
Já assinou a petição pelo casamento civil igualitário? Não? Então, aproveita que hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia e faz o que é certo.
por Clarice Reichstul

Já assinou a petição pelo casamento civil igualitário? Não? Então, aproveita que hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia e faz o que é certo.
por Clarice Reichstul

Enquanto eu estava aqui, mandando email, fuçando no salon, no boing boing e no flavorwire, lendo uma lista de 10 poetisas feministas, vendo o povo ferver com as monguices da Soninha no twitter, os mais politizados falando sobre a comissão da verdade ou sobre o Serra fingir que não nomeou o tal do fulano dos 1001 imóveis e talz, escutei um monte de música, hum, meio antigas… Começou com o primeiro disco da Goldfrapp, que era tão lindo…Depois ficou diferente, mas esse disco podia ter sido produzido pelo Angelo Badalamenti, de tantos climões estranhos e incríveis que tem. Depois eu fui ouvir a trilha sonora do Sid e Nancy, o filme do Alex Cox sobre o Sid Vicious. Não vou entrar nos méritos do filme, ele foi odiado e mais ou menos amado no seu lançamento, eu particularmente gosto, apesar de achar a coisa toda bastante deprimente. Mas a trilha sonora do filme é bem boa, feita em grande parte pelo Joe Strummer. Aí, uma coisa puxa a outra, do Joe Strummer você cai para o Big Audio Dynamite (uma constante aqui em casa), depois o Malcom Mclaren para causar desconforto nos puristas, depois The Slits, cuja vocalista era enteada do John Lydon (!!!)… daí foi um pulinho para a Poly Styrene e os Buzzcocks… O curioso é ver nos videos como todos são tão jovens, falando para outros tantos jovens iguais a eles. E aqui estamos nós, ouvindo essas músicas até hoje.
por Clarice Reichstul
Melhor de todas as homenagens ao MCA até agora, dá até vontade de chorar no final, shuif!
por Clarice Reichstul
Você já foi numa parada arco-íris? Eu queria ir, olha que coisa divertida!

O Jay Z deu uma declaração escandalosamente lúcida em tempos de miopia parental. Sei lá, acho que essa Blue Ivy não vai ser a potencial filha de celebridades mimada que se espera dela, ufa!
Em semana de morte de um dos grandes gênios dos livros infantis, Maurice Sendak, de todas as coisas que eu vi, a mais legal é a que o Neil Gaiman desenterrou da New Yorker, uma conversa em quadrinhos do Sendak com o Spigelman, é demais!
Aliás, tem outra coisa incrível no blog do Neil Gaiman, que é a entrevista que ele fez com o Stephen King, para fãs e não-fãs, recomendo.
Ando apaixonada pela Rookie Magazine, da Tavi.A Marina Pontieri já tinha feito um post sobre o site, mas eu não me aguentei. A revista feita para adolescentes por essa turma de adolescentes é o sonho de consumo de cultura, que trata seus leitores com amor e principalmente inteligência, não é pautada pelas novidades da mídia tradicional e segue um caminho próprio, delicioso, de gente que está descobrindo coisas incríveis numa idade incrível, se eu fosse adolescente só iria ler a Rookie Magazine e se eu tivesse uma filha adolescente, eu discretamente deixaria a página da revista aberta no computador para que ela pudesse “descobrir” sozinha. Coisas imperdíveis que eu vi ontem por lá são as entrevistas do Daniel Clowes, do John Waters e uma resenha do Black Power Mixtape.
Aí uma coisa que me arrepiou o cabelo, é esse post sobre a avaaz, aquele site de ativismo em que as pessoas fazem abaixo-assinados, parece que a coisa toda cheira um pouco mal.
E amanhã tem Kraftwerk, eeeeeeeee! Eu vou, quem vai?
por Clarice Reichstul

Faltam apenas 2 dias para o projeto Pimp My Carroça arrecadar R$ 38.200,00 no catarse. Vamos ajudar o Mundano a “pimpar ” 50 carroças de catadores de papel paulistanos, melhorando sua segurança no trabalho e a sua arrecadação (as carroças “pimpadas” ganham mais, sabia?). Falta muito pouco e o projeto é muito legal, por não se propor a salvar o mundo, mas chamando a atenção a pessoas que são quase invisíveis em nossa cidade e fazem um trabalho que deveria ser olhado com mais carinho.
E para entender de onde surgiu a idéia do Mundano, veja aqui sua palestra no TEDx Ver-o-Peso:
por Clarice Reichstul

Nesse fim de semana que passou, rolou no Centro de Cultura Judaica o projeto Conexões, que junta músicos israelenses com brasileiros em encontros musicais que misturam as duas heranças culturais em shows. O projeto está em sua segunda edição e é filhote da mente fértil de Benjamim Taubkin que é o curador musical do centro.
Assisti duas apresentações, a primeira uma jam session entre todos os músicos participantes, que aconteceu na sexta feira, na Casa do Núcleo. Foi muito interessante ver todos esses músicos interagindo entre si, alguns mais, outros menos. Mas dentro da algazarra maravilhosa que rolou lá, tinha a junção de três figuras mágicas, suaves e discretas, os músicos Joatan Nascimento, Pedro Ito e Yonatan Avishai, respectivamente trumpetista, percussionista e pianista.
No domingo, fui ver justamente os três tocando no palco do centro e foi uma das coisas mais lindas que eu vi esse ano. A delicadeza, suavidade do que foi tocado é quase inexplicável para uma leiga no assunto como eu. Os três tocavam timbres tão suaves e macios, que quase pareciam não tocar, as mãos eram tão leves, que olhando você jurava que os dedos não tocavam as teclas do piano, que Joatan não soprava o trumpete e que a percussão não existia, mas a música estava ali, forte em toda a sua suavidade.
É meio que contraditório, mas a força todas estava mesmo nessa suavidade, parecia que esses caras estavam tocando sem fazer o menor esforço, como se estivessem apenas respirando. E a música nos transportava para lugares tão lindos, de sonho bom, como que num por-do-sol eterno, cálido, perfumado.
Muitas vezes quando vamos a shows de música, o que nos impressiona é a potência, a força desmedida do som, que enche o nosso peito e nos faz vibrar junto a cada acorde. Pelo menos é isso o que acontece comigo, quando esse som gordo, forte me pega eu me entrego, não dá para resistir, e a cabeça vai para o espaço, fica só o corpo sentindo. Dessa vez foi muito curioso, porque parecia um sonho, a cabeça foi para o espaço da mesma maneira, mas sem essa força bruta do som, sabe? Foi leve, quase que brincando.
Depois que eu fui entender, anta catatônica que sou, que eu estava ouvindo músicos fenomenais, aclamados por seus pares e tudo o mais. Bom, sei lá, nesse assunto eu sou só mais uma perua que foi acertada em pleno vôo por uma música maravilhosa.
Para vocês terem uma idéia do que foi, ou não, sei lá, dêem uma escutadinha em cada um deles em suas respectivas praias:
por Clarice Reichstul

Gente, mais um disco imperdível para baixar de grátis e direto do autor. É o Bahia Fantástica do Rodrigo Campos, daquela turminha boa: Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Mauricio Fleury, Marcelo Cabral, Thiago França, Mauricio Takara, esses meninos aí que vivem tocando música boa pra gente ouvir. Agora é a vez do segundo disco do Rodrigo Campos, que putz, é lindo demais. Mistura Curtis Mayfield, com Caymmi, que é o mais óbvio deu ouvir e identificar na primeira, delícia de ficar ouvindo. E ainda tem capa mais do que chique da Tatiana Blass. Baixa logo!
por Clarice Reichstul
Quem fica tanto tempo sem postar nada, acaba acumulando assunto. Eu tenho uma tonelada deles, mas empaco e acabrunho e acabo ficando com um monte de post semi-completos me esperando no rascunhódromo. Para dar fim a essa mesmice e lerdeza, vamos começar com o fantástico, maravilhoso e cafonamente bizarro video da Nicki Minaj. Sério, dá para não amar alguém que faz uma música horrenda dessas e um video que de tão feio fica meio…aditivo? Eu estou meio viciada, confesso. Acho que é essa dieta de porcarias que a gente passa o dia inteiro vendo no youtube, fato é que este é um daqueles que você fica pensando vinte mil coisas do tipo: oi? Nicki Minaj? Você tá precisando aprender a rebolar com as minas da Gaiola das Popozudas…ou Oi? Nicki Minaj? Que roupa de plástico é essa? Oi? Nicki Minaj? De onde saiu um video que tem nave espacial, indios maoris de chapéu coco vermelho, rave na praia e tudo isso no cenário do Lost? É o verdadeiro episódio final perdido da série? Oi? Nicki Minaj? Então, tô achando que você é a nova Jane Maynsfield… Oi? Nicky Minaj? E o pessoal dormindo nas pedras? Tão tirando uma sesta? Oi? Nicki Minaj? Como é que faz para andar de salto na areia, nas pedras da praia e no pasto sem afundar e/ou cair? É um mistério!
Aí, esses dias saiu um single novo do Guided By Voices, banda de uns velhos corocas que eu sou apaixonada desde que um dia, o meu primo Carlinhos me deu uma fitinha cassete ensebada dizendo: “Acho que você vai gostar, eles são hippies como você!” É acho que sou hippie mesmo, porque eu continuo gostando do GBV mesmo depois de todos esses anos, acho que isso faz uns 15 anos, sei lá. Só sei que é impossível não se apaixonar pelo Bob Pollard, um cara que antes de se tornar mais conhecido era professor escolar e usou a sua experiência como professor como fonte de inspiração para centenas de músicas, além dele ser um dos autores de música mais prolíficos da paróquia. Mas o mais incrível são os seus saltos altíssimos, de dar inveja ao Mick Jagger! Olha só nesse video do ano passado:
Aí, mudando completamente de pato a ganso, você já assinou o abaixo assinado do deputado Jean Wyllys pelo casamento igualitário? Se eu fosse você fazia o seu dever cívico e assinava, apesar do casamento homoafetivo ser garantido por lei no Brasil numa decisão histórica do ano passado, a realidade ainda é bem diferente e muita gente tem que recorrer a advogados e processos para obter algo que deveria ser direito básico de qualquer um. A lei proposta pelo Jean Wyllys simplifica o procedimento e facilitaria a vida de muita gente que não tem grana para pagar um advogado para fazer garantir o seu direito. Vai lá, mostra civilidade e gasta um tempinho assinando. Não dói.

E o Adriano Cintra e a Marina andam a todo vapor com o Madrid, que está demais, mas demais mesmo são as músicas do Ultrasom que ele regravou, são músicas antigonas, lindas, que ele gravou no piano, super linda. SantaAna é a minha favorita:
E por último, assim, se por um acaso do acaso você for a Mexico D.F. não deixe de beber tequila com toranja, a coisa mais fácil de se achar em qualquer boteco de qualquer esquina e a maior maravilha de todos os tempos. Depois escrevo mais sobre D.F., que é imperdível!

por Clarice Reichstul

Em um post anterior, escrevi como andava completamente viciada em audiolivros. Continuo com o meu vício, escuto de clássicos da literatura a tranqueiras inofensivas e cada vez mais me pergunto por que diabos as editoras brasileiras não investem nesse filão.
Lá eu escrevi baseada na minha experiência, que é a de comprar e baixar audiolivros da audible.com, divisão da amazon dedicada ao assunto. Não sei se é óbvio, mas escuto os livros em inglês. Uma pessoa perguntou se existiam títulos em português e eu não soube responder.
Hoje, fui finalmente pesquisar, motivada por uma coisa besta, eu confesso, que é o novo lançamento da audible, uma linha de audiolivros clássicos lidos por grandes atores de Hollywood. Então tem a Kate Winslet lendo Thérèse Raquin, a Anne Hathaway lendo o Mágico de Oz entre os lançados, mas eu fiquei mesmo animada com os próximos: The End of the Affair do Graham Greene narrado pelo Colin Firth, The Sheltering Sky do Paul Bowles narrado pela Jennifer Connelly e o Mrs. Dalloway da Virginia Woolf narrado pela Annette Bening. Bom, eu fui pensando que livros brasileiros eu queria ouvir narrados por quais vozes e fui fazendo a minha lista imaginária. Até perguntei para a minha vizinha qual ela ia amar ouvir e tal. Mas daí percebi que eu não tinha idéia se algum dos livros que a gente pensou já tinham sido transformados eu audiolivro. A minha primeira busca foi bem decepcionante. Por que?
Porque são poucos os títulos, não dá para saber se os livros são adaptados para a versão em audio ou não, na grande maioria não sabemos quem são os narradores e nas pequenas amostras em alguns sites, ai, tinha sempre uma trilha meio nada a ver, alguns narradores eram péssimos (não são todos, como tudo na vida). A Ediouro tem um braço dedicado ao assunto, a Plugme, cuja oferta de audiolivros é marromenas. Tem o livro do Tim Maia, lido pelo próprio Nelson Motta (que faz uma imitação hilária do cantor), que acho que é a coisa mais legal da editora. Tem também o José Mayer lendo a biografia do Paulo Coelho, a Maité Proença lendo seu próprio livro e mais alguns gatos pingados entre livros de auto-ajuda e a obra completa do Gabriel Chalita. Nessa pegada, fiquei pensando em quais livros brasileiros eu gostaria de ouvir e com quais narradores. A minha lista é meio incompleta e besta, por isso aceito sugestões de livros e narradores. Vai que a gente dá sorte e algum editor leia esse post e resolva investir no assunto?
(A lista vem no próximo post, isso aqui tá muito comprido!)
por Clarice Reichstul

A essa altura do campeonato, todo mundo já tem o seu login no Pinterest. Se você não tem é pior que eu, que sou uma anta catatônica no quesito “modas de comunidades da internet” – aguento o Facebook, não suporto o Twitter (é, vergonha, mas fazer o quê, eu não consigo 140 caracteres, me dá nos nervos), recentemente me rendi ao Instagram, mas passado o primeiro fim de semana, tô achando que ele não vai me pegar.
Mas o pinterest me pegou em cheio. Talvez pela minha mania de colecionar, talvez pela facilidade ri-dí-cu-la do site, enfim, ele representa tudo o que em tese é incrível da internet (pelo menos para mim) por enquanto: informação que passa por um crivo de pessoa física, possiblidade de eu mesma escolher quais são os filtros de informação e dá para criar coleções maravilhosas de imagens para si próprio.
Bom, eu tinha escrito esses dois parágrafos no fim de semana, plena do meu amor-vício pelo pinterest. Uma amiga minha, já tinha me dito que os termos de uso do site eram absurdos, mas como uma boa drogada, eu fingi que não era comigo. Hoje, depois de descobrir uma usuária com uns boards incríveis, me deparei com o seguinte texto entre os seus pins: Dear Pinterest, please change your terms or I’m leaving.
Aí eu lembrei o que a Bia me disse sobre os termos de uso tenebrosos de minha rede social predileta e fui atrás, e quase me arrependi. Uma advogada e fotógrafa usuária do Pinterest, também tendo ouvido sobre os termos de uso um pouco escusos do site, resolveu lê-los com cuidado (coisa que nem ela, nem eu nem quase ninguém fez) e ficou über assustada: neles, a empresa dona do site se exime de qualquer responsabilidade caso haja algum tipo de processo de copyrights em relação às imagens postadas em seu site.O termo de uso abre precedentes para que o site também te processe, quando no mundo real, ele seria processado junto com você, entende? Aliás, ao aceitar os termos de serviço, você jovem pinterestador, alega que ou bem é detentor dos direitos autorais daquela imagem ou tem a autorização dos detentores para postá-la no pinterest.
Bom, já aí cai toda a graça de ficar colecionando imagens no site, porque o bom é que é fácil, divertido. A partir do momento em que você tem que ter a autorização de todas as fontes, não é bem assim, né? O que era diversão, vira trabalho, o extremo oposto da proposta do site. E nessa também cai toda a lógica do pinterest, pois se você pode “re-pinar” uma imagem de outro usuário, a fonte original vai ficando cada vez mais distante, cada vez mais passível da não-identificação.
Mas, porém, contudo, todavia, esse não é o único ponto polêmico do pinterest, tem uma outra questão que pega fundo também. Na hora em que você adiciona uma imagem lá, você -que aceitou os termos das condições de uso, portanto é o detentor dos direitos de uso da tal imagem ou pelo menos tem a autorização – está passando todos os direitos sobre ela para o site para sempre. Se você for um advogado, você vai me dizer: “Bom, eles precisam da sua autorização de uso da sua imagem para que a lógica do site funcione, para que otras pessoas colem suas imagens em seus próprios boards e etc…”. O problema é que nessa autorização de uso da imagem, você também dá ao site o direito deles venderem ou fazerem o que quiser com a sua imagem. Não é uma coisa que seria resolvida caso a caso, você já autoriza tudo isso ao se cadastrar no site e aceitar os seus termos de uso.
Acho que a maioria das pessoas não lê os termos de uso e serviços da maioria dos sites e comunidades que se cadastra, eu me incluo nessa maioria. Tá na hora da gente começar a ler, porque as empresas estão se protegendo nessa nova situação de direitos autorais que vai se desenhando no mundo e deixando o abacaxi para você. Vira quase um pacto com o diabo.
por Clarice Reichstul
“Fresh Guacamole”, curtinha novo do incrível PES!
por Clarice Reichstul

Vou viajar com o meu marido por um semana durante a semana santa. É nossa primeira viagem sem o Benjamim, que já tem 4 anos. Na semana passada, organizei com a minha mãe como seria essa semana: quem leva na escola, em que casa ele dorme, se ele viaja ou não no feriado e etc… Essa parte da organização foi simples, afinal, são duas adultas conversando e combinando coisas relativamente mundanas.
Passado um dia, minha mãe me contou que falou para o Benjamim que eles iriam para a Bahia e tal, antes de eu ter contado para ele que iríamos viajar sem ele. Enfim, ela percebeu na hora, tirou o assunto da pauta e a vida continuou. Mas eu percebi que contar para o Benja que iremos viajar sozinhos está sendo mais difícil do que eu imaginava.
Eu ainda não consegui dizer com todas as letras que iremos viajar nós dois, pais – sem ele. Já falei que ele vai para a Bahia com a avó, que vão fazer uma mega farra na praia, que vai trazer farinha de mandioca para a gente mas não consigo dizer que o papai e a mamãe irão passar uma semana juntos e bem longe.
Qualquer manual básico de maternidade ou paternidade diria que é bom os pais irem preparando a criança para esse tipo de situação, conversar sobre isso e tal, e que mesmo assim não necessariamente tudo vai correr tudo às mil maravilhas, mas que é assim mesmo, que é importante para a criança aprender a ficar longe dos pais com segurança e tals. Em tese, concordo com tudo isso, também sei que vai dar tudo certo, que o Benjamim vai se divertir e sentir saudades tudo junto, mais ou menos como a vida é, né? Ele já viajou só com o pai, já passou uma semana em Belo Horizonte com os avós, sem a mãe e foi tudo bem, mas eu percebi que para mim não está tudo o.k.
Eu bem que queria que fosse tudo bem, eu entendo que essas separações são importantes para a autonomia do meu filho e tudo o mais. Mas me dói. Dói saber que ele está crescendo, dói saber que estar longe é importante também, dói me afastar do papel de mãe por um período. Qualquer argumentação baseada na lógica destruiria os meus motivos, ora, que bobajada é essa?, mas percebo que talvez esse contar que iremos viajar doa mais em mim do que nele.
E se em tese dói em mim, eu imagino que instintivamente eu acredite que vá doer nele também. O que não é bem verdade, mas creio que o meu inconsciente gostaria muito que fosse. Talvez, olhando mais de perto, o meu medo seja justamente o contrário: e se ele achar tudo normal e legal e tudo bem? Acho que eu iria morrer.
Vamos usar esse mês para ir preparando o terreno…
E você? Já foi viajar sem o seu pequeno ou pequena? Como foi? Foi mais drama para você ou para a criança?
por Clarice Reichstul

Saiu hoje o link para baixar o disco novo de Thiago França, o Etiópia. Para quem não conhece, o Thiago é (entre outras coisas) saxofonista da banda do Criolo, participante de múltiplos projetos com Rômulo Fróes, Marcelo Cabral, Juçara Marçal, Kiko Dinucci e mais uma cambada de gente. Baixa lá pra sair dançando nessa sexta feira ensolarada.
por Clarice Reichstul


Olha que demais o teaser do próximo curta do Guilherme Marcondes! Fiquei morrendo de vontade de ver. O Gui foi responsável opr um dos curtas mais bonitos de animação que eu já vi, o Tyger. Ele é mestre em compor diferentes tipos de animação num mesmo filme, nunca fica satisfeito com uma coisa só. Já faz algum tempo que ele não fazia novamente algo autoral, afinal vive enfurnado no mundo publicitário. Mas sempre vale a pena esperar!

O teaser dá um gostinho de quero mais (quase um a redundância, mas enfim…), pra quem também ficou, recomendo um passeio pelo site do Guilherme, que é recheado de filmes legais!
por Clarice Reichstul

Lá atrás, quando a internet era movida a lenha, tinha um site que eu amava chamado memepool. Ele não tinha nenhuma imagem, nada, era um blog talvez, não sei direito, mas cada post era uma frase, cheia de hyperlinks, que você ia clicando e encontrando coisas fenomenais. Às vezes o texto era completamente absurdo, às vezes era direto ao ponto. A questão é que ele não deveria explicar muito, você tinha que clicar nos hyperlinks para sacar o que estava rolando, quase que como uma charada. Se a gente para pra pensar, quase tudo o que se escreve na internet acaba resvalando nisso, não intencionalmente como no caso do memepool. Talvez porque grande parte das pessoas que escrevem (e eu me incluo nessa) não são jornalistas nem sentem a necessidade de passar o serviço todo quando falam de uma coisa legal. Vai ver, o memepool deu origem ao twitter, o que faria um certo sentido, não sei.
Só sei que o site parou de funcionar em 2008, uma pena, era uma fonte inesgotável de coisas malucas e engraçadas, como o próprio nome dizia. Pensando nisso ontem durante a minha caminhada, me dei conta que talvez a internet era mais interessante em 2005. Explico: lá atrás, os blogs não eram assim tão difundidos como hoje, ou, mais claramente, entendia-se que o blog era uma coisa pessoal, um diário online, então eles não dominavam o formato da leitura de informação que líamos. Também não tinha facebook nem tweeter, a nossa tendência de coletores e agregadores de informação ainda estava relativamente dormente.
Hoje, se você reparar na maioria das fontes das coisas que lemos, assistimos ou olhamos são agregadores de informação, não necessariamente criadores de conteúdo. O minas de ouro se inclui nisso. Aliás, o que eu estou escrevendo aqui é um monte de obviedades para quem se interessa pelo assunto, mas não consegui resistir ao impulso de escrever. Talvez pela dolorida constatação de que se eu, que não sou nem estudiosa nem especialista no assunto, já consigo perceber isso, será que estamos indo para o buraco? Será que estamos fadados a navegar num mar de lixo e loops de informação, que são repetidos e compartilhados milhões de vezes, que fica muito difícil de separar o joio do trigo?
O google é um ótimo exemplo disso. Há tempos tenho a sensação de que a pesquisa foi ficando mais pobre, mais irrelevante. Os primeiros links (fora os patrocinados) são sempre da wikipedia ou do imdb (no caso de cinema) ou de algum site genérico, é cada vez mais difícil de encontrar algum resultado com um pouco mais de qualidade. E aposto que um monte de gente já escreveu e escreve sobre isso, mas como a pesquisa anda tão pobre, nem as críticas a gente consegue encontrar direito.
Credo, esse post foi ficando cada vez menos integrado e muito mais apocalíptico. Na hora em que eu tinha começado, a algumas semanas atrás, eu estava afim de fazer uma graça, imitar o esquema de posts do memepool e tal, enfim, era para ser uma coisa fofa, inocente e saudosa e foi ficando assim meio deprimida… Não dá para fazer isso agora, quebrei o clima total… Quem sabe depois eu me animo.
P.S.: acabei de ler um texto que saiu no Link do dia 19 de Fevereiro que dá forma clara e elucidativa a esse meu mal-estar abobado e atabalhoado, vale muito a pena ler, é a segunda morte do flâneur, de Evgeny Morozov.