O Rafael Mantovani é o menino mais inteligente que eu conheço.
Quando a gente estava na escola, o meu pai pagava um pau para os textos dele ( e eu, claro, ficava enciumada, mesmo não querendo dizer) e enquanto todo mundo se virava para enfiar meia dúzia de aliterações no texto porque era o que o professor tinha pedido, parece que as idéias do Manti já saiam em forma de poesia ( mesmo que o texto fosse prosa).
Tem gente que é assim.
Por isso, quando ele me disse que ia lançar o primeiro livro, CÃO eu sabia que pela frente vinha coisa boa.
E veio. Terminei de ler recentemente, lendo devagarinho, em lambidas homeopáticas. E é tão bonito. TÃO bonito.
Uma poesia dos tempos de hoje, da falta de tempo. Da ânsia. Da incerteza. Do estranhamento do mundo. Quem não é capaz de se identificar com o sentimento de não identificação?
Mas, de verdade, acho que poesia não se explica, se lê. Então, dá pra ter uma prévia do livro no blog dele e aqui vai o meu preferido (mas tem mais uns três encostados) :
Meu Cachorro sabe
meu cachorro sabe que eu sou mijão
e me acompanha
ele sabe que eu tenho medo de assalto
e me acompanha
ele sabe que eu nunca vou parar de fumar
e me acompanha
meu carinho é duro, parece uma garra mecânica
e ele me acompanha.
* Tem na Cultura, Livraria da Vila e livraria da Travessa. Mais que recomendo.



