
hoje é o primeiro seder de pessach e como no ano passado, no rosh hashaná eu postei uma receita da minha avó, lá vou eu de novo.
o nosso seder de pessach tem se descaracterizado muito nos últimos anos, um ano o pessoal desencanou de usar kipá, no outro de fazer as tais das perguntas e ultimamente, tem até opção de comida para os goys (!!!), bom, sei lá se isso tem muita graça, mas enfim, é o lá de casa, é o que eu tenho e pronto, não vou discutir muito.
a parte boa é que apesar da descaracterização, a comida é mais ou menos a que a minha avó sempre fez, que varia bem pouco do jantar de rosh hashaná (a variação é, basicamente, que no rosh hashaná tem bolo de mel – que eu já postei a receita e chalá).
já que o nosso jantar não tem reza, nem kipá, nem prato de pessach, passo aqui uma outra receita da minha avó, o bolo de chocolate com papoula.
ah, a papoula anda meio complicada de achar por aqui, a gente consegue sempre num esquema que aposto que é contrabando. mas, enquanto a anvisa não se ligar e perceber que apesar do ópio ser derivado da papoula, a semente dela não dá barato em usos culinários, vai ter que ser assim.
o bolo é muito simples, a parte mais complexa é deixar a papoula de molho, moer e tal, faz uma sujeirama, mas vale a pena!
então lá vai:
bolo de papoula com chocolate
ingredientes:
250 gr. de açúcar
250 gr. de manteiga
250 gr. de chocolate amargo
250 gr. de sementes de papoula
1 copo de leite morno para quente
8 ovos
1 pitada de sal
1 pitada de curry
1 golinho de conhaque
modo de preparo:
deixe as semente de papoula de molho lo leite morno por algumas horas, elas ficam mais pretinhas e gordinhas. depois disso, coloque as bolinhas num pano limpo e deixe pendurado, para tirar o excesso de leite (eu já dei nó no pano, chacoalhei, mas o melhor método é lardar o fardinho de papoulas pendurado em alguma canto, a força da gravidade faz o trabalho pra gente).
depois disso vem a parte chata e melequenta, que é moer as sementes. eu tinha um moedor da minha avó, que tinha um disquinho para sementes de papoula, mas ele quebrou. durante um tempo usei o moedor de café mas o meu pifou, agora uso o liquidificador mesmo, não é a mesma coisa, mas dá um pouco para o gasto. reserve.
bom, sementes prontas, é hora de cuidar do chocolate e da manteiga. eu sempre derreto os dois juntos no microondas, 90 segundos resolve. misture os dois até ficar uma calda homogênea e reserve.
agora, bata o açúcar com as gemas na batedeira até ficar num amarelo clarinho brilhante. junte nessa mistura as sementes de papoula, o chocolate com a manteiga, o golinho de conhaque e a pitada de curry (isso não é da minha avó, mas fica bom). reserve.
bata as claras em neve com uma pitada de sal e misture delicadamente na massa de chocolate com papoula, com cuidado para não “murchar”, as claras batidas servem como o “fermento” da coisa, então é importante manter as bolhinhas da estrutura.
coloque numa forma untada e coloque no forno, por volta de 220º C, agora o tempo eu não sei especificar direito. acho que até ele não se mexer quando você sacudir a forma, que tal assim?



30 de março de 2010, às 09:20
Hum… que delícia. Guardo as 50 grs que tenho esperando uma receitinha com essa… mas realmente, 250grs de papoula é impossível conseguir!
Será que é possível trazer de fora do Brasil… na mala?
Beijo,
30 de março de 2010, às 10:45
Clá eu adoro este tipo de bolo, vou super fazer
saudades
beijão
30 de março de 2010, às 10:47
Só lembrando os esperto da anvisa a papoula que vem para o brasil é torrado e não dá barato.
30 de março de 2010, às 11:08
oi meninas, então, tem uma importadora húngara que importa, acho que é um esquema não muito oficial, mas ai, vou pegar o telefone e mando! beijos, cla
30 de março de 2010, às 12:27
ceci reichstul curtiu isso.
30 de março de 2010, às 16:03
clarice reichstul curtiria muito mais se a ceci estivesse aqui.
31 de março de 2010, às 00:54
esse bolo é o meu preferido!
9 de abril de 2010, às 00:57
E qual é o problema de fazer comida para os Goys???? Vocês estão no BRASIL!!!!
9 de abril de 2010, às 16:21
oi, não tem problema algum, a questão não é essa.
Não é fazer comidas para goys ou não. é que no caso, não sei se você é judeu ou não, isso não me importa, eu mesmo não sou das mais xiitas como dá para perceber pelo post. A questão é a descaracterização necessária de uma tradição. Como eu escrevi aí em cima, esses jantares, que acontecem 2 vezes por ano são a única coisa que a minha família faz no quesito judaico, religioso, enfim, é a única coisa que sobrou. Ao colocar um macarrão no meio da coisa (no caso do Pessach, existe a proibição de se comer durante o período alimentos fermentados e que contenham trigo, com excessão da matzá) você descaracteriza ainda mais uma coisa que já está descaracterizada (como também disse no post). Nesse grau, não há muita diferenciação entre um jantar de Pessach e um jantar festivo comum. Você esvazia totalmente algo que já teve um significado e isso é muito triste. Repare que não estou argumentando por uma visão hortodoxa do judaismo ou de qualquer coisa. Mas acho uma pena quando um ritual (religioso ou não) perde seu significado, a vida fica mais pobre. Por isso acho que, na medida do possível, devemos preservar o que nos é importante.
até,
Clarice
11 de outubro de 2011, às 17:11
comprei sementes de papoula aqui no brasil neste site; faz 2 meses que comprei desse vendedor, mas ele quase sempre tem em estoque pra vender.
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-205610999-papaver-poppy-blaumohn-papoula-sementes-20gr-_JM
11 de outubro de 2011, às 17:35
OI Pedro, muito obrigada pelo link! Outro dia eu soube que as sementes de papoula estavam saindo da “lista negra”. Vamos ver se isso é verdade. Se for, a gente vai poder voltar a comprar em qualquer lugar, ufa!