Nada mais verdadeiro do que a frase super batida que diz que relembrar é viver. Acho que todo mundo tem alguns gatilhos que disparam uma cachoeira de memórias e sensações do passado que são tão presentes como se estivessem acontecendo agora.
Para mim por exemplo, o cheiro de um determinado produto de limpeza sempre traz lágrimas aos olhos, porque me transporta imediatamente para um hotel que eu costumava passar férias na infância – uma época em que minhas lembranças se confundem com as fantasias da imaginação.
Estou falando isso porque essa sensação de justaposição entre memórias passadas e o tempo atual, para mim é o cerne do que é mais interessante no DEAR PHOTOGRAPH .
O site, do canadense Taylor Jones nasceu de uma conversa familiar na mesa da cozinha, vendo fotos antigas, quando ele percebeu que estava sentado exatamente no lugar em que sua mãe tirara uma foto anos antes, de seu irmão, que no atual momento estava sentado no lugar exato em que estivera anos atrás. E pronto.
E a coisa funcionou tanto, quer dizer, tanta gente consegue se identificar com a sensação que estas fotos provocam, que o Dear Photograph ficou em primeiro lugar na lista de sites de 2011 da CBS e em sétimo na lista do New York Times! E no aniversário do onze de setembro, o site ficou em primeiro nos mais tuitados ( a foto você procura lá, mas tenho certeza que você já sabe exatamente como é)
O Interessante é que o site é abastecido também ( em grande parte) por contribuições e é lindo perceber que os temas caros a todo mundo são os mesmos: a época em que os filhos eram crianças ou parentes de idade, que a gente supõe que já não estejam mais no convívio da família. Lugares visitados, experiências vividas. Se isso não é uma puta de uma dica de o que a gente deveria levar em conta na vida, ao invés de se preocupar com o chefe, o carro, a roupa certa e afins, eu não sei o que é.
E claro, tiro o chapéu para a super curadoria de imagens de Jones, que faz toda a diferença.
Imagens humanas, com várias camadas de significação. Coisa cada vez mais rara no nosso super poluído referencial imagético contemporâneo. Para guardar com carinho.







4 de novembro de 2011, às 09:56
Bem bonito isso má! Sabe o que acontece comigo? Eu tinha um namorado, na adolescência que sempre estava com halls de cereja na boca. E hoje, quase 20 anos depois continuo não conseguindo comer halls de cereja (sem lembrar dele) Bizarríssimo!
4 de novembro de 2011, às 10:22
Oi Sofia! Eu tenho mil dessas coisinhas: um cheiro, um som, um gosto. Acho que todo mundo. Acho até que coisas que a gente é atraído e não sabe bem porquê, devem ter muita relação com memórias que estão lá, mas a gente não acessa.
Estou acompanhando a sua volta mundo em 80 posts!