Há três semanas, um dos trending topics do twitter no Brasil foi a matéria em que o Woody Allen conta quais são seus livros prediletos. A surpresa e o motivo do bafafá eletrônico foi saber que uma das obras mais queridas do diretor é o clássico brasileiro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Allen conta que recebeu o livro acompanhado da seguinte mensagem: “You will like this.” Ficou curioso, mas confessa que só iniciou a leitura porque o romance era fino.
Eu já tenho uma mania meio esquizofrênica de fazer listinhas de coisas pra fazer e comprar e, após ter visto a lista dele, fiquei com muita vontade de fazer a minha.
Inspirada pelo neurótico mais famoso do mundo -e por Nick Hornby- segue o meu Top Five livros:
O Encontro Marcado, Fernando Sabino: Li faz uns 6 anos e ainda é o meu preferido. A história de Eduardo Marciano, alter ego de Sabino, é contada desde a infância até a idade adulta. Marciano é aparentemente um cara normal, mas internamente sofre de insatisfação crônica. Casa, tem amantes, separa-se e perde amigos. Busca a bebida como forma de aplacar a angústia que o acompanha. Não é fácil explicar porque o livro é tão bom, já que a narrativa é super comum, mas Sabino escreve com tanta sutileza e assertividade que o estilo se sobrepõe positivamente à história.
O apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger: O clássico americano ficou com fama de bíblia dos problemáticos depois que Mark Chapmam, assassino de Jonh Lennon, atirou no beatle e afirmou se sentir como o personagem principal do romance. O adolescente Holden Caufield perambula por Nova Iorque meio sem rumo, solitário e achando tudo um saco. Li na adolescência e até hoje acho o máximo.
Pornopopéia, Reinaldo Moraes: Descobri o Reinaldão em 2009, ano em que Pornopopéia foi publicado. O livro de quase quinhentas páginas conta a história de um publicitário (cineasta de um filme só) entediado com a profissão, boêmio e engraçado. Como nos outros livros do escritor, a figura do personagem principal é a do anti-heroi carismático e amoral. Algumas passagens são dispensavelmente escatológicas, mas o conjunto desses trechos contribui para a construção da figura desencanada do protagonista.
O Sol Também se Levanta, Ernest Hemingway: Hemingway é famoso por dizer muito falando pouco, já que todos os seus livros têm diálogos super concisos. Neste romance, o escritor fala bastante de suas paixões: pescaria, tourada e bebida. Gosto tanto do livro que já pensei em fazer uma viagem seguindo o percurso dos personagens. A narrativa começa em Paris, vai pro País Basco e tem seu ápice nas corridas de touro de San Fermim, em Pamplona. Faria o mesmo caminho, mas pularia as touradas.
Orgulho e Preconceito, Jane Austen: Pode parecer que finalmente surgiu um livro mulherzinha nesta lista de protagonistas desajustados, mas Jane foi mais macho que muitos homens de sua época e expôs toda hipocrisia dos costumes na Inglaterra no século XVIII. A trama trata de uma paixão cheia de mal entendidos e desencontros. Divertido e muito, muito bem escrito.




21 de maio de 2011, às 21:57
Marcela,
o Orgulho e Preconceito também está na minha lista, não sei se no top 5, mas no top 10 com certezíssima! E o POrnopopéia foi o melhor livro que eu li no ano passado, que diversão que é, né?
Sabe que eu nunca li o Apanhador no Campo de Centeio? É que passou da hora, eu acho que eu tinha que ler na adolescência, meio igual ao ON the Road, que ler adulto é muito chato… Pode ser que eu seja uma anta catatônica por pensar isso, mas ai, ahaha!
beijo,
CLá
21 de maio de 2011, às 22:02
Clá, tb acho que alguns livros têm idade certa para serem lidos. Aconteceu comigo justamente com o on the road, mas o apanhador é xodó. Se você gostou do pornopopéia, tem que ler o Tanto faz e o Abacaxi. Terminei os dois faz uma semana e amei!
Beijos!!!
21 de maio de 2011, às 22:41
Putz, vou ler. eu estou devendo muitos livros. Faz um tempão que eu só tenho conseguido ler quadrinho, a maior vergonha. Mas é que dá uma viciadinha… ehehe… beijos