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Fafá Strumpf
3 de fevereiro de 2012, às 20:02

INSÔNIA, SOLUÇOS E RISADAS EM PLENO AR

por Fafá Strumpf

Passou sexta e a cerveja gelada, passou sábado e a esbórnia noturna, chega o domingo preguiçoso meio ressaquento, mesmo que você não tenha bebido absolutamente nada. Domingo sempre é dia de ressaca da semana inteira e, portanto, um dos melhores dias pra cinemar pela vida afora.

Fica a dica da semana, no domingo, ou qualquer outro dia, vá se emocionar com Histórias Cruzadas, ou The Help, no título original. (pausa para eu falar que um dia protestarei contra as escolhas péssimas de nomes de filmes no Brasil, alguém consegue explicar???).

O negócio é o seguinte, assisti numa das minhas maiores insônias em avião, naquela telinha, enquanto todo mundo dormia, com um cheiro bacana vindo do banheiro atrás de mim e mesmo assim, chorei as pitangas até soluçar, acordando a senhora que dormia do meu lado… Sim, eu choro messsmo no cinema, mas esse filme me pegou de surpresa, mexendo com questões atuais de forma muito delicada.

O filme conta um pouco da história da luta dos negros pelos direitos civis, por um ponto de vista intimista e feminino. O elenco inteiro está muito bem, tanto que acabaram ganhando o SAG Awards de melhor elenco nesse último domingo. Emma Stone (amo!) está carismática como sempre, Jéssica Chastain está fantástica como a dona de casa branca deslocada e um pouco desvairada, Bryce Dallas Howard irrita em todos os bons sentidos como uma outra dona de casa pentelha e Octavia Spencer está incrível como o balanço cômico da trama!

Agora, quem rouba a cena mesmo é Viola Davis, que traz toda a dramaticidade e peso para o filme. Inclusive estou torcendo pra ela ganhar o Oscar esse ano. Isso não implica que estou torcendo contra a diva da Meryl, só acho que Viola está merecendo por esse papel.

Claro, é um filme pra sair feliz e muito emocionado do cinema, mas vale a pena, vá sem preconceitos em relação ao nome idiota brasileiro! Despretensão! Essa é a palavra chave. Vá, chore, ria e acorde alguém do seu lado também….

“INSÔNIA, SOLUÇOS E RISADAS EM PLENO AR” tem 9 comentários.

  1. Dennison

    Fafs!

    Eu ainda preciso ver! Vc sabe que as minhas doses de “cinema do bem” são homeopáticas, e eu ainda estou sob efeito do “The Descendants.” Mas assim que passar, eu vou ver o The Help! Bjs e parabéns pelo post!

  2. Fafá Strumpf

    Denni! Que honra um comentário seu! Veja, vale pela Viola que está muito bem! Entendo que feel good movies as vezes pode cansar mesmo. Mas dá um tempo e vá ver, mas não tenho certeza que se vc vai gostar!
    beijinhos

  3. Regina

    Fafa, adorei! Hum hum!!!!
    Muito bem escrito, confesso que me deu certo desconforto ao me identificar, em algumas situações, com as “patroas”.
    Bjs
    Re

  4. Janaína

    Quase todas as histórias de racismo do filme ainda se repetem diariamente no Brasil de 2012: Banheiro de empregada, os uniformes, filhos sendo criados quase que integralmente por elas, são tratadas com uma brutal indiferença pela família da qual se dedicam, etc – E ainda é muito falado, mundo afora, que racismo no Brasil quase não existe.

  5. Fafá Strumpf

    Re! brigada!!

    Confesso que me identifiquei em várias personagens e dá uma sensação ruim mesmo… Difícil ver que as coisas não estão tão diferentes assim..
    bjos

  6. Fafá Strumpf

    Janaína,
    Concordo com vc que esse cenário não mudou muito no Brasil, mas nos EUA a luta era por uma sociedade igualitária no sentido racial…Aqui ainda lutamos por uma sociedade economicamente igualitária e a questão da racial infelizmente está dentro desse contexto também. O racismo aqui existe sim, mas a questão social se sobrepõe, eu acho…
    Vc viu o filme?

  7. clarice

    Fafá,

    não concordo com você. Apesar de existir um preconceito social muito muito grande aqui no Brasil, o racismo está entranhado em nossas mentes e nossa sociedade. Outro dia eu estava conversando com um amigo meu que faz lojas online e ele estava contando que quando eles colocam a mesma camiseta num modelo loiro ou preto, a diferença de venda é de 50% a mais para o modelo loiro. Detalhe: as tais camisetas são de times de futebol, onde a porcentagem de jogadores loiros aqui no país é tão ínfima que essa história é de arrepiar! beijos, Clá

  8. Fafá Strumpf

    Clá,

    Eu não estou afirmando que não existe preconceito racial no Brasil! Claro que existe…infelizmente! Vai ser difícil de explicar o que eu to querendo dizer, sem causar polêmica…
    Mas o que eu acho é que aqui, a questão racial é encoberta pelo discurso de que há uma diferença econômica muito grande entre camadas da sociedade, que “justifica” um comentário politicamente correto do tipo “no Brasil não tem preconceito racial”. Mas existe sim. Aqui, ao contrário dos EUA, nunca houve uma segregação tão explícita como na época que o filme retrata.
    Mas o fato de ser mais encoberto o racismo aqui, acho que talvez seja até pior, por que é mais difícil de identificar e mudar o cenário….
    Espero que minha resposta tenha sido esclarecedora, mas acho que não tanto… Isso é papo pra uma dissertação inteira…
    Mas concordo com você clá.
    Beijos

  9. clarice

    Fafá,

    é, é um assunto infernal, nhé!
    beijos


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Fafá Strumpf
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