Na última vez que fui passar férias no Brasil, saí para jantar fora com algumas amigas e disse para o garçom: “Estamos prontas para pedir”. Logo virei motivo de chacota entre elas. É que traduzi ao pé da letra uma expresão mais comum em inglês “We are ready to order”. Tive que me esforçar para lembrar que em São Paulo é mais comum dizer algo como “Já sabemos o que vamos querer”.
Esse episódio é apenas um exemplo do que acontece quando falamos duas línguas o tempo todo. E arriscaria dizer que, ao mesmo tempo em que sou fluente em português e inglês, fiquei um pouco mais analfabeta no geral. A quantidade de vezes que chamo as coisas de “thing” ao falar inglês por falta de vocabulário preciso é incontável! Uma tristeza… Assim como as frases meio a meio, que tento evitar ao máximo “Love, me passa that thing, please?”
A loucurinha cerebral também acontece na escrita. Às vezes, quando escrevo rápido, sem pensar muito, confundo sons. Acidentes como “dat day” [em vez de "that day"] passam pela minha cabeça, mas não chegam a ir pro papel.Alguém aí se identifica com essa situação? Me contem sobre seus acidentes linguísticos!!
Abaixo, a música que carinhosamente chamamos de “That Thing” – sinônimo de todas as palavras que não sabemos falar em inglês:



2 de agosto de 2011, às 15:18
amei!
me lembro bem desse dia…..
coitadinha!!
2 de agosto de 2011, às 16:26
Hahaha! Eis que surge, como primeira comentarista do post a amiga que tira sarro de mim até hoje. Com vocês, Tais!
2 de agosto de 2011, às 18:25
boua!
já estou pronta para pedir
3 de agosto de 2011, às 18:14
Muito bom! Acontece comigo o tempo todo…
E os novos verbos?! morro de medo, fulano foi “parkear” o carro! isso eu não falo…não…not me! hahaha
Bj
xoxo from SF
4 de agosto de 2011, às 11:50
o melhor é que foi:
- moço, ô moço….
- já estamos prontas para pedir
4 de agosto de 2011, às 14:21
Hahaha, parkear é boa!
5 de agosto de 2011, às 11:16
É o que eu chamo de limbo linguistico. O meu é profundo. Esqueci o portugues e nunca vou aprender tao bem o espanhol, dai cai no limbo. A gente se comunica, mas soa estranho. As vezes tambem tiram sarro da minha cara por perguntar “Fulaninho, em que rua voce vive?” em vez de utilizar o verbo morar, muito mais indicado no Brasil. A ultima do limbo foi traduzir um texto do ingles ao espanhol para uma amiga. Lá pelo meio do texto já tava traduzindo tudo pro portugues sem perceber, quando solto um “jelosa” para jealous, pronunciando o J portugues. O cerebro deu um nó, pq foi: J portugues+ meia palavra em ingles+ meia palavra em espanhol.
A filha de um amigo do meu pai veio a Argentina ao dois anos de idade, bem na quando estava come´cando a falar em portugues. O limbo dela era quase existecial, freudiano. Um dia ela disse a mae que queria morcilla, que em espanhol é chori´co. Todo mundo achou estranho. Um bebe querendo comer lingui´ca de sangue? Finalmente descobrimos que o que ela queria era morango (morango+frutilla=morcilla).
6 de agosto de 2011, às 00:27
“Mãe, não foi minha falta!”, disse eu outro dia quando quase bati o carro pq um cara me fechou no trânsito e minha mãe brigou comigo.
7 de agosto de 2011, às 19:27
Essa é boa, Ro!
7 de agosto de 2011, às 19:29
Livia, não acreditei na história da morcilla… FANTÁSTICA!!
11 de agosto de 2011, às 23:25
Experimenta ir para algum país de língua espanhola…é PIOR AINDA! Te garanto!
23 de março de 2012, às 12:26
eu trabalhei por 4 anos lado a lado com um escocês. Falava ingles o dia inteirinho – no etlefone, tudo escrito em ingles… depois mudei rpa empresa brasileira. quem disse que eu sei falar ‘.
relatorio de despesas? hum? expense report. ou seja – eu embolo muita coisa. alguém aí mencionou um limbo linguistico, é lá q eu to! e sim, eu misturo os 2 idiomas na mesa frase. aí o povo pira.
“eu já booked a sala para a reunião”