Manoela Miklos*
Essa é pra você que, como eu, não perde uma boa oportunidade de hit the dance floor. Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, eu tô sempre pronta pro baile. Você também? Então vem comigo, vamos embarcar no Soul Train.
Primeira parada: Estados Unidos, anos 70. Em 1971 estreou na TV norte-americana o espetacular Soul Train, programa que ficou mais de 30 anos no ar levando pras telinhas o melhor da soul music, do funk, do rhythm & blues. James Brown, Sly & the Family Stone, Jacksons 5 e companhia fizeram gerações dançarem na frente da TV. Todo tapete virava pista. Aperta o play. Vem balançar com Ike e Tina Turner. Soul Train, nice and rough:
Se você quiser ouvir mais, saber mais, dançar mais, pode começar fuçando as dicas do site da NPR. Essa é a lição 1, introdução ao Soul Train. A lição 2 é passar pro seu Ipod Mr. Big Stuff cantado pela Jean Knight; Heard it Through the Grapevine na voz do gênio Marvin Gaye; In the Midnight Hour de Wilson Pickett; Heatwave com Martha & The Vandellas; Everybody Needs Somebody To Love de Solomon Burke e qualquer coisa dos Temptations. Soul Train é isso. Som da pesada. Quem não gosta de Soul Train bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou é doente dos pés.
Next stop: NYC. Lá eu conheci Mr. Jonathan Toubin, DJ expert na arte de botar toda gente pra dançar ao som do melhor rock’n soul. Soul Train style. Toubin pilota faz alguns anos a New York Night Train’s Soul Clap and Dance-Off, uma das festas mais quentes da cidade. All night dancing ao som do funk e da soul music mais dançante. Mas a cereja do bolo é o tradicional concurso de dança: os mais animados, com números colados nas costas, competem ao som de Aretha Franklyn, Wilson Pickett e Curtis Mayfield. Os bravos competidores são avaliado por um painel de juízes descolados que já contou com a presença de hipster heros como Andrew Van Wyngarden, do MGMT, e Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs. O vencedor ganha $100, free drinks e vira rei das pistas por uma noite.
Toubin e a New York Night Train’s Soul Clap and Dance-Off são viajados. Vira e mexe saem em turnê pelos Estados Unidos. Mas sempre voltam pra casa, pra fazer o Brooklyn balançar o esqueleto. Se você vai passar pelos States, pode conferir as datas das próximas festas aqui e ir ensaiando os seus melhores moves. E se o seu lance não é bailar, você pode, ao menos, curtir o fato de estar numa festa onde os meninos e meninas estão nomeados. Prático, fast food, peça pelo número.

Last stop, Terminal Barra Funda: SP. A sweetheart Ana Wainer é jornalista, produtora e sabe o que é bom. O queridíssimo Sergio Sayeg é músico, guitarrista incendiário da incrível banda Garotas Suecas e esconde atrás daquele jeito de bom moço um stray cat nova-iorquino. Fãs do balanço, passageiros do Soul Train e regulars da New York Night Train’s Soul Clap and Dance-Off, os dois comandam a It’s Soul Time!, a grande novidade da noite paulistana. Pra ver e ser visto. Discotecagem soul, competição de dança, juri descolado, meninos e meninas numerados. Pacote Soul Train completo todo mês no Clube Berlin, na Barra Funda. Imperdível.
Eu mesma já me aventurei na pista da It’s Soul Time! mais de uma vez. Na última edição, fui eliminada do concurso na semifinal, perdi pro rapaz número 23. Mas mês que vem vou dar a volta por cima. Já tô engraxando meus dancing shoes.
E, pra terminar a nossa viagem dançante, deixo vocês com o video abaixo. A música é o clássico Dancing in the Street, gravado por Martha and the Vandellas em 64. Hino soul, virou hino do civil rights movement norte-americano. Aqui o hit é cantado por Mick Jagger e David Bowie (ô lá em casa, né minas?). É o encontro explosivo do Soul Train com o poderoso swing sexy-inglês-rocker-glam-magrelo. Dancing in the Street é meu convite: vem dançar, babe! It’s Soul Time! Ou, como diria o mestre James Brown, the godfather of soul: get on up and then shake your money maker!
* Manoela Miklos: Criada on the road, é punk por parte de pai, hippie por parte de mãe e careta autodidata. É Doutoranda em Relações Internacionais, queria ser a Joni Mitchell em 1970 e é súdita do Rei Roberto Carlos.
No canal Participação Especial cada post é escrito por um convidado. Os assuntos são os mais variados – de ecologia a cinema, de comportamento a ciência, de arquitetura a fotografia. Se você quiser participar, mande um e-mail para minas@minasdeouro.com.br, e o seu post também poderá ser escolhido!



29 de abril de 2011, às 08:43
Manô!! Maravilhoso isso que você escreveu aqui!!!! E o mais sensacional é que você como garota prodígio liga o rádio do carro em Salvador e canta todas a músicas que tocam e saibe tudo de cada uma delas com profundidade de arqueóloga. Thanks por fazer meu dia mais legal!
29 de abril de 2011, às 08:57
sô, faz assim não que eu choro! até corei!
aprendi tudo com você, dona sô!
você é minha mestre na arte delicada de saber tudo sobre tudo (e todos hahahahaha)!
love you, coisa fofa.
volta volta volta volta!
30 de abril de 2011, às 18:42
gente: tenho um ps pra fazer.
você que está em sp esses dias, embarcou no soul train e já está ansioso para a próxima viagem, se liga.
começou em sp o festival in-edit brasil, festival de documentários sobre música. são muitos filmes sobre gente muito muito boa.
entre eles está o filme “soul train: the hippiest trip in america”, de j. kevin swain e amy goldberg. no link abaixo você pode ver onde e quando ele vai passar:
http://guia1.folha.com.br/guia/cinema/documentario/1071211/soul_train_the_hippest_trip_in_america
e nesse poutro link você pode descobrir outros filmes legais em cartaz no festival:
http://guia.folha.com.br/cinema/ult10044u908627.shtml
beijo da manô.