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Marina Pontieri

5 de abril de 2012, às 15:04

FELIZ PÁSCOA!!!!


por Marina Pontieri

Gente querida leitora do Minas de Ouro. Tenho trabalhado insanamente e tido pouquíssimo tempo de postar aqui. MAS a páscoa é um dos meus feriados favoritos ( apesar de que, depois que dobrei a curva dos 25 nunca mais pude me entupir a vontade de ovos e bombons) e eu não podia deixar de dedicar um post especial à esta data.

Pra mim, o mais legal de tudo na páscoa é esse imaginário maluco do coelho que bota ovos (!!!) e os deixa escondidos. Lembro de ser beeem pequena e não dormir na véspera da páscoa, de ansiedade de acordar de manhã, com patinhas de coelho e ovinhos escondidos pela casa toda ( sim, minha mãe era dessas, pra minha sorte).

Para as mamães em casa, eu sei que é trabalhoso, mas é uma lembrança para a vida!

Mas, rememorações à parte e em homenagem ao coelhinho, deixo para vocês três coelhos de presente:

UM COELHO VIAJANTE

Conejo de Viaje foi um livrinho que me encantou, na última vez que passei férias em Buenos Aires. Pequenino, singelo e lindo de morrer, o livro conta as aventuras auto biográficas e viagens de seu autor, o aclamado cartunista portenho Liniers , autor dos famosos Macanudos – que se auto retrata como um simpático coelhinho com enormes orelhas.

Além das historietas envolvendo o autor, tem imagens lindas de paisagens que ele retratou, que me mostraram um traço diferente daquele que o artista usa nos quadrinhos. Bem lindo mesmo.

Infelizmente, o livro não foi publicado no Brasil, como a maioria da obra do Liniers, mas fica a dica, para o dia em que você pegar aquela promoção de passagem para Buenos Aires baratinha. A cidade tem livrarias incríveis e você fica com uma desculpa para visitá-las.

UM SENHOR COELHO

O coelho acima é uma das obras do coletivo de artes plásticas austríaco GELITIN , tem 50 metros, é rosa, pode ser visto pelos satélites do google earth, se você procurar na região de Artesina ( juro que não é piada!) Itália e pra falar a verdade me lembra um pouco o coelho macanudo do Liniers.

O coelho foi todo tricotado a mão e demorou 5 anos para ficar pronto. Está exposto ( adoro o uso desta palavra aqui, porque ele de fato está exposto a todos os elementos!) desde 2005 e a idéia é ficar até 2025.

O trabalho do coletivo é bem interessante e vale a pena dar uma olhada no site, em tudo o que eles desenvolveram. Mas como hoje o post é coelhístico, tem algumas coisas nesta obra que eu amo: A primeira é o fato de que foram diversas pessoas tricotando juntas e juntando tricôs para compor esse monstrinho, num processo colaborativo: ou seja, esta imensa forma rosa é o registro físico de um processo humano intenso.

A outra coisa que me agrada bastante é pensar que esta forma está exposta a todo tipo de intervenção humana e natural: assim como ela guarda marcas do processo que a criou, guardará as do processo que por fim deve destruí-la.

Como todos nós, aliás.

Pensando no sentido católico da páscoa (ressureição e tal), este aqui teve bem a ver, não?

E por fim,

O COELHO DA MINHA VIDA

Mães e pais pascoalinos, esta dica é tão importante quanto a dos ovinhos escondidos: Crianças pre-ci-sam ler (ou ouvir) A longa Jornada, ou Watership down.

Eu iria mais longe e diria que todo mundo deveria ler e que se você não leu, não teve infância, mas que ainda dá tempo!!! É um livro bem grande e dá para ler um capítulo por dia para seu pequeno ou dá para devorar numa sentada longa.

A longa jornada conta a história do coelho Aveleira e de mais alguns comparsas que graças a uma visão aterradora do coelho sensitivo Cinco Folhas, resolvem abandonar sua coelheira natal em busca de um novo lar.

O que você não sabe é que coelhos são medrosos, meio burrinhos, gostam de rotina e nunca, NUNCA abandonam a coelheira onde nasceram. Daí, acompanhar as aventuras do grupo de coelhos e submergir na deliciosa psiquê coelha, imaginada com maestria por Richard Adams é uma aventura deliciosa. A cerejinha do sundae são as lendas contadas em roda pelos coelhos, de seu herói El-ahrairah, um coelho truqueiro e espertalhão, que graças à lábia e presença de espírito escapa de várias situações complicadíssimas (para um coelho, claro).

Posso dizer que este foi um dos livros que formou o meu caráter e recomendo com todas as forças para todas as pessoas com imaginação.

A edição brasileira está esgotada, mas você acha na Estante virtual – a partir de R$ 3,00!

É isso.

Feliz páscoa!

Marina Pontieri

22 de março de 2012, às 19:03

EU TE DEDICO


por Marina Pontieri

O Eu te dedico é uma daquela coisas que agente vê e pensa: por que é que eu não pensei nisso antes?!

Neste caso, especialmente, o projeto tem tudo a ver comigo. Pra mim, livros são uma das coisas mais sagradas, mágicas e incríveis. Afinal, um livro, de meros 200 ou 300 gramas, pode conter tudo.

Num livro, o tempo se expande e se transforma e em poucas horas você pode viver anos, envelhecer, amar loucamente, sofrer e principalmente, você aprende.

Ler é ter o mundo inteeeiro ao alcance do olho.

Por isso, o projeto do tumblr Eu te dedico, que reúne imagens das primeiras páginas e dedicatórias em livros que são voluntáriamente doadas por seus donos, mexeu tanto comigo.

Porque além de serem micro histórias contadas no início de cada narrativa, ilustram o momento em que uma pessoa decidiu que iria presentear a outra com um universo inteiro.

Poucos presentes são tão significativos quanto um livro, porque ele é experiência pura. Através deste volume, eu te passo um pedacinho da minha vida, para você reinterpretar. Não é lindo?

Fora que tem umas dedicatórias lindas de morrer, não só no conteúdo, mas na forma, como o bordado abaixo, no Grande sertão Veredas. A forma completa o conteúdo e tem tudo a ver com o livro. Aposto que o Guimarães aprovaria.

E eu, que agora estou grávida e emotiva, fiquei viajando nas dedicatórias, pensando que deveria dar um livro para cada pessoa que eu amo.

E que eu espero de todo o coração, que o Valente (o neném na minha barriga) goste de ler o tanto que eu gosto, porque o melhor presente que ele pode ganhar é a possibilidade de viver quantas vidas quiser, quando quiser.

Faço minhas as palavras da Sula!

Marina Pontieri

13 de março de 2012, às 10:03

NÃO HAVERÁ AMANHÃ, O FUTURO É MAD MAX


por Marina Pontieri

Este é o nome de uma música da banda na qual eu toquei baixo por dez anos, a Biônica. A banda já acabou, mas essa música volta e meia me vem à cabeça e certamente me acompanhou nas últimas duas semanas, na minha viagem anual de trabalho à China ( o que também explica o desaparecimento da TEX neste período – trampo, trampo e trampo).

Já é o terceiro ano que eu vou para lá e sempre que eu volto me perguntam se eu vi templos e lagos e coisas incríveis e culturais de um povo tão antigo e sábio. A verdade é que eu nunca vejo essa China idílica e na China industrial, bom… o presente é MAD MAX.

A verdade é que a China, com uma população de 1,34 bilhões de pessoas e totalmente voltada a ser o celeiro de produção do mundo é um lugar que te faz pensar o tempo todo em tudo o que estamos fazendo de errado. E eu nem estou falando de coisas como mão de obra escrava e infantil, porque, pelo menos, as industrias com as quais trabalho são estritamente dentro da lei, que proíbe e inibe este tipo de coisa ( lógico que tem um monte de empresas que não se preocupam com isso e para toda a demanda existe oferta…).

A verdade é que ouvindo os chineses comentarem você descobre que agora que o país está ficando rico, tem a maior classe média do mundo, um operário ganha melhor do que um universitário. De novo, a lei que rege a China ( o mundo?) é a da oferta e demanda. E tem universitário dando em penca. Aliás, tem gente dando em penca, para todos os gostos, mas cada vez menos gente disposta a trabalhar nas fábricas. E essa é só mais uma das inversões bizarras chinesas.

Não sou nem pretendo ser nenhuma especialista, mas estritamente do ponto de vista de observadora ocasional da situação, me impressiona o que é tanta gente junta, tanta industria junta, num país que trocou a tradição pela produção e que, a julgar pelo discurso de quem trabalha com isso, tem muto mais orgulho dos arranha céus estilo berrini ao cubo do que dos templos ou da cultura tradicional.

Essa acima é a cidadezinha de Jiangyin, uma cidade industrial considerada pequena, com apenas 1,2 milhões de habitantes (!!!). Grandes centros financeiros como Shanghai tem prédios modernérrimos e grandiloquentes, mas as cidades de indústria em geral tem essa cara mal acabada e mais pobrinha.

Viajando pelo interior, duas imagens saltam aos olhos: a quantidade de construções ( que provocou uma escassez  de guindastes no mundo há dois anos atrás!) e a sequencia de condomínios de prédios que ligam uma cidade à outra e fazem o papel de campo (!). Esquece os big condomínios da zona leste de São Paulo, a China deixa isso no chinelo: são condomínio de cinquenta prédios gigantescos, totalmente iguais e eles se sucedem aos montes, alternadamente às construções de mais destes condomínios.

E você provavelmente reparou no céu cinza e no FOG que acompanha essas fotos. Tudo bem, era inverno, mas no verão é igualzinho. A poluição chinesa é uma coisa assustadora.

A gente se acostuma e ler sobre isso e achar que é lá longe, mas de dentro dá pra ter a dimensão real do monstro que estamos criando. Não é um problema local e não é isolado. Voltei desta vez com pouquíssima coisa na mala e decidida a tentar consumir cada vez menos, com mais qualidade e sustentabilidade.

Afinal, o futuro é agora.

Marina Pontieri

23 de fevereiro de 2012, às 15:02

DE VER POR DENTRO


por Marina Pontieri

Sabe como eu sempre falo que acho que no final tudo (tudo mesmo) é texto?

Pois é, esta foi a primeira coisa que pensei quando conheci o trabalho do fotógrafo americano Theron Humphrey.

Assim, solto, descontextualizado, o trabalho fica parecendo apenas um apanhado de fotografias interessantes, algumas que você mesmo poderia ter tirado numa tarde de tédio em casa, caso tenha um olho bem bom pra isso.

Mas daí, você vai ler sobre o projeto THIS WILD IDEA e descobre uma caixinha de narrativas visuais, que juntas compõe uma memória coletiva.

O projeto nasceu da vontade de Theron de usar a fotografia para se conectar com as pessoas  - qualquer semelhança com o trabalho de Lilly McElroy não é mera coincidência: ambos são jovens, americanos, vivendo numa sociedade que compartimentou as esferas sociais e fragmentou as vivências de grupo em prol do desenvolvimento do indivíduo.

Mas, enquanto Lilly escolhe como foco o espaço público, Theron Humphrey se concentra na escala do privado: a idéia é durante 365 dias conhecer 365 novas pessoas e fotografar seus ambientes e entornos pessoais. O projeto está atualmente  (dia 23/02) no dia 207 e a rota do fotógrafo é definida pelas pessoas que se cadastram no site e pedem para serem fotografadas.

Cada pessoa, segundo ele, é uma história. História esta contada através de mais ou menos dez fotos e um textinho bem conciso. O mais legal é ver como dentro de uma mesma cultura ( uma aliás, que normalmente é enxergada como tão massificada e massificante) as narrativas são díspares e caleidoscópicas.

E também é incrível perceber como as coisas se repetem: como a gente decora a casa com as nossas lembranças; como veste as paredes de cor, de quadros, de texturas. Como a casa é o receptáculo da alma. E como a alma se apega às memórias na construção da identidade ( que o diga esse bichinho de pelúcia abaixo, que mais parece um esfregão, mas só de olhar você sabe que tipo de criança foi a moça a quem ele pertence !)

Assim soltas, as imagens – como um texto sem sintaxe – fazem sentido apenas em si, mas vale muito a pena gastar uns minutos passeando pelo olho mágico que Theron nos oferece para dentro da vida das pessoas.

Dá pra escolher os que você acha mais interessantes ( tem uns tipos muito tipos, uns muito esquisitos, uns muito esteriótipo do americano médio – e tem uns gatinhos!)  E aí você entende na hora a história contada – o texto final, eu acho, nem era necessário.

E a cerejinha do sundae do projeto é o mega bem humorado projeto paralelo Maddie the coonhound no qual o artista aproveita a vigem para  fotografar sua cadela Maddie sobre a mais variada espécie de superfícies.

Sei lá se é photoshop ( para o bem da Maddie, seria bom que fosse), mas que esse é o detalhe que faz a gente querer ser amiga do Theron, porque ele é um fofo, isso é!

Tá morando na gringa? Ainda faltam mais de 100 histórias, quem sabe você não é uma delas? É só se inscrever aqui.

E boa viagem!

Marina Pontieri

15 de fevereiro de 2012, às 10:02

QUADRINHOS DO APOCALIPSE. NOW.


por Marina Pontieri

Você anda preocupado com as teorias que dizem que o mundo vai acabar em 2012?  Pagou esses dias aquela promessa pra Santa Rita de Cássia que fez em 95, just in case? Tá preparado pra se acabar como nunca no carnaval?

Xii, meu bem, isso é tão ontem! O mundo já acabou, você é que não percebeu!

E não sou eu quem está dizendo não!

Li há um tempo o livro “As estratégias fatais” do Baudrillard (um dos livros mais difíceis que eu já li e mais interessantes também – leia se você estiver realmente com tempo e disposição!)  no qual ele diz que  a gente vive num mundo encenado, pós apocalíptico. Ou seja, baubau, acabou mesmo, já era e pronto.

Mas, se você não está com saco para teoria pesada, eu indico MUITO o genial cartunista André Dahmer; que através de um humor, mais negro do que a asa da graúna ( Atenção! A referência ao Henfil aqui é intencional e super pertinente!) coloca em prática, tudo o que o Baudrillard discute na teoria.

Não tenho ideia se o Dahmer gosta ou já leu o cara, mas que o seu trabalho e principalmente a série “Quadrinhos dos anos 10″‘ que ele tem publicado diariamente em seu site, discute justamente em que mundo estamos vivendo hoje, de uma perspectiva incrivelmente cínica e desesperançosa. E é quadrinho de humor. Sinal dos tempos.

O primeiro livro que eu li do Dahmer foi “A cabeça é a ilha” e imediatamente me apaixonei. E também deprimi um pouco, tenho que confessar. Tipo leitura que tem que ser homeopática, manja?

Mas acho fenomenal que tenha alguém usando o humor de maneira ácida, crítica e extremamente inteligente, quando a maior discussão sobre humor no Brasil ultimamente é se o Rafinha Basto pode fazer piada com neném ou não ( Diz aí, não é mesmo o fim do mundo?).

Há quem torça o nariz para o traço do Dahmer ( tosquera style); mas eu acho que não tem nada mais pertinente, quando o texto é tão fundamental e quando a estética que se busca é a da destruição plena ( de tabus, de dogmas, de preconceitos e da realidade). Pra mim se insere na tradição, além da Graúna, das Cobras e eu AMO.

Daí que o mais espantoso é descobrir que apesar disso tudo, o André é um carioca muito sangue bom, simpático, falador e sempre animado!  E não o filósofo depressivo que eu achei que ele fosse antes de conhecer.

E também, acho que ele não deve achar o mundo tão terrível assim, já que acabou de colocar mais uma habitante sobre a terra!

Ou pelo menos, que acredita que se possa mudar –  e apontar o que precisa ser mudado é tarefa à qual se dedica diariamente.

Quebra tudo Dahmer!

Marina Pontieri

9 de fevereiro de 2012, às 14:02

EU ME ATIRO EM CARAS NO BAR


por Marina Pontieri

Não, este não será um post confessional dos meus anos dourados de faculdade, quando eu era solteira e… Bom deixa pra lá, né?

Pelo contrário, este é um post que fala um pouco sobre solidão, constrangimento e a dificuldade cada vez maior de estabelecer conexões com as pessoas – mas com muito bom humor!

Difícil? Pois é exatamente isso o que faz a artista plástica Lilly McElroy, em seu trabalho e mais especificamente na série (genial) de fotos “I Throw Myself at Men”.

Para realizar as  fotos – que consumiram dois anos de trabalho e um bocado de idas a diferentes bares – Lilly marcou encontros pela internet com diversos homens em múltiplos estados dos EUA ( ela é do Arizona). Quando eles chegavam, eram recebidos com um singelo abraço em voo livre!

I ideia da artista é incentivar a discussão sobre encontros; sobre a relação estabelecida entre duas pessoas que não se conhecem e de repente se veem frente a frente numa situação que ela faz questão de tornar constrangedora. Mas também surpreendente.

Esta é uma ideia mais ou menso comum à arte contemporânea, sendo amplamente destrinchada nas teorias de arte relacional. Mas o que me encantou no trabalho de McElroy foi o despachamento e o bom humor da artista, que aproveita o trocadilho para criar situações em que é impossível não rir de si mesma e do contexto. E junto, claro, colocar em cheque questões culturais como o fato de mulher ainda não ser vista com bons olhos se vai ao bar sozinha, se puxa conversa com um cara, enfim, se toma iniciativas (não só no bar, como a gente sabe).

Além, de o tempo todo, a performer se colocar em cheque, numa situação de conflito/confiança.

Sério, gente, dá uma olhada na cara de pânico desse sujeito aí de cima. APOSTO que ele não pegou e que ela se estatelou no chão. Acho que deveria ter uma outra exposição só com as fotos dos tombos. Ia ser demais!

Pra terminar, deixo a minha foto preferida:

Olha a empolgação do figura! Esse pegou e não largou! Fofo, maior ursão!

Fala a verdade, não ficou com vontade de apertar alguém?

Então, se joga!

Marina Pontieri

2 de fevereiro de 2012, às 13:02

TRICÔ ARTE


por Marina Pontieri

Faz um tempão que eu não falo de moda aqui. O que é estranho, porque é meu ganha pão principal e teoricamente meu assunto por excelência. O motivo é que eu ando meio desanimada com os rumos da moda em geral.

Via de regra o que temos visto é muita logística de distribuição, muita estratégia de marketing, muita comunicação visual de ponta. E pouca inspiração, pouca referência.  O que é resultado direto da aceleração do desenvolvimento de coleções imposto pela indústria. Que duas coleções por ano que nada! O que é que o povo vai comprar no meio delas? E dá-lhe cruising colletion; premium collection; edição especial e afins.

Tudo baseado nos famosos bureaus de estilos, relatórios preparados por agencias de pesquisa de tendência de moda e mercado. O resultado é que o mercado virou nosso grande criador de moda!

Por isso, volta e meia visito sites dos poucos estilistas que considero grandes  pesquisadores – profissionais da moda que transitam um pouco a margem do grande mercado. Eles estão em extinção, mas existem!

A minha preferida de já algum tempo é a Sandra Backlund. Sandra é Sueca e formada em design de moda pela universidade de Estocolmo.

Até 2010, todas as suas peças eram produzidas a mão, em séries limitadas. Hoje em dia, um pedaço da coleção é produzido industrialmente, mas com a mesma pesquisa de técnica, forma e material que acompanha sua marca desde 2004.

O primor da pesquisa de construção de formas é a primeira coisa que chama a atenção no trabalho da estilista e ela já é bastante celebrada  - inclusive no Brasil – por conta disso.

Mas o que não aparece nos editoriais e que eu acho fundamental no trabalho de Sandra é que ela tem consciência de que tão importante quanto a técnica e as incríveis imagens de divulgação da marca,  é o tempo dedicado à pesquisa e produção.

Tanto que ela se retirou da semana de moda de Londres, por não concordar com o calendário opressor da indústria. segundo ela, nos moldes do movimento Slow food, sua moda seria um “slow fashion”.

Também é interessante perceber que todas as coleções dela seguem as mesmas linhas: são o desenvolvimento de um trabalho contínuo. Sem a necessidade de um tema; imagem e inspiração completamente novos a cada temporada. E ainda assim, a cada coleção, ela se transforma e se supera: com o descobrimento de novas possibilidades e técnicas que só uma pesquisa aprofundada permite.

Além, claro, de recuperar técnicas incríveis no espírito DIY e transformar recursos tão prosaicos quanto um passa fitas ( aquele que você só vê no paninho de prato ou na loja ruim da esquina) em detalhes mega atuais de peças que por si carregam toda a informação de moda do que vem acontecendo de melhor no design atual – como na peça acima, uma das minhas favoritas de todos os tempos.

Por essas e outras, Backlund é uma inspiração para a vida.

Ficou querendo? Eu também. Sente o drama aqui.

Marina Pontieri

26 de janeiro de 2012, às 13:01

YOU TUBE KILLED THE VIDEO STAR


por Marina Pontieri

Esse é um post que eu estou para fazer faz tempo.

Em algum momento do ano passado eu estava num voo a trabalho, meio de madrugada, daqueles que a equipe da aeronave decide que é hora de dormir, então necas de luz, e você não consegue ler porque ainda por cima sentou do lado de um cara que grunhe a cada vez que você tenta acender a sua luzinha pessoal.

Bom, isso geralmente me dá o maior bode porque significa ter que se render à programação do avião, que costuma ser alguns capítulos de Friends que você já viu oito vezes, o show da Celine Dion e a versão dublada em Russo de “Vovozona”.

Mas viu? Tive que tirar o chapéu para o povo da Qatar Airlines … Não só eles tem uma seleção musical feita por algum fã de rock bem informado ( digo bem informado, com direito a The Fall e X, entre outros) que fez a minha noite muito feliz, como também assisti a esse documentário “Video Killed the radio star” - que ficou na minha cabeça desde então.

Eu sou da geração do começo da MTV no brasil e o videoclipe é mais ou menos parte da minha vida desde sempre. Por isso, este documentário feito para a TV inglesa, que conta a história do começo da produção de videoclipes, me deixou sem conseguir tirar os olhos da (minúscula) tela da poltrona do avião.

É muito legal ver o depoimento das pessoas dizendo o quão revolucionário e  novo era pensar em juntar cinema e música, sem que a última tivesse apenas papel de trilha. E é mais legal ainda ver como evoluiu a narrativa possível dentro dos vídeos. Por exemplo, você fica sabendo que o video “Vienna”, do Ultravox causou o maior frisson , porque foi o primeiro video em que a banda aparecia atuando, ou seja, não estavam tocando e cantando a música em questão, mas esta aparecia como trilha de uma ação executada pelos integrantes da banda.

Hoje parece óbvio, né? Mas pense: sem o Ultravox, o que seria da Lady Gaga?

Tem também umas bagaceiras legais, como o clipe de “Dancing in the streets”do Bowie e do Jagger, que, juro, parece gravado pela sua irmã de 14 anos no pátio e na escadaria do prédio. Isso que era a época de orçamentos milionários e os dois já eram O Bowie e O Jagger!  Dá só uma olhada! E a dancinha? Melhor do mundo!

Tem outros momentos áureos, como o diretor do Bowie na época do Ziggy Stardust arrancando os cabelos tentando transformar dia em noite e inverter cores numa época em que efeito especial era conseguido só a base de LSD e olhe lá, ou mais para o final, o diretor de “November Rain” contando que só conseguiu filmar as cenas com sol nos dias em que a farra durava até o amanhecer, do contrário, era impossível acordar a estraguera que era o Guns na década de noventa. Detalhe: era o clipe mais caro já feito na história, a pressão em cima da equipe era tremenda e Axl e companhia não podiam se importar menos…

Enfim, se puderem, assistam porque vale a pena, tem mil outras historietas e entre clipes incríveis e outros bregas de doer, eu fiquei sabendo um monte de coisas que não sabia sobre um assunto que eu achava que sabia muito e de quebra conheci algumas bandas muito legais das quais nunca tinha ouvido falar.

Aliás, você sabia que a música tema do documentário era dos Buggles? E que, by the way, eles tem outras músicas bacanas? Pra mim era uma dessas músicas que não tem autor, é “do rádio” e pronto.

Pra finalizar, o documentário deixa um sabor nostálgico muito bacana de uma época em que uma produção de vídeo era gigante e demorada, que todo mundo esperava pelo lançamento de um clipe e que ele ficava semanas sendo curtido pelos fãs – em oposição aos lançamentos que hoje se sobrepõe em velocidade alucinante no Youtube e o vídeo da semana passada já ficou velho e você inclusive já esqueceu porque desde então viu mais duzentos e quarenta e nove outros.

Ai, sei lá. Tou velha? Vida longa ao VideoStar!

P.S. do dia seguinte: acabo de descobrir que a música TOP #1 nas paradas Australianas no dia em que eu nasci era “Video Killed the Radio Star”!

Achei místico.

Marina Pontieri

22 de dezembro de 2011, às 13:12

FELIZ NATAL!


por Marina Pontieri

Sempre achei esses sites de cartões para datas comemorativas meio bestas.

Fazer o seu é sempre mais legal, eu pensava ( mesmo que muuuitas vezes acabava não mandando por preguiça de fazer um). Até que no natal do ano passado, conheci o JIBJAB.

Os cartões deles são todos animados, em mini clipes das músicas mais sacadas-legais-para-datas-especiais. E o MELHOR é que você faz o casting do vídeo – a partir das fotos do seu arquivo. DEMAIS!

É novo, é super despretensioso e de um bom humor acima de qualquer suspeita! Acho uma delícia que existam pessoas pensando nessas coisas por aí!

Passei um ano namorando o site e ontem me dei de presente de natal uma assinatura de um ano (o que não é nada de mais, custa US$ 12,00 pra você fazer a sua família e amigos darem umas risadas em datas especiais). Então esse ano, descanso do papel de designer amadora de cartões –  e amigos, em 2013, me aguardem! Todo mundo vai ganhar musiquinha!

Pra vocês, fiz um especial, cheio de Celebs! Feliz Navedad!

Personalize funny videos and birthday eCards at JibJab!

Marina Pontieri

8 de dezembro de 2011, às 14:12

PRA RESPIRAR NOVOS ARES


por Marina Pontieri

Eu sou super partidária da idéia de que a arte conquiste cada vez mais espaços expositivos fora das galerias – acho meio estranho ver uma exposição com a mesma sensação que eu tenho quando estou olhando roupas numa loja caríssima, ou seja, sob o olhar da vendedora que, enquanto analisa você de cima a baixo, tenta entender se você é uma milionária excêntrica ou se o seu jeito meio largado é coisa de pobretão mesmo.

Fora que no caso da expo “Em dezembro”, o espaço é o próprio atelier dos artistas e seus colaboradores. Muito legal, porque dá para ter um vislumbre de como é o dia a dia de um atelier onde convivem seis artistas com poéticas totalmente diversas e como estas poéticas se entrelaçam.

E ademais, acho o máximo que em vez de chorar a falta de uma galeria ( exceto no caso de Rafael Coutinho, que é artista da Choque Cultural), o povo está colocando a mão na massa e se organizando em espaços alternativos! Power to the art people! Fora que o preço sem intermediários é um convite para quem quer começar uma coleção.

Não conheço o trabalho de todo mundo, por isso não posso falar, mas posso dizer que uma delas é our very own Sofia Costa Pinto, que continua no seu rolê mundo afora, mas mandou um trabalho sobre… Ausências. Sugestivo, vai?

E tive a oportunidade de ver as telas do Rafael Coutinho e os Bordados da Rita Vidal e da Angela May e tenho que dizer: vale a visita. Muito.

O Rafa é meu marido e eu sou absolutamente suspeita, mas acho que são as melhores telas que ele já fez.

E a Rita e a Ângela pegaram aquelas roupinhas infantis super trabalhadas por bordados à mão, que ficam guardadas por anos e rebordaram valorizando as marcas e manchas de mofo e do tempo. Um trabalho LINDO, que pra  mim diz muito sobre a memória e a inexorabilidade do tempo.

Do resto das meninas vi apenas fragmentos, que posso dizer, me deixaram bem animada para amanhã.

Nos vemos?

Marina Pontieri

28 de novembro de 2011, às 16:11

MULTIDAMA


por Marina Pontieri

Não é nenhuma novidade, mas de tempos em tempos eu re descubro essa multi artista incrível que é a Dame Darcy e volto a me apaixonar por ela. Como ela continua bem underground, mesmo depois de uma longa e super prolífica carreira, achei que valia a pena trazer aqui.

Sabe essas pessoas que eu vivo falando que não criam só um estilo, mas todo um universo em volta de si? Essas pessoas que podem desenhar, escrever, compor e que executam todas essas funções de uma maneira única e inconfundível?

Pois é, a Dame Darcy é dessas. Além de ser uma incrível ilustradora, ela escreve, filma, tem banda, faz bonecas e se você quiser vai na sua casa e pinta sua parede ( ela fez isso com para os dois filhotes da Courtney Love e eu sou louca pra pedir um orçamento no site, vai que é viável)!

Além disso, ela tem uma linha homemade de papeis de carta, chapéus para o Halloween, underwear e vários outros afins, tudo vendido na lojinha do Etsy, a preços super convidativos (tai o presente de natal perfeito, uma ilustração da Dame Darcy exclusiva e feita a mão. E não é caro mesmo, olha lá!)

Meu primeiro contato com a moça foi lá por 1998, lendo o zine que ela fazia e continua fazendo ( só por isso já sou fã, quem é que faz zine hoje, gente?) o MeatCake,  que é um apanhado de contos, ilustrações e quadrinhos ( ah é, esqueci, ela é quadrinista também. Tão contando?) e uma maneira superbacana de entrar em contato com o trabalho dela. E se pedir pelo site, vem assinado!

Pois é, essa aí em cima é a banda dela e ela é a de peruca descolorida. Uma amigona minha entrevistou a dama no final da década de noventa e disse que ela se veste assim o tempo todo: meio vitoriana meio vampira.

Tudo bem né? Normal acho que vocês sacaram que ela não era lá no começo do post. E que bom. Porque como eu disse ela ainda me impressiona toda a vez que eu a leio ou vejo ou ouço.

E eu torço para que venham na minha vida muitas outras freaks do bem como esta!

GO DAME!

Marina Pontieri

17 de novembro de 2011, às 08:11

PUNK AGORA E SEMPRE


por Marina Pontieri

Hoje é rapidinho, que a correria tá monstra. Mas eu recebi  o link desse clip gênio master do The Black Keys, Lonely Boy.

Sério, não é muito bom?  Eu disse há um tempo atrás que dancinha feia era a tendência da vez ( né Lanvin?). Mas nesse caso tem duas coisas aí que eu acho mega blaster incríveis: a primeira é que o tiozinho parece estar se divertindo MUITO.

Eu meio que cansei desses clipes que parecem editoriais de moda, onde todo mundo é ultra bonito e rico e não está nem aí pra nada.  Agora, esse cara não é rico nem bonito, mas parece ter uma vida maior legal, fala aí?

Sou super a favor de dançar de olhinho fechado e feio. Tenho praticado pouco, mas o Black Keys me inspirou. Me aguardem!

A segunda coisa que eu AMO é que não fica mais do it yourself do que isso ( acho que só se o título fosse escrito numa cartolina branca com o tio segurando).  E DIY é sempre bem vindo. Pra mim, tudo o que te afasta do seu processo criativo e do seu resultado final é excessivo. Se você consegue faça você. Se você não consegue, faça, que no processo, você aprende.

É isso. Pra terminar, deixo outro clipe, que me veio a cabeça na hora que eu bati o olho nesse e é o meu clipe tosco DIY podre bêbado favorito de todos os tempos: TV Party, do Black Flag. Um clássico punk atemporal.

Marina Pontieri

4 de novembro de 2011, às 09:11

MELANCOLIA FEELINGS


por Marina Pontieri

Nada mais verdadeiro do que a frase super batida que diz que relembrar é viver. Acho que todo mundo tem alguns gatilhos que disparam uma cachoeira de memórias e sensações do passado que são tão presentes como se estivessem acontecendo agora.

Para mim por exemplo, o cheiro de um determinado produto de limpeza sempre traz lágrimas aos olhos, porque me transporta imediatamente para um hotel que eu costumava passar férias na infância – uma época em que minhas lembranças se confundem com as fantasias da imaginação.

Estou falando isso porque essa sensação de justaposição entre memórias passadas e o tempo atual, para mim é o cerne do que é mais interessante no DEAR PHOTOGRAPH .

O site,  do canadense Taylor Jones nasceu de uma conversa familiar na mesa da cozinha, vendo fotos antigas, quando ele percebeu que estava sentado exatamente no lugar em que sua mãe tirara uma foto anos antes, de seu irmão, que no atual momento estava sentado no lugar exato em que estivera anos atrás.  E pronto.

E a coisa funcionou tanto, quer dizer, tanta gente consegue se identificar com a sensação que estas fotos provocam, que o Dear Photograph ficou em primeiro lugar na lista de sites de 2011 da CBS e em sétimo na lista do New York Times! E  no aniversário do onze de setembro, o site ficou em primeiro nos mais tuitados ( a foto você procura, mas tenho certeza que você já sabe exatamente como é)

O Interessante é que o site é abastecido também ( em grande parte) por contribuições e é lindo perceber que os temas caros a todo mundo são os mesmos:  a época em que os filhos eram crianças ou parentes de idade, que a gente supõe que já não estejam mais no convívio da família. Lugares visitados, experiências vividas.  Se isso não é uma puta de uma dica de o que a gente deveria levar em conta na vida, ao invés de se preocupar com o chefe, o carro, a roupa certa e afins, eu não sei o que é.

E claro, tiro o chapéu para a super curadoria de imagens de Jones, que faz toda a diferença.

Imagens humanas, com várias camadas de significação. Coisa cada vez mais rara no nosso super poluído referencial imagético contemporâneo. Para guardar com carinho.

Marina Pontieri

27 de outubro de 2011, às 13:10

MEU CACHORRO TAMBÉM SABE.


por Marina Pontieri

O Rafael Mantovani é o menino mais inteligente que eu conheço.

Quando a gente estava na escola, o meu pai pagava um pau para os textos dele ( e eu, claro, ficava enciumada, mesmo não querendo dizer) e enquanto todo mundo se virava para enfiar meia dúzia de aliterações no texto porque era o que o professor tinha pedido, parece que as idéias do Manti já saiam em forma de poesia ( mesmo que o texto fosse prosa).

Tem gente que é assim.

Por isso, quando ele me disse que ia lançar o primeiro livro, CÃO eu sabia que pela frente vinha coisa boa.

E veio. Terminei de ler recentemente, lendo devagarinho, em lambidas homeopáticas. E é tão bonito. TÃO bonito.

Uma poesia dos tempos de hoje, da falta de tempo. Da ânsia. Da incerteza. Do estranhamento do mundo. Quem não é capaz de se identificar com o sentimento de não identificação?

Mas, de verdade, acho que poesia não se explica, se lê. Então, dá pra ter uma prévia do livro no blog dele e aqui vai o meu preferido (mas tem mais uns três encostados) :

Meu Cachorro sabe

meu cachorro sabe que eu sou mijão
e me acompanha
ele sabe que eu tenho medo de assalto
e me acompanha
ele sabe que eu nunca vou parar de fumar
e me acompanha
meu carinho é duro, parece uma garra mecânica
e ele me acompanha.

* Tem na Cultura, Livraria da Vila e livraria da Travessa. Mais que recomendo.

Marina Pontieri

20 de outubro de 2011, às 10:10

TAVI ATACA NOVAMENTE


por Marina Pontieri

Quando a pré adolescente estranhinha Tavi Gevinson começou seu blog em 2008, com 11 (!!) anos,  muita gente torceu o nariz. Disseram que não era ela que escrevia, que eram seus pais. Que era impossível uma garota tão nova ter tanta referencia de moda e um texto tão complexo.

Bom, fato é que enquanto eu aos 11 anos gostava de jogar queimada e bater nos meninos, a Tavi perdia horas montando moodboards incríveis e looks mega interessantes, justamente porque tinham um referencial totalmente diverso do usual.

Mas isso é notícia velha. Hoje, a mocinha de 15 anos é uma blogueira respeitadíssima, que tem entre seus leitores e fãs personalidades do estilo que vão de Rei Kawakubo a Lady Gaga.

E claro, como qualquer pessoa interessante, hoje ela acha que só a moda já não é suficiente e seu interesse tem migrado para áreas de cultura e comportamento diversas. Por isso a nova empreitada da adolescente prodígio é a revista ROOKIE, direcionada justamente a meninas de sua faixa etária.

As imagens, os editoriais, as montagens, a parte estética da revista é incrível, porque se aos 11 a fedelha já era da pá virada, nos últimos anos as parcerias com marcas como Rodarte e artistas/ ativistas como Kathleen Hanna só lapidaram o repertório de Tavi.

Mas, eu que já sou tiazinha, olho para essa menina e penso na verdade que os pais dela fizeram uma excelente trabalho. Porque se eu tivesse uma filha da idade dela faria questão que ela lesse a Rookie. Porque é uma revista de comportamento que dentro do tema mensal ( que neste mês é segredos) trata de assuntos como depressão, angústia e masturbação em meio a dicas de beleza que, ao invés de ensinar meninas de pele de pêssego a usar base e pó compacto (oi?) ensinam que se você tiver uma vida suficientemente significativa, uma hora estas questões se ajeitam e que todo mundo quer ser outra pessoa as vezes.

Além do fato de dar destaque para eventos como a Slutwalk, por exemplo e colocá-la como exemplo de atividade a qual toda menina deveria ao menos dedicar algum tempo a conhecer , entre outras postagens incríveis sobre temas como ativismo adolescente, irmandade, girls crush e afins. Tudo escrito pela competentíssima e incrível equipe que Tavi montou.

Tem partes ou assuntos excessivamente adolescentes? Claro e não é tudo que você, se tiver a minha faixa etária vai querer ler. Mas as imagens, como eu disse lá em cima,  valem a pena e alguns assuntos são caros a qualquer mina, de qualquer idade. E se você tem filhas, sobrinhas, alunas ou afins, que entendam inglês razoavelmente, o site da Rookie é utilidade pública, pela formação de meninas menos barbies e mais felizes.

Quer saber, mais? Gevinson explica tudo aqui.

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