
Pra mim a nouvelle vague surgiu aos 15 anos. Até acho que foi cedo, uma descoberta solitária da adolescência. Uma vez perguntei pra uma amiga que se ela gostava de Truffaut e ela me respondeu que adorava, principalmente de chocolate. Mas a verdade é que surgiu e foi uma revelação, mudou muita coisa mesmo. A parte fútil foi querer parecer com aquelas pessoas. Comecei a usar cachecol, óculos escuros, tomar café… (depois parei, não entendo a nóia das pessoas com café, não gosto). Também de forma meio torta, a nouvelle vague pra mim sempre foi muito mais Truffaut que Godard.
Já perdi a conta de quantas vezes discuti o assunto. Após um período me digladiando na arena da cinefilia percebi que chegar em qualquer rodinha e soltar um “Gosto mais do Truffaut” é quase um suicídio social…
A verdade é que toda essa historinha foi pra dizer que nesse último feriado, percebi que a celeuma está longe de acabar ao assistir ao documentário Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague. O filme, dirigido por Emmanuel Laurent e roteirizado pelo biógrafo Antoine de Baecque, faz um panorama da época com enfoque nos dois cineastas e suas carreiras como críticos na revista Cahiers du cinema. Não sou de usar muito essa palavra, mas achei obrigatório pra quem gosta dessa fase do cinema, e também para quem não conhece. O documentário está recheado de imagens lindas dos filmes dos dois. Anna Karina, Jean-Paul Belmondo e o lindo Jean-Pierre Léaud obviamente também marcam presença.
Sim, a adolescência passou. Não bebo mais café e dificilmente uso óculos escuros. Mas ainda tenho vontade de parecer com a Anna Karina e ter um namorado meio Antoine Doinel.



4 de novembro de 2011, às 00:11
Eu já disse antes, não manjo nada de nouvelle vague. Mas só de ver o Jean-Pierre Léaud repetindo mil vezes no espelho “Antoine Doinel” nesse documentário já me deu vontade de saber mais…
8 de novembro de 2011, às 10:59
Acabei de conhecer o blog, e já me identifiquei. Se for crime pode me prender sou muito mais Truffaut, apesar de nunca saber escrever o nome dele….