
Lá atrás, quando a internet era movida a lenha, tinha um site que eu amava chamado memepool. Ele não tinha nenhuma imagem, nada, era um blog talvez, não sei direito, mas cada post era uma frase, cheia de hyperlinks, que você ia clicando e encontrando coisas fenomenais. Às vezes o texto era completamente absurdo, às vezes era direto ao ponto. A questão é que ele não deveria explicar muito, você tinha que clicar nos hyperlinks para sacar o que estava rolando, quase que como uma charada. Se a gente para pra pensar, quase tudo o que se escreve na internet acaba resvalando nisso, não intencionalmente como no caso do memepool. Talvez porque grande parte das pessoas que escrevem (e eu me incluo nessa) não são jornalistas nem sentem a necessidade de passar o serviço todo quando falam de uma coisa legal. Vai ver, o memepool deu origem ao twitter, o que faria um certo sentido, não sei.
Só sei que o site parou de funcionar em 2008, uma pena, era uma fonte inesgotável de coisas malucas e engraçadas, como o próprio nome dizia. Pensando nisso ontem durante a minha caminhada, me dei conta que talvez a internet era mais interessante em 2005. Explico: lá atrás, os blogs não eram assim tão difundidos como hoje, ou, mais claramente, entendia-se que o blog era uma coisa pessoal, um diário online, então eles não dominavam o formato da leitura de informação que líamos. Também não tinha facebook nem tweeter, a nossa tendência de coletores e agregadores de informação ainda estava relativamente dormente.
Hoje, se você reparar na maioria das fontes das coisas que lemos, assistimos ou olhamos são agregadores de informação, não necessariamente criadores de conteúdo. O minas de ouro se inclui nisso. Aliás, o que eu estou escrevendo aqui é um monte de obviedades para quem se interessa pelo assunto, mas não consegui resistir ao impulso de escrever. Talvez pela dolorida constatação de que se eu, que não sou nem estudiosa nem especialista no assunto, já consigo perceber isso, será que estamos indo para o buraco? Será que estamos fadados a navegar num mar de lixo e loops de informação, que são repetidos e compartilhados milhões de vezes, que fica muito difícil de separar o joio do trigo?
O google é um ótimo exemplo disso. Há tempos tenho a sensação de que a pesquisa foi ficando mais pobre, mais irrelevante. Os primeiros links (fora os patrocinados) são sempre da wikipedia ou do imdb (no caso de cinema) ou de algum site genérico, é cada vez mais difícil de encontrar algum resultado com um pouco mais de qualidade. E aposto que um monte de gente já escreveu e escreve sobre isso, mas como a pesquisa anda tão pobre, nem as críticas a gente consegue encontrar direito.
Credo, esse post foi ficando cada vez menos integrado e muito mais apocalíptico. Na hora em que eu tinha começado, a algumas semanas atrás, eu estava afim de fazer uma graça, imitar o esquema de posts do memepool e tal, enfim, era para ser uma coisa fofa, inocente e saudosa e foi ficando assim meio deprimida… Não dá para fazer isso agora, quebrei o clima total… Quem sabe depois eu me animo.
P.S.: acabei de ler um texto que saiu no Link do dia 19 de Fevereiro que dá forma clara e elucidativa a esse meu mal-estar abobado e atabalhoado, vale muito a pena ler, é a segunda morte do flâneur, de Evgeny Morozov.