27 de setembro de 2011, às 18:09
por Sandra Soares
A primeira vez que visitei Paris, em 2001, voltei impressionada com a elegância desencanada das parisienses. Me lembro de ter comentado com minha amiga Susana Barbosa, editora de moda de Elle: “As francesas parecem estar sempre de roupa velha, vivem com os cabelos desgrenhados, e mesmo assim são tão chiques!”. Depois de visitar outras vezes a cidade, concluí que talvez as roupas tivessem essa cara de “mastigadas” porque encaram muito metrô e muita caminhada. Sem falar que vão do trabalho ao bar sem passar em casa antes e muitas vezes vestem sua dona sem receber dela o carinho de um ferro de passar. (Explico: como na Europa contar com a ajuda de empregados domésticos é um luxo, a gente começa a achar que passar roupa nem sempre é necessário).
Dez anos depois de ter voltado para casa com com essas impressões, leio no blog da Garance Doré, uma de minhas francesas favoritas, um comentário parecido, só que do lado avesso. Garance se mudou recentemente para Nova York e está impressionada com o visual “roupa nova” das nova-iorquinas. “Elas são perfeitas até as orelhas”, escreve. “Têm a pele sempre rosada, os cabelos impecáveis e roupas que, mesmo quando são vintage, parecem sempre novas.”

Garance senta na escada e prova que roupa é feita para usar
Achei divertida essa parceria de percepções e hoje ao ler este texto da Eliana Sanches (diretora de redação do Modaspot) fiquei feliz. As palavras dela alimentaram minhas suspeitas (e, principalmente, as minhas esperanças) de que talvez nós, brasileiras, estejamos nos tornando cada vez mais francesas e menos americanas (leia-se menos consumistas, mais desencanadas). Vai lá e depois me conta o que você pensa sobre tudo isso?
Tags: Eliana Sanches, elle, garance doré, Modaspot, Susana Barbosa
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22 de setembro de 2011, às 16:09
por Sandra Soares
Dimitri Tsykalov é russo, mas vive em Paris, onde faz parte do time da Galerie Rabouan Moussion. Sua série sobre armas feitas de carne me incomodou muito – e eu adoro quando alguma coisa me incomoda (quando essa coisa se propõe a ser arte, claro… Não gosto de incômodos do tipo pernilongo, buzinaço e ligações de telemarketing). Para mim, arte é o que cutuca a gente, nos sacode – para o bem ou para o mal.

Fiquei menos incomodada quando vi a foto com as balas feitas de alho porque sorri.
(isto é alho, né gente? minha cultura hortifrutigranjeira é pífia, confesso que fiquei em dúvida agora).

Mas isto eu tenho certeza que é uma melancia:

Dimitri Tsykalov me incomodou, mas também me fez sorrir. Merci!
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8 de setembro de 2011, às 10:09
por Sandra Soares

Depois de dar de cara por três dias seguidos com essa senhorinha vestida com a mesma roupa – e que roupa! – não resisti a roubar uma foto dela. Dessa tigresa só sei que mora no 9 arrondissement (é minha vizinha nas temporadas parisienses) e que, pelo jeito, veste sempre a mesma coisa. O figurino dela reúne 6 versões diferentes da estampa de onça (a dos tamancos, a da bolsa, a da calça, a do casaco e ainda a da blusa e a da echarpe, que não aparecem na foto). Numa das três vezes em que a vi levava pela coleira um cachorrinho – devidamente paramentado com um lenço de oncinha em volta do pescoço, claro. Tem mais: vocês repararam que na bolsa dela aparece grudada uma pelúcia de leão?
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6 de setembro de 2011, às 19:09
por Sandra Soares
No meio do caminho tinha uma ponte lotada de cadeados.

Escrever o próprio nome e o do ser amado em um cadeado, prende-lo em uma ponte e jogar a chave no rio que passa lá embaixo é uma mania antiga na Europa. Turistas adoram fazer isso. Os brasileiros Carol e Bruno fizeram (deles, conheço apenas o cadeado encontrado na Pont des Arts de Paris, mas com esses nomes o casal só pode ser brasileiro, não?).

A moda não é nova, mas em Paris até parece que é. É que durante muito tempo a prefeitura combateu os cadeados com decisões jurídicas, justificando a necessidade de preservação do patrimônio. Os apaixonados foram insistindo em amarrar-se (a fiscalização os desencorajava, mas conseguir se amarrar era um desafio romântico), até que um dia, em maio de 2010, as pontes apareceram totalmente livres dos cadeados de quem havia arriscado tomar uma bronca em francês para dar prova de amor. Mistérios. A prefeitura foi acusada de promover o recolhimento deles, mas negou que tivesse feito isso. E desde então eles foram voltando, voltando, voltando… E hoje, no meio do caminho, existe de novo uma ponte lotada de cadeados.

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9 de maio de 2011, às 13:05
por Sandra Soares
Que saudade destas Minas douradas! Tenho trabalhado tanto que ando com saudade até de mim mesma… Estou feliz por conseguir encontrar (enfim!) uns minutinhos para dividir com vocês uma boa descoberta das últimas semanas – o restaurante Sarrasin, na Vila Madalena, aqui em São Paulo. Restaurante, não. Galetterie. Para quem não sabe, uma galetterie serve galettes (eu confesso: não sabia até viajar para a Bretanha com o maridão!). Galettes são crepes feitos com trigo sarraceno. Trigo sarraceno é um trigo mais escuro do que o tradicional. Delicioso. Pena que não dá para mordiscar a foto abaixo (aliás, as fotos deste post foram clicadas pela linda Gabriella Araújo. Obrigada, amiga!)

O chef João Souza, responsável pelas delícias da Galetterie Sarrasin, me contou que foi preciso adaptar a receita para os padrões locais. A galette francesa leva manteiga e é por isso menos crocante. Atendendo a pedidos, a versão brasileira estala nos dentes. Já deu para entender que nesse endereço charmoso pedir funciona, né? Quem quiser experimentar o prato à maneira tradicional só precisa fazer isso: pedir. Eu já estou pedindo mais tempo só para poder voltar ao Sarrasin logo… E voltar aqui no Minas também… Quem sabe a gente não se vê por lá? Beijo!


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24 de março de 2011, às 17:03
por Sandra Soares
Vocês viram a nova camisa da seleção francesa de futebol?


Eu vi e amei (quem acompanha o blog sabe que sou fã das marinières – nome oficial da camiseta de listrinhas que é um clássico da moda francesa. Já falei sobre elas aqui, ó).
As fotos da campanha de divulgação do uniforme – que, atenção, será usado apenas em jogos internacionais – são do Karl Lagerfeld. Acho chic. Muito chic. Já pensou como o Yoann Gourcuff vai ficar liiiiindo listradinho?
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15 de março de 2011, às 17:03
por Sandra Soares
Tenho pensado muito em it-bolsas. Tudo começou quando editei o bate-papo entre as blogueiras Jana Rosa e Lala Rudge que está publicado na GLOSS deste mês. Lala disse que prefere investir muito dinheiro em uma bolsa incrível do que em várias bolsas não tão incríveis. Jana discordou: disse preferir 15 bolsas diferentes a uma só, grifada. Eu acho que mais importante do que ter uma ou quinze bolsas é o que você faz com elas. Styling é tudo! Esses tempos de styling fizeram o verbo fazer ganhar mais importância do que o ser e o ter.
E foi aí que eu vi o que a grife Jil Sander fez como it-bolsa. Nos braços das editoras de moda parisienses mais descoladas. Sim, cara leitora, o saco que você vê na imagem abaixo é uma it-bolsa. De acrílico. E que parece de supermercado. Vendida por US$ 135 no net-a-porter.com.

Adorei. E me lembrei de um livro do Tom Wolf, A Palavra Pintada, em que ele diz que para entender a arte contemporânea é preciso crer para ver – crer no conceito, no discurso artístico, para enxergar a arte escondida em coisas como vasos sanitários (sim, estamos falando da privada do Marcel Duchamp). Nesse sentido, a it-bolsa Jil Sander é pura arte, porque é conceito e discurso.
Dito isso, explico que a fotinho da capa de GLOSS inserida na imagem acima é só para fazer um merchandising. Peço licença e desculpas para quem não gosta de merchandising. Foi irresistível: a edição deste mês está muito boa, me encheu de orgulho. E, além do mais, GLOSS cabe na bolsa, né? Seja ela it ou não…
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24 de fevereiro de 2011, às 11:02
por Sandra Soares

Se você achou o moço aí de cima parecido com o Jamie Oliver (eu, particularmente, acho que eles têm expressividades-irmãs) saiba que Olivier Magny é justamente considerado um Jamie Oliver francês, com a diferença de que atua no mundo dos vinhos e não no da gastronomia. Além de sommelier feríssimo, Magny é também blogueiro dos bons, como dá para ver no winerendezvous.com e na página Stuff Parisians Like (Coisas de que os parisienses gostam), publicada no site o-chateau.com. A página acaba de virar livro. Dessine-Moi un Parisien (Me desenhe um parisiense) é um verdadeiro manual de instruções para o entendimento dos habitantes de Paris.

Sem medo de provocar, Magny escreve coisas como: “Há três tipos de homens em Paris – os gays que parecem gays, os heteros que parecem gays e os caras com mais de 50 anos”. Hilário. Delicioso. Vale a pena comprar, ler e guardar na estante, bem do ladinho do seu guia de viagem sobre a capital da França.
Tags: dessine-moi un parisien, olivier magny
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8 de fevereiro de 2011, às 11:02
por Sandra Soares


Bijouzinhas fofas da marca parisiense N2, à venda na descoladíssima concept store da marca no bairro do Marais. Está em Paris? Vá de bicicleta buscar a sua bicicletinha. Não está? Vá de mouse mesmo e e-shop.
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4 de fevereiro de 2011, às 16:02
por Sandra Soares
Marilyn Monroe tem dado as caras por Paris – o editor francês Bernard Comment organizou um livro com textos inéditos dela (o ótimo Fragments), o cineasta Gérald Hustache-Mathieu lançou um filme inspirado nela (Poupoupidou) e o fotógrafo Yury Toroptsov (que é russo, mas radicado em Paris) finalmente publicou as imagens de Marilyn and I, projeto que ele toca há anos. O livro reúne imagens de personalidades do cenário cultural ao lado de um antigo vestido de Marilyn que o fotógrafo comprou em um leilão. A ideia de Toroptsov é mostrar, através das imagens, como as pessoas se relacionam com o mito, cada qual à sua maneira. Numa entrevista ao programa Cinémas, do TV5Monde, alguém perguntou: por que Marilyn permanece tão imensa quase cinquenta anos depois da sua morte? Por que continua tão presente? Minha teoria é a de que todos nós nos sentimos um pouquinho responsáveis pela morte dela. Marilyn, uma das primeiras celebridades da era das imagens, foi fotografada, filmada, pintada, distribuída… e devorada. Por cada um de nós. Ela foi assassinada? Se matou? A meu ver, dá na mesma.

Frédéric Mitterrand, escritor e ministro da Cultura francês, Paris, 2007

Melissa Rae Mahon, coreógrafa, New York, 2010

Irene Stull, artista, Los Angeles, 2010
Tags: Fragments, Marilyn and I, Marilyn Monroe, Yuri Toroptsov
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2 de fevereiro de 2011, às 15:02
por Sandra Soares


Fofo, né? Eu também achei. Batizado Lou Mistraou, esse capuzinho estilo aviador foi criado para as moças que saem com os cabelos desgrenhados ao vento da Provence – região do sul da França famosa por suas paisagens românticas e pela ventania que sopra principalmente na primavera e no inverno. Disponível em várias cores (as flúor são tããão lindas) e materiais (flanela, couro…), ele promete proteger o penteado do frio, da chuva e do vento com muito estilo. Já pensou que ótimo poder usá-lo por aqui nesses dias de pé d’água? O problema são os preços do mimo: eles COMEÇAM em 225 euros. Dá dor de cabeça… e de bolso, né? Se mesmo assim você ficou com vontade de vestir a carapuça, clica aqui, ó.
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28 de janeiro de 2011, às 20:01
por Sandra Soares

Adivinha qual é o elemento mais francês da foto? Errou quem falou bicicleta. Acertou quem apostou no tapete – ele é criação dos franceses Ronan & Erwan Bouroullec. Lindo e fácil de carregar (por ser levinho), fica super bem também na foto do piquenique.
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18 de janeiro de 2011, às 20:01
por Sandra Soares
Stéphanie Zwicky é a prova viva de que nem todas as francesas são magras – e talvez a de que, sim, elas são unanimamente estilosas. Comediante e modelo de 33 anos, tamanho 50, ela é a criadora do blog www.leblogdebigbeauty.com, pelo qual desfila looks incríveis de seu guarda-roupa. Stéphanie faz questão de deixar claro que o blog não é sobre “moda para gordas” e sim, simplesmente, sobre moda. “Este endereço é para todo mundo que acredita que a moda não deva se resumir a um número entre 34 e 44″, esclarece. “Mas isso não quer dizer que eu tenha qualquer problema com a palavra gorda, que muitos consideram um insulto. Sou gorda, sim… E para mim essa palavra é um simples qualificativo. Eu apenas acho que a moda vai muito além de tamanhos!” D’accord, Stéphanie!

A maçã é só para fazer graça... Stéphanie não faz regime!
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1 de outubro de 2010, às 16:10
por Sandra Soares
Queridos leitores destas Minas de Ouro, estou de volta a esta página depois de dias totalmente dedicados ao pequeno Thomas – meu primeiro filho, recém-chegado a este mundo. Thomas chegou trazendo muuuuitas alegrias e, como bom francês, uma mala recheada de marinières: a tradicional camiseta listrada que a França adora (e eu também). A foto abaixo é uma pequena amostra de todas as t-shirts do gênero que ele ganhou de presente… Sempre de amigos franceses, claro!

A última, mimo comprado por um casal de tios, chegou pelas mãos da avó. Mamie (assim são chamadas as avós francesas) curiosamente trouxe de Paris também uma Elle com a seguinte chamada de capa: Faut-il jeter sa marinière? (Tradução: Devemos jogar fora nossa marinière?). A pergunta, apontada como polêmica pela revista, vem sendo debatida à exaustão pelos fashionistas franceses desde que as camisetas listradas viraram mania nas ruas de lá. Mania é pouco: elas estão por todos os lados a ponto de serem consideradas “já era”. Tudo culpa de Balmain, que no verão de 2009 lançou uma marinière com paetês nos ombros que acabou se tornando uma das peças mais copiadas de todos os tempos (eu mesma comprei uma cópia em Belleville, bairro de moda barata de Paris, como contei neste post). Conclusão do artigo da Elle: as marinières devem ser mantidas porque, assim como as skinnies, viraram um clássico. Hmmm… Eu pergunto: mas elas já não eram?!
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