A reação das pessoas quando você conta que mora em Nova York geralmente é “ai, que máximo!”, “nossa, meu sonho!”, “putz, que incrível”. E, de fato, morar em NY é demais. Mas pouca gente sabe dos bastidores de uma vida nova iorquina. De cabeça, sem me esforçar, segue uma listinha do glamour.
- Se você tem máquina de lavar e secar em casa, esqueça roupas passadas. A não ser que você queira passar suas roupas uma a uma… A pior parte é o lençol amassado!
- Sim, claro, tem o tintureiro (aqui chamado de Dry Cleaning). Mas, depois de um tempo você começa a perceber que as camisas brancas ficam amareladas, as blusas delicadas voltam rasgadas (sim!! rasgadas!), tudo por conta dos produtos químicos que usam.
- Reciclagem aqui (pelo menos no meu prédio) é levado suuuper a sério. Jogar lixo no lixo, que antes era uma atividade rápida e indolor, agora toma algumas horas do meu mês. Caixas de papelão devem ser desmontadas e empilhadas, depois amarradas juntas com um barbante. Potes de iogurte e molho de tomate devem ser lavados antes de irem pro lixo. Acho incrível, o Brasil devia aderir a moda e tals, mas dá um trabalho cão!
- Depois de muito sofrer, comecei a pedir supermercado delivery… mas antes disso, minhas mãos quase caiam (de frio e) de segurar as sacolinhas pesadas por vários quarteirões.
- Ir ao médico no Brasil, quase sempre se parece com uma ida à analise. Seja dermatologista, ginecologista e até dentista, sempre rola aquele bate-papo bacana, uma troca de figurinhas e confissões. Aqui, não. Às vezes nem um “oi tudo bem” tem. É bem “vamos direto ao assunto e, por favor, não me processe”.
- O luxo de viver numa cidade plana onde se faz tudo a pé é impagável. Até que… começa a chover! Se você tiver sorte de ter o guarda-chuva e a galocha, melhor. Mas ainda assim é uma aventura. Você chega em casa imundo, molhado e, se bobear, com um corte causado pelos guarda-chuvas alheios!
- Quando me mudei pra cá, quase tudo o que eu tinha em SP foi parar no “quartinho” da casa da minha mãe. Aquele lugar, espécie de triângulo das bermudas doméstico, onde estão todos os seus boletins da escola, cartas dos ex-namorados, casacos de ski. Pois bem, aqui esses “quartinhos” não existem. Até existem, mas se chamam storage space e são pagos!
Isso foi o que me veio à cabeça em 5 minutos de reflexão. Se tiverem mais relatos/fatos da vida-nada-mole de NY, postem nos comentários. E… deixa eu ir. Ainda tenho que lavar o lixo! (E um dia eu prometo fazer um post sobre o lado luxuoso da vida nova iorquina…)




4 de maio de 2011, às 16:40
Gi, aqui em Roma não é NADA diferente… Fora a função de ser dona de casa full time… Eu arrumei um filipino (sim, um homem..hahahaha), que vem fazer a faxina pesada… Mas cozinhar, lavar, passar, limpar todos os dias é comigo! Cadê o glamour?
Beijos
4 de maio de 2011, às 17:44
Pois é, Aninha… Mas tem o lado interessante de tudo isso, no sentido de cuidar da casa a gente mesma, que é uma privacidade sem preço, não acha? um beijão!
5 de maio de 2011, às 09:39
pois barcelona a linha segue igual……incluindo o novo capítulo da minha vida: pedicure, manicure, o pior custo benefício da Europa! Uma salva de palma as manicures brasileireiras!
5 de maio de 2011, às 15:28
ahah… adorei!!! deveria ser o lado LIXUOSO de morar em NYC.
mais alguns: se acostumar a ver ratos pela cidade, perder o sábado esperando o cable guy pq vc não tem empregada pra recebe-lo, fazer sua própria mudança.
Muito perregue mas a gente ama essa cidade bandida! bjo.
5 de maio de 2011, às 20:42
Nossa, Mari! Esqueci dos ratos e dos taxis…! Ui!
Luiza, de fato, manicure brasileira não tem igual!
6 de maio de 2011, às 09:50
Eu tb achei ESTE justamento o Glamour de morar em NY. Nós brasileiros somos muito preguiçosos. Não fazemos muita coisa em prol de reciclagem e afins e ainda temos gente pra fazer tarefas em casa. Meu sogro é americano e se constrange toda vez q vai ao Brasil pq nunca sabe o q fazer com a empregada. “Ela não vem comer coma gente?”. Moro em Berlin atualmente e tenho q jogar o vidro azul no container pro vidro azul, o branco, o verde, o marrom, cada um no seu devido container e qdo faço isso me sinto muito glamourosa, parece q eleva minha dignidade a cada container q eu deposito MEU lixo. Vários chefes de Estado vieram aqui num evento e na hora de caminhar da residência do presidente para o salão do evento, poucos metros mas na chuva, todos os chefes europeus foram levados por um mordomo segurando o guarda chuva. Só a Hillary tomou o guarda chuva da mão do empregado e foi segurando ela mesma. Além de mais prático a idéia em si é de q estas coisas são responsabilidade nossa, não precisa sujeitar ninguém a te servir, e q se vc for incpaz de segurar um guarda chuva quem dirá dirigir uma nação. Os americanos passam esta mensagem da privacidade mas da independência tb. Não precisam de ninguém fazendo nada por eles. Já no Brasil dá nota em coluna qdo alguma celebridade americana enche o tanque do próprio carro (não há outra opção lá) ou qdo a Chelsea Clinton senta no chão de um café pq ele tá lotado (q absurdo, a filha de alguém importante se portando como uma qqer!). Shame on us!
6 de maio de 2011, às 11:28
Oi, Gisela!
Amei esse post. Tem coisas que precisam ser desmistificadas. Tenho um irmão que mora aí e ele sempre fala sobre isso, o saco que é descer as escadas do prédio pra lavar roupa, o caos que a neve (tanto fotografada pelos turistas) provoca no dia a dia, na faxineira que chega dirigindo seu carro pra trabalhar. Realidades diferentes, hein!
Beijo, curto muito o teu blog.
Magali
6 de maio de 2011, às 23:21
oi Magali, oi Dora,
É isso mesmo…! Tem um lado muito mais pé no chão na vida aqui. beijos e voltem sempre!
7 de maio de 2011, às 12:23
Gisela! San Francisco é a mesma coisa! Agora… espera ter filho? Babá? HA! Empregada HAHAHAHA! Sou só eu e meu marido cuidando de filho, casa e ainda trabalhando. Cuidar de mim? Ainda não cheguei lá!
7 de maio de 2011, às 17:00
É o preço do “gramour ” ! Aqui no Br, em Curitiba, no meu prédio, o lixo é separado e lavado.
Adorei o post.
As americanas adoram ser independentes (ou homenzinhos), mas qual é o problema de alguém encher o nosso tanque, segurar o guarda-chuva, abrir a porta?
Procure manicure vietnamita, as de SF são boas. Mas em Ny tem tanta manicure brasileira que nem precisa ficar saudosa.
7 de maio de 2011, às 20:19
oi Seli, oi Ana! Sabe que todos esses itens anti-glamour que citei já se encaixaram totalmente na minha rotina. Fui ao Brasil passar uma longa temporada e fiquei bem chocada com a quantidade de babás que se vê nos lugares (e uniformizadas – o que aqui nao existe!). Também acabei me adaptando às manicures koreanas, que empurram a cutícula e pintam só metade da unha!! Depois de ter filho, a coisa complicou mesmo, Ana. Ajuda aqui custa caríssimo e como tive gêmeos preciso abrir mão de outros “luxos” para poder ter uma ajudinha enquanto o marido sai de casa. Vamos que vamos!! A tendência é o mundo se americanizar, porque, no fim, a vida aqui é muito prática! Uma vez trouxe um jogo americano de linho do Brasil pra minha sogra gringa e ela disse na lata “quem é que vai passar esse lindo jogo!?” Hahaha! Fiquei meio sem graça, mas depois pensei e aqui é um presente meio de grego… beijos!
7 de maio de 2011, às 23:35
Noosa Gisela gêmeos!!! Se vc vier para ca de férias eu te ajudo menina! Amei o post , adoro seu blog …Beijao e espero um dia a gente se conhecer!!!
10 de maio de 2011, às 13:25
Seli, problema nenhum se for seu namorado fazendo isso. Agora pagar mal pra ser servido é triste né? Não é um problema de gênero, de feminismo e sim de mau costume. É mico ver, aqui de fora, a Galisteu (1 filho) sair pra passear com a mãe (2 pessoas) e levar a babá pra empurar o carrinho. Eqto no mesmo dia a Jolie sai com o Pit e os 6 filhos, 3 com cada, pendurados no colo, na mão (seguranças à distância, claro, mas ninguém segura o carrinho dos filhos deles pra eles. No Brasil as babás mal remuneradas e uniformizadas não podem nem se sentar num banco nos Clubes Paulistanos q o sócios pedem pra elas saírem. Além de estarem trabalhando em um lugar onde os pais poderiam estar se divertindo com seus filhos sozinhos e ainda são tratadas como um Elfo doméstico. Acho estranho as pessoas acharem EUA e Europa glamour, mas não perceberem q é assim justamente pq subemprego, exploração e subpagamento são minimizados ao máximo nestes lugares.
10 de maio de 2011, às 13:40
Gisela, é, eu acho q este é o lado chique de morar nesses lugares. Glamour = Civilização/Civilidade. Morei anos nos EUA, meu sogro e família são americanos, moro há anos na Alemanha e pude atestar q este é o chique. Infelizmente cafona somos nós brasileiros, cheios de empregadas (estrangeiros acham isso excentricidade de país pobre, e normalmente acham o patrão mais “pobre” q a empregada) por exemplo, louvar a manicure q faz um excelente trabalho mas remunerá-la mal e gostar justamente pq ela não é valorizada. E não é mesmo mais cafona ser cheia de excentricidades e dependências e não conseguir lixar nem sua própria unha, como fazem as glamourosas das européias? Imagina a futura Rainha da Inglaterra no Brasil empurrando seu próprio carrinho de Supermercado? Lá (Brasil) é vergonha até pra uma dona de casa (que vive pra isso) fazer sua própria compra em vez da empregada, q coisa brega né? Desculpe as polêmicas, mas gosto muito do Blog.
10 de maio de 2011, às 19:19
oi Dora,
Adorei seus comentários. Eles são sempre bem-vindos! Uma amiga minha me mandou um email ontem muito legal, falando sobre este post que escrevi. Ela também mora aqui nos EUA. Olha o que ela escreveu: “eu acho super glamouroso esse aspecto democrático de todo mundo fazer o próprio trabalho braçal. e concordo que do brasil, a galera não tem a menor idéia do que é isso!
acho que isso humaniza MUITO a gente. A gente passa a valorizar não só a nossa privacidade e liberdade de cuidar das próprias coisas, mas o trabalho dos outros quando escolhemos ter isso (e pagamos, e caro, né! haha)”
Fico muito feliz quando percebo tudo que aprendi a fazer sozinha depois que vim morar aqui. Desde cozinhar, lavar roupa, fazer a própria unha, até reciclar o lixo direitinho e mais um monte de bobagenzinhas do dia-a-dia. E é muito verdade isso que vc falou de os gringos acharem bizarro/deprê a gente ter tanta ajuda – um clima meio What happened to Lei Áurea?
10 de maio de 2011, às 21:04
Gisela, penso como sua amiga, acho q deu pra perceber pelos Anais q escrevi aqui haha. Além de ser mais prático, é um ato de independência tb, concordo. Imagina a vida sexual de um casal q nem deve poder andar nu em casa (dentre outras coisas) tendo empregados pra dividir a intimidade. Acho muito mais difícil administrar uma pessoa na sua casa do q a casa em si. Perde-se muito tendo q administrar a sua vida e a de um empregado, conviver com pessoas estranhas em casa exige mais esforço q encarar atividades corriqueiras domésticas. É muito mais digno lavar sua própria calcinha, como a Carrie faz tantas vezes em Sex and the City (q brasileiro ama), do q por um ser pra te servir. E a Galisteu com a mãe e uma babá pra segurar o filho? Juro, dá uma impressão q ela tem algum problema, alguma incapacidade tipo reumatismo, LER pq não dá pra acredita q é preguiça pura. E olha a Duquesa Catherine Midleton empurrando seu próprio carrinho de compras, super digno, down to earth. Eu tenho amigos italianos q foram ao Brasil e falaram a mesma coisa sobre escravidão, depois de irem a uma festa e descobrirem q a doméstica não ia embora, ia dormir lá na casa. Começaram a caçoar do dono da festa pq ele tinha “escravas”. o dono da festa, por sua vez se achando muito cool por ter gringos prestigiando ele e por poder mostrar o brazilian way of life. Na Alemanha mesma coisa, todos q vão ao Brasil só fazem lembrar maldosamente q foram muito bem tratados… pelos empregados dos outros (q extravagância!). A esposa do meu sogro é de Maine e lá o slogan do Estado é “the way life should be”. Qdo ela vai à praia aqui e todo mundo vem servir, e senta numa mesa de um conhecido e a empregada vem servir à francesa num dia qualquer ela diz ficar muito constrangida e vai lavar a louça com a doméstica. Não é um glamour vc stand up and live up to your (american) ideals? Now I rest my case haha
10 de maio de 2011, às 21:56
Tenho uma lista de coisas que “sinto saudades”… começa com o suco de laranja feito na hora com laranjas frescas… aquele que tem espuminha. E o queijo minas, café com leite com pão e manteiga… e por aí vai.
Mas o que incomoda mesmo são as diferenças de comportamento. Essas, que são muitas, deixam a gente com vergonha às vezes.
Empregada é um luxo ou um atraso? É um hábito ou uma necessidade? Uma frescura?
Assunto para muitos posts!
10 de maio de 2011, às 23:14
Stella, pelo que vejo aqui, empregada é um hábito muito mais do que uma necessidade e é um luxo ao mesmo tempo em que é um atraso… Quanto à saudade, a lista é longa, né?
11 de maio de 2011, às 18:14
Acho q estrangeiros e a maioria de brasileiros q mora fora bastante tempo acha mais um sinal de atraso vc morar num lugar onde tem doméstica do q glamour ou privilégio. Americanos no geral pensam o Brasil como o sul dos EUA antes da guerra de Sessessão, mas lá o Sul perdeu né? E o atraso tb. Somos motivo de chacota gente! É meio consenso. Já ouvi de russos, alemães, italianos, americanos e minhas fontes são médicos, cientistas, construtores, engenheiros. Cheguei agora no Brasil e fui numa casa onde moram 4 pessoas e eles tem 5 empregadas. Mas não é uma propriedade assim do interior da Inglaterra sabe… é uma casa pequena pros padrões de subúrbio americano. E elas só podem circular em determinados lugares (áreas de serviço), como o lugar é pequeno, estas áreas são inexistentes. fico pensando se não cabe ação por confinamento. E o Delfin Neto? Q acabou de falar q “quem teve este animal (doméstica) teve, quem não teve nunca mais vai ter”. Outro choque q tomei foi no supermercado, pq tem gente pra embalar suas compras e no interior de São Paulo embalam e até entregam as compras pra vc não fazer esforço nem de por e tirar do carro. Acontece q qdo não tem embalador as pessoas esperam a moça do caixa passar a mercadoria só pra depois embalar a compra deles eqto eles esperam olhando. E nisso a fila cresce. E nisso perde-se tempo. E dá a impressão q as pessoas não tem o q fazer ou q pra não assumir a responsabilidade pelas suas própias compras preferem atrasar sua própria vida esperando a menina do caixa trabalhar dobrado. Volta a questão da praticidade: é mais prático vc embalar, é mais rápido, vc não está ocupado, as compras são suas, vc ganha tempo. Fico pensando em Berlin, onde moro e onde é capaz de vc ser deportado se interromper a fluidez de uma fila de supermercado, onde não tem nem sacolinha plástica muito menos alguém pra fazer favor pra vc. E depois vc pega e sai com a sacolinha nos -26 graus. Infelizmente acho q o brasileiro gosta muito dos EUA na parte do consumo, mas não aprecia toda uma dignidade q vem junto.