Bom, parece que sempre que eu me preparo pra arrasar num post alto astral, vem um gênio e, pum, morre.
Essa semana as perdas foram muitas. Demais. Ô saco.
Primeiro foi Wando. Sensualidade pura. Safadeza. Wando se foi muito muito cedo. Eu ainda nem tinha jogado minha calcinha nele. Vou guardar uma aqui. Ela agora se chamará “a que eu não joguei”. Pra lembrar dele pra sempre.
Agora foi-se Dona Whitney. Diva, voz poderosa que mal-acostumou os ouvidos e gogós norte-americanos. Depois dela, todo mundo queria gritar e ouvir soul gritado. Tempos difíceis.
No fim, o que fica é o poder da voz da diva, seu som inspirado, seu bocão, seus hits infinitos e aquele VHS do Guarda-Costas que eu tenho aqui – altar pessoal. It’s not right, but it’s okay. I’m gonna make it anyway.
Se foram dois caras delícia delícia, mas eu sigo aqui. Vivendo essa vida que tantas vezes ganha de mim de goleada. Mas que, vira e mexe, tão louca, me beija na boca e me ama no chão. Mas, ó, não diga nada que me viu chorando. E pros da pesada, diz que vou levando.
Spoiler: no fim da semana, publicarei minha homenagem singela ao Wando, Aguardem meu top 5 de músicas de declarações de amor para putas. Tô trabalhando duro, vai ser lindo.
Pra dizer adeus, um dos melhores momentos de Whitney.
Etta James morreu hoje. Rainha do R&B. Diva absoluta. Voz de arrepiar. Ui.
Em 2011, o papo era os tais 27 anos. Talento, abuso e juventude numa combinação explosiva. Etta também foi assim. Não, minto. Foi pior. Amy foi pura caretice perto desse mulherão: foi Etta quem inventou o life style sexo-drogas-rock’n roll-delineador. E mesmo assim Etta fez 28. E fez 29. E 40. Morreu com 73 e ainda cheia de tudo o que levou a turma dos 27: talento, abuso e juventude.
Não tem não gostar de Etta James. Tem não conhecer. Tem não ter dado a devida atenção. Mas não gostar, isso não tem não. Porque todo mundo que já gostou de alguém, porque todo mundo que já desgostou, todo mundo que já foi desgostado, todo mundo sabe do que Etta tá falando. Ela tá falando de você. E tá te lembrando que, vira e mexe, a vida até parece uma festa. E em certas horas isso é o que nos resta. Mas que a gente nunca deve esquecer o preço que ela cobra, em certas horas isso é o que nos sobra. Vem ouvir que ela tem razão.
“Show Me The Place”, canção que saiu do forno hoje, não deixa dúvidas: o mundo vai acabar em 2012. Mas vai acabar com trilha original do Cohen e vai ser um The End lindíssimo.
Cohen, vem sussurrar no nosso ouvido de novo, vem.
Clarice Falcão é atriz, cantora e sei lá mais quantas coisas interessantes.
Carioca charmosa, é filha de gente incrível e é a prova viva de que talento pra coisas de artista não é um gene recessivo. Eu é que dei azar e herdei do meu pai a habilidade muitíssimo útil de levantar uma sobrancelha só ao invés de herdar o gogó de ouro. C’est la vie.
Faz um tempinho, vem pipocando no youtube vídeos em que Clarice canta canções de sua autoria. The seweetest things. Salve simpatia.
Já são quatro músicas, eu acho. E espero que venham mais e mais, porque eu já decorei essas todas.
Não sei se isso faz parte de um projeto, se tem toda uma construção intelectual, todo um argumento, todo um lance cabeça por trás disso tudo. Mas prefiro nem saber, viu? Ai que preguiça da singeleza hiper-analisada. Ai que chatice essa moda de ser pretensiosamente despretensioso. Ai que saco cheio que tô da fofura esclarecida, cheia de porquês. Que barra.
Spoiler: é um som altamente girlie. Mas é mais. É o som da mulher contemporânea: charmosa e obsessivo-compulsiva.
Então taí, meu novo vício.
Coisa boa que não requer nenhuma erudição pra ser degustada. Ou seja, coisa rara.
Diante dessa constante espera pela próxima banda descolada que descerá de uma estrela colorida e brilhante. De uma estrela que virá numa velocidade estonteante e pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante.
Diante de tudo isso, fica aqui o meu diagnóstico: todos precisamos ouvir bem mais Talking Heads.
Sem preconceito ou mania de passado. Apenas porque o poema da genialíssima Alice Ruiz vale também pro jeito como a gente tem olhado pras novas bandas que pipocam por aí.
Era uma vez
uma mulher que
via um futuro grandioso
para cada homem
que a tocava.
Um dia
ela se tocou.
Estive no Rio esses dias. Curtíssima temporada. Trabalhei, vi amigos e amores, tomei caipirinha de lichia e dei um pulinho no Studio RJ, nova casa carioca delícia.
Lá, desavisadamente, o Tono caiu no meu colo.
Formado por Bem Gil, Bruno di Lullo, Rafael Rocha e pela charmosa Ana Cláudia Lomelino, o Tono lançou seu segundo álbum no ano passado. Esse ano, os moços ganharam o VMB na categoria Aposta MTV. Merecidíssimo. O trabalho deles já estava tem tempo na minha lista de coisas pra ouvir com cuidado. Mas essa lista só faz crescer e eu nunca que dou cabo dela.
E aí, assim sem querer, dei de cara com os rapazes e rapariga do Tono no palco. E me arrependi muitíssimo do tempo que eu perdi não ouvindo essa gente linda todo dia desde sempre.
O wikileaks da cena carioca me diz que bela Ana Cláudia será mamãe em breve. Eu desejo vida longa ao Tono. E que esse baby viva a aventura de crescer dentro de uma banda que vive junto todo dia, nunca perde essa mania. Que nem eu vivi. Que nem eu vivo.
Ouçam “Me Sara”, do disco de 2010. Só sei que o corpo estremece, as pernas desobedecem. Inconscientemente a gente dança.
Vocês que fazem parte dessa massa que passa nos projetos do futuro, venham pra pista do Tono comigo.
Agora, mudando de canal: queria registrar o que foi, pra mim, o ponto alto do Festival Planeta Terra 2011, que rolou em São Paulo: ouvir o genial Jacaré, o Nureyev do Tchan, contar do show que ele e sua trupe fizeram em Luanda, Angola, durante a guerra. Sangue, suor e swing. Um relato emocionante. Strokes e Broken Social Scene nunca serão. Minutos depois, Jacaré subiu ao palco do festival e, exuberante ao lado dos Garotas Suecas, fez muita gente de Ray Ban requebrar. Épico.
Tenho andado por aí, meio desligada. Mas voltei pra contar pra vocês: aconteceu. Eu ouvi o novo disco da Mallu Magalhães e gostei.
Eu sei. Você que me conhece vai lembrar que eu defendi apaixonada, em muita mesa de bar, que gostar de uma menina ainda tão menina só porque ela ouvia Dylan e Cash era um equívoco. Eu sei que muitos por aí me ouviram bradar que isso não era mérito, que bom mesmo seria se toda menina e menino ouvisse “Blonde on Blonde” desde o berço.
Pra você que estava comigo nessas ocasiões, eu venho agora dizer algo muito importante: eu estava coberta de razão. Gostar de uma menina ainda tão menina só porque ela ouve Dylan e Cash é bobeira. O lance é que a Mallu é muitíssimo mais que isso. Eu que não sabia.
Eu ouvi Mallu ao vivo recentemente. Ela cantou Noel Rosa e eu achei uma belezura. Aí, recentemente, saiu do forno “Pitanga”, o novo disco. E foi então que aconteceu. Aconteceu que eu gostei muito.
Um dia desses meu pai comentou que a Mallu é um paradoxo intrigante. Que ela, ao mesmo tempo que é pura timidez e acanhamento, impõe no seu trabalho um jeito só seu de fazer tudo. Rola uma identidade fortíssima que ela imprime tanto no processo quanto no resultado do que faz. Pai, cê tá certíssimo. E “Pitanga” traduz muito bem essa contradição: tá lá todo o embaraço delicado de menina moça e toda a desinibição de artista consciente e consistente.
E eu podia falar muito mais. Podia falar dos arranjos, das letras. Podia falar de como o disco parece um furinho na parede, pelo qual a gente olha um pedacinho da vida da vizinha.
Principalmente, eu podia falar longamente de como, numa cena musical cheia de gente que força a barra do despojamento fake, gente que try too hard pra parecer que não tá trying at all, “Pitanga” é um alento.
Quando Mallu quer enfeitar ela enfeita. Sem fingir que não. E quando ela joga um verso assim, meio sem mais nem menos, eu acredito que é de verdade. Em “Pitanga”, Mallu alterna pretensão e despretencão com igual espontaneidade. Coisa rara. E eu confesso que eu gosto mesmo é de gente assim: que passa o dia de pijama e passa um bom café coado na calcinha com igual elegância.
Eu podia, enfim, falar um monte de coisas sobre um monte de coisas. Mas, olha, isso tudo você pode descobrir ouvindo a Mallu. “Pitanga” é bom porque reúne crônicas de uma menina que tá na dela. E tá feliz. Qualquer tentativa de explicar demais o registro desse momento diminuiria sua força.
Faz calor em São Paulo. E o som e sexta é uma ode ao calor.
Ronnie Von, nos ano 70, fazia um som incrível. Uma pegada lisérgica, rock psicodélico da pesada, Brazilian nuggets delícia. Você não conhece o som genial do Ronnie? Larga de ser bobo e vem comigo.
De 1970, o álbum Máquina Voadora é pura piração psicodélica brazuca. É uma das obras primas do Pequeno Príncipe. Um clássico.
E, desse álbum genial, eu trago pra você “Viva o Chopp Escuro”, um hino.
Pra quem tá no sul, é pra por pra tocar enquanto guarda o casacão no fundo do armário. Que venha o verão. Pra quem tá no norte, é pra se despedir do calor. E pra lembrar que logo mais ele volta. Cheio de bossa. Tall and tan and young and lovely.
Claras como a luz do sol, clareiras luminosas nessa escuridão. Belas como a luz da lua.
Com vocês, a foto mais esperada da nova música brasileira: Irina Bertolucci, tecladista sensação dos incríveis Garotas Suecas, e Laura Lavieri, aquela voz feminina delícia que apimenta o som do grande Marcelo Jeneci, juntinhas.
Sim, os dois brotinhos mais lindos e loiros da nova geração da música boa do Brasil, provando pra vocês que elas não são a mesma pessoa – mas são igualmente belas e talentosas.
As fotos foram feitas ao som dos rapazes do O Terno, que arrasaram ontem no Clube Berlin. Som bom, gente querida. Recomendo.
A banda de Los Angeles, fornada em 2009, tá em todos os festivais, todas as trilhas sonoras. Tá embalando as pistas e tocando nas rádios. Os blogs comentam, as redes sociais fermentam. O álbum “Torches”, lançado em maio deste ano, nem bem nasceu e já virou clássico.
Aos poucos, as opiniões se dividem. Uns amam desde sempre. Outros odeiam mais que tudo.
Fez-se o hype.
Mas, deixando de lado as borbulhas de amor de uns e a rejeição definitiva de outros, justiça seja feita. O som é bom. “Torches” é recheado de boas levadas, um rock dançante que contagia. E tem mais: os moços são craques do refrão.
Taí o hit “Pumped Up Kicks”, pra você experimentar. Quero ver você ouvir e não dar nenhuma dançandinha na frente do computador.
Outro dia, como qualquer mocinha de família, me peguei pensando no meu casamento. Como seria meu vestido, minha entrada triunfal ao lado do meu pai ao som dos Beach Boys, da Gal ou do Otis Redding. Essas coisas.
Daí me veio uma dúvida: eu entraria, ok. Mas o que estaria me esperando do outro lado, fora o noivo belíssimo? Como diz o poeta: eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu não gosto de frei. Eu não digo amém.
Foi então que eu descobri: tem sim uma coisa nessa vida na qual eu acredito. Eu creio, eu tenho fé… é no Erasmo Carlos. Muso, mestre, professor do amor. Um sábio. Meu buda.
Erasmo acaba de lançar o álbum “Sexo”. Incrível, como não podia deixar de ser. “Sexo” é o segundo álbum da trilogia que começou com o sensacional “Rock’n Roll”, lançado em 2009. Perguntado se o terceiro disco se chamaria, naturalmente, “Drogas”, o Tremendão, sempre genial, disse que isso era uma caretisse. E que o próximo álbum se chamaria “Amor”. Que homem.
Quarta agora, dia 14, Erasmo toca em SP. E eu estarei na quarta fila. Gamadinha nele.
Deixo vocês com o Tremendão e toda a sua genialidade. Refeito em som, perfeito em tanto amor. No vídeo, Erasmo canta “Sou Foda”, hit do grupo de funk Avassaladores. É um teaser do VMB 2011 – que, by the way, promete muito. Vai ser um estouro.
Enfim, peço que vocês abracem a minha causa: Erasmo, celebra o casamento da Manô.
Um dia eu li por aí que o Echo and the Bunnyman era a melhor banda da história de Liverpool. Achei a maior graça. E, nesse espírito, vim falar pra vocês do filho mais talentoso de Cachoeiro de Itapemirim. Sim. Ele. O sensacional Sérgio Sampaio.
Sampaio foi gênio. Quem tem ouvidos e alguma alma há de concordar.
O cara lançou só três LPs. Todos absolutamente arrebatadores. “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, de 73, é um absurdo. Uma explosão. “Tem que Acontecer”, de 76, e “Sinceramente”, de 82, são igualmente sublimes. O álbum póstumo “Cruel”, lançado em 2005, também é uma coisa de louco.
Além disso, as canções incríveis de Sampaio podem ser ouvidas no álbum emblemático do amigo e parceiro Raul Seixas: “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, de 71.
Sampaio morreu aos 47 anos, em 94. Deixou a gente cedo demais. Mas deixou trilha pra todas as horas. Pra quando a barra pesa e pra quando o lance é bom. Pro pé na bunda e pro everlasting love, o amor transcendental. Vem que tem.
Pra vocês verem que o papo é sério, escolhi pra gente uma canção de cada um dos três LPs de Sampaio. E uma faixa bônus pra quem chegar comigo até o fim desse passeio.
A primeira canção é um hino. Se você tem sangue correndo nas veias, esse refrão vai te pegar. Tem jeito não. Senhoras e senhores, um clássico: “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, de 73.
Do álbum “Tem Que Acontecer”, de 76, escolhi, com o peito sangrando, “Que Loucura”. Essa é a versão original, estupenda. Irresistível. Mas a versão de Luiz Melodia, uma das vozes mais bonitas da galáxia, é outra delícia. Pros estudiosos, tá no álbum “Claro”, de 88.
Atenção. O Ministério da Manô adverte: os que andam doentes do coração devem ouvir equipados de lenços ou amparados por um ombro amigo.
Enfim, do álbum “Sinceramente”, de 82, taí “Homem de Trinta”. Se você é um homem de trinta, se você é uma moça de trinta. Se você tem trinta e poucos, trinta e tantos. Se você já teve trinta anos. Se você pretende ter trinta um dia. Se você é gente, acorda, dorme às vezes, almoça, janta e toma café-da-manhã. Essa música Sampaio fez pra você.
Pros que me acompanharam nesse giro, essa é a faixa bônus. Meu brinde.
Meu mais que amigo Mariano Marovatto é cheio de talentos: é poeta, compositor e faz uma boa faxina. Lançou um disco lindíssimo ano passado, “Aquele Amor Nem me Fale”, que você tem que ter. E, outro dia, fez essa versão despretensiosa e sincera de “Eta Vida”, de Sampaio e Raul Seixas.
A versão original dessa canção tá em “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, do Raul. Mas essa aqui é tão bonita quanto. E, pra mim, é mais querida.
Lição de casa, you all: Sérgio Sampaio. Os que já são do bloco do Sampaio, ouçam tudo de novo. Os que são virgens, welcome aboard. Sampaio vai entrar na sua vida e nunca mais você vai largar o nosso cordão. E fica a lição desse filho ilustre da terra do Rei, pra lembrar em tempos difíceis: o pior dos temporais aduba o jardim.
O som da sexta, dessa vez, é puro amor latino. Caliente. E dramático.
Joaquín Sabina é espanhol, cantautor e tem uma voz rouca, cheia verdades. E de mentiras sinceras que muito me interessam. Lançou o primeiro álbum em 78 e, desde então, nunca parou de nos contar histórias.
Gigante na Argentina, famoso em boa parte da América Latina, Sabina chegou na minha vida pelo Fito Paez. Fã do Paez que sou, um dia descobri o álbum “Enemigos Íntimos”, uma parceria de Paez e Sabina. E foi amor. Se nos pasó la noche entre el whisky y la coca, e o amor, meu e de Sabina, seguiu cada vez mais forte.
Pra embalar essa sexta, escolhi “Y Nos Dieron Las Diez”, do sensacional álbum “Física y Química”, de 95. Esse som é especialíssimo por dois motivos muito nobres. Primeiro pela história que Sabina nos conta, uma pérola. Mas, principalmente, porque, ao nos contar essa história, Sabina canta um dos versos mais sensuais do mundo: “de repente, su dedo en mi espalda dibujo un corazón/y mi mano le correspondió debajo de tu falda”. Ui.
Vem, Sabina. Y dale alegría a mi corazón. Es lo único que te pido al menos hoy.
Provocada pelo meu compadre Helio Flanders, passei boa parte da minha última madrugada pensando nos meus 5 álbuns de folk favoritos. Missão dureza. Ele já tinha a lista dele, lindíssima. E eu, que gosto de um desafio, resolvi fabricar a minha.
No final da noite, cheguei numa lista bonita. Vem comigo.
No topo, primeiríssimo lugar de qualquer lista que eu faça sobre qualquer coisa: Blue, da minha Joni Mitchell. De 1971. Um disco épico. Arrepios do começo ao fim. Está em “A Case of You”, a faixa 4 do lado B, uma das declarações de amor mais deliciosas do mundo: “I could drink a case of you, darling/And I would still be on my feet”.
Blue é meu álbum de folk preferido. Meu sorvete predileto. Meu vestido mais bonito.
Depois, no segundo lugar do pódio, está o belíssimo “Comes a Time”, do genial Neil Young. O álbum é de 1978. Um deleite. E se for pra você experimentar assim, de conta-gotas, eu sugiro começar com “Lotta Love”. Faixa 4 do lado A. Néctar: “It’s gonna take a lotta love/To make this work out right”.
O terceiro lugar é de Mr. Bob Dylan. Como não podia deixar de ser. E o álbum é o absurdo “Blood on the Tracks”, de 1975. Só coisa boa. Um clássico.
Um som clássico é aquele que você nunca termina de ouvir. Porque é sempre novidade. É sempre desvirginar um pedacinho intocado de si mesmo. “Blood on the Tracks” é assim.
Em quarto lugar, senhoras e senhores, Lady Karen Dalton e seu álbum de 1971, “In My Own Time”. Dalton canta de um jeito que não é para ouvir com o ouvido, só. Bate lá dentro. É um disco pra ouvir com as entranhas. Pro seu pulmão, fígado, pro seu estômago balançarem ao som bittersweet da moça.
Meu partner in crime, Guilherme Saldanha, vocalista dos Garotas Suecas, é que trouxe Karen Dalton pra mim. E por isso, e por tanto mais, eu serei eternamente grata.
Enfim, o quinto lugar. E aí, minha gente, nem vem que não tem. Porque o quinto lugar é indiscutivelmente de “Passado, Presente & Futuro”, dos pais do rock rural: Sá, Rodrix e Guarabyra. 1972. Um discão. Três cara incríveis. Um som da pesada. “Hoje Ainda é Dia de Rock”, minha faixa preferida, é mais que uma canção, é um hino: “Eu tô doidin por um pianin/Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador/Pra eu poder tocar lá na cidade/Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor/Depois formar a minha eletrobanda/Que vai deixar as outras no roncó.
Sá, Rodrix e Guarabyra, meus amores, deixam os outros no roncó.
Deixo vocês com um poquito de Karen Dalton. Sigam-me os bons. E os maus. Sigam-me todos.
Criada on the road, sou punk por parte de pai, hippie por parte de mãe e careta autodidata. Doutoranda em Relações Internacionais, queria ser a Joni Mitchell em 1970 e sou súdita do Rei Roberto Carlos. Diversão é solução sim, é solução pra mim.