Provocada pelo meu compadre Helio Flanders, passei boa parte da minha última madrugada pensando nos meus 5 álbuns de folk favoritos. Missão dureza. Ele já tinha a lista dele, lindíssima. E eu, que gosto de um desafio, resolvi fabricar a minha.
No final da noite, cheguei numa lista bonita. Vem comigo.
No topo, primeiríssimo lugar de qualquer lista que eu faça sobre qualquer coisa: Blue, da minha Joni Mitchell. De 1971. Um disco épico. Arrepios do começo ao fim. Está em “A Case of You”, a faixa 4 do lado B, uma das declarações de amor mais deliciosas do mundo: “I could drink a case of you, darling/And I would still be on my feet”.
Blue é meu álbum de folk preferido. Meu sorvete predileto. Meu vestido mais bonito.
Depois, no segundo lugar do pódio, está o belíssimo “Comes a Time”, do genial Neil Young. O álbum é de 1978. Um deleite. E se for pra você experimentar assim, de conta-gotas, eu sugiro começar com “Lotta Love”. Faixa 4 do lado A. Néctar: “It’s gonna take a lotta love/To make this work out right”.
O terceiro lugar é de Mr. Bob Dylan. Como não podia deixar de ser. E o álbum é o absurdo “Blood on the Tracks”, de 1975. Só coisa boa. Um clássico.
Um som clássico é aquele que você nunca termina de ouvir. Porque é sempre novidade. É sempre desvirginar um pedacinho intocado de si mesmo. “Blood on the Tracks” é assim.
Em quarto lugar, senhoras e senhores, Lady Karen Dalton e seu álbum de 1971, “In My Own Time”. Dalton canta de um jeito que não é para ouvir com o ouvido, só. Bate lá dentro. É um disco pra ouvir com as entranhas. Pro seu pulmão, fígado, pro seu estômago balançarem ao som bittersweet da moça.
Meu partner in crime, Guilherme Saldanha, vocalista dos Garotas Suecas, é que trouxe Karen Dalton pra mim. E por isso, e por tanto mais, eu serei eternamente grata.
Enfim, o quinto lugar. E aí, minha gente, nem vem que não tem. Porque o quinto lugar é indiscutivelmente de “Passado, Presente & Futuro”, dos pais do rock rural: Sá, Rodrix e Guarabyra. 1972. Um discão. Três cara incríveis. Um som da pesada. “Hoje Ainda é Dia de Rock”, minha faixa preferida, é mais que uma canção, é um hino: “Eu tô doidin por um pianin/Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador/Pra eu poder tocar lá na cidade/Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor/Depois formar a minha eletrobanda/Que vai deixar as outras no roncó.
Sá, Rodrix e Guarabyra, meus amores, deixam os outros no roncó.
Deixo vocês com um poquito de Karen Dalton. Sigam-me os bons. E os maus. Sigam-me todos.






