quando fiz a foto abaixo, em dezembro do ano passado, estava morrendo de frio e de alegria. aliás, eu não cabia em mim (e nem na foto, como dá para ver) de felicidade gastronômica. o motivo: estar almoçando em meu restaurante preferido de paris, o le comptoir du relais, no quartier latin. o lugar havia sido indicado meses antes por um amigo parisiense, chef de cozinha, que me convenceu com a frase: “é lá que os chefs da região almoçam”. ambiente de café, jeitão de bistrô, com uma mini-fila eterna na porta e joue de boeuf no cardápio (uma carne ensopada deliciosa, mergulhada em um caldo com coquillettes, tradicional massa francesa que as crianças adoram… algo equivalente àquela usada na nossa sopa de letrinhas). pois então: o le comptoir é a minha primeira indicação à leitora gilda fernandes, que está em paris enquanto escrevo este post e me pede dicas de bons programas por lá.

outra dica gastronômica: o le relais de l’entrecôte, restô disponível em alguns endereços e onde há apenas um prato no menu. obviamente, o entrecôte, regado a molho de ervas (delicioso) e acompanhado de batatas fritas (deliciosas). sim, se você se lembrou do restaurante l’entrecôte de ma tante, que o olivier anquier tem em são paulo, entendeu tudo. a casa do anquier é claramente inspirada na de paris, um clássico.
passeio de moda e beleza imperdível: visitar o palais royal (pertinho do louvre) e espiar as deliciosas vitrines do didier ludot, um dos mais famosos brechós de paris. é brechó com b maiúsculo, onde dá para achar clássicos legítimos (quando estive por lá, havia uma seleção de ysl ótimos). problema: os precinhos não são nada empoeirados e ultrapassados. ficou sem ar? vá recuperar a respiração numa loja próxima, a do perfumista serge lutens. o lugar parece ter parado no tempo e tem um certo climão de joalheira. as vendedoras seguram cada frasco com a delicadeza e a reverência de quem tem em mãos uma preciosidade (não há como experimentá-los sem passar por elas). divertidíssimo. delicioso.
a esta hora você já deve estar com fome de novo então é o momento de tomar um berthillon, delicioso sorvete fabricado desde 1954 que no geral só se encontra em uma região da cidade, a ile de la cité. procure janelinhas pelas ruas (sim, o berthillon costuma ser vendido em janelinhas). se for verão, a fila vai tornar mais fácil achá-las.
para não dizer que não falei de arte: a galeria yvon lambert (que fica no marais, o lugar das galerias) é a pedida para quem gosta de arte contemporânea. vá para conhecer alguns dos melhores artistas franceses da atualidade.
para terminar, eu voltaria ao le comptoir. e começaria tudo de novo.