fassbinder é o almodóvar das alemanha. eu não entendo nada de cinema mesmo e a ignorância me dá o aval pra falar esse tipo de coisa!
estou completamente obcecada nos filmes que ele fez no começo dos 80, a trilogia da alemanha no pós-guerra. acho lindo que, como almodóvar, ele tenha heroínas em vez de heroínos!
semana retrasada eu vi “lola”, que fala de uma quenga que decide que vai casar com um funcionário público e ser respeitada e todo mundo é corrupto porque acha que não precisa ser diferente. e eu achando que safadeza só tinha nesse hemisfério de cá…
aí ontem eu vi “o casamento de maria braun”, certamente o mais famoso dos três, que fala sobre – gues who – maria braun que, depois de perder o marido na guerra, faz de tudo pra se virar sozinha. a história de vida de maria braun se confunde com a história da própria alemanha no pós-guerra, da devastação ao boom econômico. na verdade maria representa a alemanha em si, e as coisas que o país/maria teve que passar pra se aprumar na vida.

o dvd de maria braun
entre um e outro eu vi “o desespero de veronika voss”, que é meu preferido e me faz querer morrer de júbilo fotográfico e dramatúrgico. apesar de ter sido feito quando já havia cores no cinema (muitas, aliás, afinal eram os eighties) fassbinder filmou em preto-e-branco. literalmente. só preto e só branco, sem tons de cinza. um primor, uma coisa lhinda. o roteiro é inspirado numa história de uma atriz alemôa chamada sybille num sei do quê, que fez muito sucesso e que, depois de sua suposta amizada com os nazis vir à tona, morreu pobre e sozinha e no anonimato, de overdose. a atuação de rosel zech é arrebatadora, bem histérica, ela é linda, o figurino é de lascar e a história em si é cativante.

cena de veronika voss. ai que lindo.
o que eu amo nesses filmes do fassbinder (além do fato deles serem bem facinhos de entender hihi) é que existe uma resignação cínica nessas mulheres, de quem sabe que a vida é cã mermo e quem não se vira se lasca. tudo isso mostrado com uma lindeza visual bem exagerada, bem não-alemôa.
fassbinder morreu de overdose enquanto revisava o roteiro do filme que faria sobre rosa luxemburgo. diz que tem uma gota de sangue que caiu do nariz dele, na página 12 do roteiro. bem dramático. ou, em bom alemôo, sehr dramatischen.



12 de janeiro de 2010, às 02:51
Ivi, só pela descrição fiquei morrendo de vontade de ver os filmes!
Sabe o que é mais engraçado? É completamente diferente da ideia que eu fazia. Adoro Nietzche e por conta disso, entre outras coisas, teve uma épocas em que eu fiquei meio obcecada pela história da Alemanha e a “identidade do povo alemão”. E vendo a história mais a obra de filosófos e artistas alemães ta sempre presente essa coisa da austeridade, disciplina rígida deles.(aliás, tem um livro que eu recomendo fortemente: “os alemaes” do Norbert Elias.Ele é sociólogo mas o livro é uma delícia de ler!)
Talvez por conta disso eu nunca vi um filme do Fassbinder: imaginava algo maçante, pesado, lento…E eu até que gosto de filme lento mas confesso que os dele nunca parei pa ver. Daí vem você e me compara o cara com Almodóvar? Derrubou meus conceitos (preconceitos nesse caso), preciso ver os filmes! haha
Fiquei querendo ver mais que todos o da Maria Braun, por causa dessa frase aqui “a história de vida de maria braun se confunde com a história da própria alemanha no pós-guerra”. Adoro obras que personificam Estados ou mostram a história através da biografia de alguém “comum”. Até lembrei de “Ana dos 6 aos 18″, onde o diretor mostra a história da Rússia em paralelo com o crescimento, expectativas e desejos da filha dele,a Ana do título.
hahahah Acho que falei demais (e olha que ainda teria tantas outras coisas pra falar). muita informação solta..mas é que teus posts me deixam assim mesmo, cheia de idéias…rs
Beijos!