Eu acabei de passar um mês em Lisboa, uma experiência maravilhosa. Fui expor dois trabalhos, um deles em parceria com a artista Inês Moura. Foram duas exposições coletivas, uma em Lisboa e outra em Montemor-O-Novo. Tive a sorte de conhecer pessoas muito especiais e entre um almoço e outro constatei um fenômeno curioso. Os brasileiros não sabem (quase) nada sobre arte em Portugal. Não que Portugal seja uma grande potência nas artes mas mesmo assim dá vergonha. Dá vergonha perceber que os artistas portugueses em geral, conhecem pelo menos um pouco de arte brasileira, podem citar pelo menos uns 6 ou 7 nomes de artistas brasileiros; Hélio Oiticica, Lygia Clark, Vik Muniz e etc… eles conhecem um pouco. E a gente? Nada.
Ah! Estou falando das artes plásticas mas posso dizer que na música e no cinema acontece o mesmo, a literatura é um caso um pouco diferente. Não vou me aprofundar em pensamentos para tentar explicar esse fenômeno, deixarei-os para as mesas de bar, para as teses de antropologia e para os artigos de revistas intelectuais. Combinei comigo mesma que eu sairia de Portugal conhecendo um pouquinho mais a arte contemporânea portuguesa. Fiz uma lista com cinco nomes, sim apenas cinco e já estou me achando super à frente. Helena Almeida, Joana Vasconcelos, João Penalva, Miguel Palma, Pedro Cabrita Reis. Eu não escolhi esses artistas por que gosto especialmente do trabalho de cada um deles. Alguns eu gosto muito outros nem tanto mas uma coisa é certa, é necessário conhecer esses nomes. Equivale mais ou menos à conhecer Lígia Pape, Beatriz Milhazes, Nuno Ramos, Cildo Meireles e Ernesto Neto deles. É uma comparação completamente estúpida mas quero pelo menos dar uma ideia do peso desses artistas. (Tá bem? Sem drama!)
Helena Almeida, 1934. Vive e trabalha em Lisboa. A notícia mais recente que temos sobre ela é que a Tate Modern em Londres acabou de comprar a série de fotografias “Pintura Habitada” feita pela artista nos anos 70. Os trabalhos de Helena Almeida são em sua maioria fotografias mas ela não é fotógrafa, ela sempre está nas fotos e em muitos casos ela intervém com pintura sobre as fotos. Seus trabalhos são fotografias mas ela é fotógrafa-performer-pintora.

Joana Vasconcelos, 1971. Vive e trabalha em Lisboa. A comparação do trabalho de Joana Vasconcelos com o da Beatriz Milhazes é ao mesmo tempo absurda e perfeita. Joana gosta da mistura de cores vivas. Seus trabalhos são instalações, muitas feitas em crochê e bordados. As vezes esses “bordados” são feitos também com objetos. Sinceramente não sou grande fã de seu trabalho mas gosto muito do colar de bóias que Joana fez para a Torre de Belém em Lisboa. Não se assustem com o site dela que é horroroso!

João Penalva, 1949. Vive e trabalha em Londres. Penalva tem uma história de vida bem interessante, artista multi-talentos, ele é português embora more em Londres desde os anos 70. Antes de ser artista plástico Penalva foi bailarino, dançou com com Pina Baush (não é brinquedo, não!). No início de sua carreira Penalva estava mais dedicado à pintura, nos seus trabalhos mais recentes tem utilizado técnicas variadas mas sempre há uma presença de narrativa muito forte, quase sempre tem textos, palavras criando situações onde as pessoas são levadas a seguir uma narrativa sem perceber que são elas mesmas que estão criando-as. Confuso? Só vendo.

Miguel Palma, 1964. Vive e trabalha em Lisboa. Miguel Palma nessa lista talvez seja o menos conhecido mundialmente provavelmente por ser mais novo… não sei. Mas os trabalhos do Miguel são bem bonitos. Ele trabalha com instalação, tem uma fixação por máquinas, aviões, carros, barcos e engenhocas. Tem algo que nos faz lembrar brincadeiras de menino mas tudo isso em grade escala. Brincadeira de menino grande.

Pedro Cabrita Reis, 1956. Vive e trabalha em Lisboa. Pedro Cabrita Reis é com certeza o mais megalomaníaco dessa lista e talvez de todos os artistas portugueses. Acho que é o que tem um estilo menos definido, faz várias coisas de vários jeitos diferentes. Instalação com luz, pintura, escultura minimalista, escultura em concreto, tijolo. Não quer saber vai fazendo. Para mim, seu nome sugeria um cara pequeno magrelo mas é o oposto, é figura é muito forte, tem um que de Hitchcock em sua aparência. O escritor português António Lobo Antunes escreveu sobre Cabrita Reis logo, não faz o menor sentido eu ficar falando muito mais sobre ele. Quem quiser leia aqui

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