São Paulo está fazendo hoje 457 anos. Cidade moça, adolescente, criança talvez.
Dizem por aí, que o dia deve ser de calor e pancadas de chuva.
A cidade da garoa está transbordando.
É a mãe natureza conversando com a poesia concreta de suas esquinas.
Comemorarei esse caos. Sou uma garota paulistana!
É claro, tem a maior programação de aniversário rolando. O velho e bom Anhangabaú. Não é Copacabana, mas comporta eventos de toda ordem.
Eu fico por aqui mesmo nas minhas redondezas. A chuva aqui chove bonito. E a Zona Oeste vira um passeio, em dia de feriado.
E pram quem estiver em São Paulo, quiser curtir uma Z.O, o Paço da Artes amanhã tem uma programação bastante interessante. Fora que é muito bom dar um rolê na USP.
Tem a segunda edição do Zonas de Contato. Um artista é convidado, atua como curador e convida um jovem artista cujo trabalho encontre relação com o seu, estabelecendo essas múltiplas zonas de contato que a arte contemporânea permite.
Nessa, que abre amanhã as 15:00, Analivia Cordeiro, umas das pioneira da vídeo-arte no Brasil e uma das criadoras da computer-dance no mundo, convida João Penoni. O diálogo entre esses dois artistas é profundo e abrangente: o corpo e sua expressão sob o ângulo de diversas mídias – fotografia, vídeo, interatividade eletrônica e performance.
Também abre amanhã a exposição 748.600. A curadoria é de Renan Araujo e o projeto faz parte do programa Novos Curadores (uma iniciativa importante que oferece oportunidades para pessoas como nós, eu, no caso).
Nas palavras do curador; “748.600 evidencia as questões existentes na produção de artistas brasileiros na qual a prática econômica aparece como mote da construção objetual: subversão do capital, status adquirido, força de trabalho, reinterpretação da economia e formas de escoamento, criação de uma marca de produtos sem funções reais e a conquista de um território aliado à política, sempre de uma forma crítica e com o risco das contradições.”
O nome da exposição é uma (autoreflexão) ao valor arrecadado de incentivo fiscal pelo projeto. Ler o texto me deixou curiosa para ver como ele vai transpor essa crítica para espaço museográfico, institucional. Sem dúvida tem um monte de bons artistas reunidos, são 14, entre eles Cildo Meireles, o Coletivo Filé de Peixe, Marcelo Cidade e Rodrigo Matheus.
“A crise atual tem a ver com o excesso de poder do capital” , essa frase, do geógrafo David Harvey, introduz o texto de curadoria.
Não é uma frase que oferece grandes novidade. Se estivermos distraídos, ela pode cair no limbo do lugar comum. Porém, não há como negar que questões como: excesso, poder e capital devam estar, de fato, sempre em pauta.
Nessa entrevista, o pensador fala sobre os rumos do capital.


