mais ou menos sem tradução que significa ‘inexpressivo’, ‘sem emoção’), na repetição e naquilo que tivesse uma ‘vida’ finita e, muitas vezes, curta. numa entrevista, hilla disse que o trabalho deles está terminado “quando o objeto em si foi destruído”.

picture-2

como eles apresentam fotos de ‘objetos’ similiares, um ao lado do outro, em série, o efeito é musical – você vê as diferenças sutis entre as partes quando elas estão reunidas. mas, voltando ao livro sobre proust, o trabalho dos bechers convida a gente a ver beleza em detalhes – que talvez passassem despercebidos se não estivessem registrados em fotografia.

eles chamam a nossa atenção para o trabalho dos engenheiros, que estavam provavelmente muito mais preocupados com a funcionalidade dos objetos do que com a estética. e isso é exatamente o que o alain de botton sugere – reparar nas coisas banais do dia-a-dia. falando assim, parece até um post de auto-ajuda…

bernd e hilla começaram a trabalhar juntos em 1959 e todas as fotos são de autoria dos dois – juntos eles escolhiam o local, negociavam com proprietários, preparavam a câmera, revelavam as fotos…

eles inspiraram toda a geração seguinte de fotógrafos alemães – seus alunos andreas gursky, candida höfer, thomas struth, entre outros. também inspirada pelos bechers – e por alain de botton –, achei que prestar atenção nas bonitezas escondidas do cotidiano podia ser um bom começo para este ano. que tal?

picture-7os fotógrafos hilla e bernd becher

“bobagens” tem 8 comentários.

  1. bela

    lindo Gi…
    bjs

  2. adelaide ivánova

    ai que postão! amay
    :*

  3. gisela gueiros

    lindo, né, bela!
    e, sim, ivo… comecei 2010 empolgada… com um postão!

  4. tais

    lindo, de desmaiar!
    FELIZ 2010!!!

  5. tais

    lindo! de desmaiar!
    FELIZ 2010!!!

  6. ana strumpf

    gigi
    eu lembro…
    dia beacon, né?
    love, love, love!
    bjsss

  7. gisela gueiros

    tais, feliz 2010 pra vc também! na verdade, um 2010 de desmaiar!
    nini, isso mesmo! dia:beacon. beijos mil. gi

  8. tei

    gei, que bonito! adorei.


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Gisela Gueiros
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