Você anda preocupado com as teorias que dizem que o mundo vai acabar em 2012? Pagou esses dias aquela promessa pra Santa Rita de Cássia que fez em 95, just in case? Tá preparado pra se acabar como nunca no carnaval?
Xii, meu bem, isso é tão ontem! O mundo já acabou, você é que não percebeu!
E não sou eu quem está dizendo não!
Li há um tempo o livro “As estratégias fatais” do Baudrillard (um dos livros mais difíceis que eu já li e mais interessantes também – leia se você estiver realmente com tempo e disposição!) no qual ele diz que a gente vive num mundo encenado, pós apocalíptico. Ou seja, baubau, acabou mesmo, já era e pronto.
Mas, se você não está com saco para teoria pesada, eu indico MUITO o genial cartunista André Dahmer; que através de um humor, mais negro do que a asa da graúna ( Atenção! A referência ao Henfil aqui é intencional e super pertinente!) coloca em prática, tudo o que o Baudrillard discute na teoria.
Não tenho ideia se o Dahmer gosta ou já leu o cara, mas que o seu trabalho e principalmente a série “Quadrinhos dos anos 10″‘ que ele tem publicado diariamente em seu site, discute justamente em que mundo estamos vivendo hoje, de uma perspectiva incrivelmente cínica e desesperançosa. E é quadrinho de humor. Sinal dos tempos.
O primeiro livro que eu li do Dahmer foi “A cabeça é a ilha” e imediatamente me apaixonei. E também deprimi um pouco, tenho que confessar. Tipo leitura que tem que ser homeopática, manja?
Mas acho fenomenal que tenha alguém usando o humor de maneira ácida, crítica e extremamente inteligente, quando a maior discussão sobre humor no Brasil ultimamente é se o Rafinha Basto pode fazer piada com neném ou não ( Diz aí, não é mesmo o fim do mundo?).
Há quem torça o nariz para o traço do Dahmer ( tosquera style); mas eu acho que não tem nada mais pertinente, quando o texto é tão fundamental e quando a estética que se busca é a da destruição plena ( de tabus, de dogmas, de preconceitos e da realidade). Pra mim se insere na tradição, além da Graúna, das Cobras e eu AMO.
Daí que o mais espantoso é descobrir que apesar disso tudo, o André é um carioca muito sangue bom, simpático, falador e sempre animado! E não o filósofo depressivo que eu achei que ele fosse antes de conhecer.
E também, acho que ele não deve achar o mundo tão terrível assim, já que acabou de colocar mais uma habitante sobre a terra!
Ou pelo menos, que acredita que se possa mudar – e apontar o que precisa ser mudado é tarefa à qual se dedica diariamente.
Quebra tudo Dahmer!










16 de fevereiro de 2012, às 14:44
Excelente texto! O Dahmer é muito bom, mesmo.
27 de fevereiro de 2012, às 13:35
Ótima indicação. Estou recomendando.