Eu sou super partidária da idéia de que a arte conquiste cada vez mais espaços expositivos fora das galerias – acho meio estranho ver uma exposição com a mesma sensação que eu tenho quando estou olhando roupas numa loja caríssima, ou seja, sob o olhar da vendedora que, enquanto analisa você de cima a baixo, tenta entender se você é uma milionária excêntrica ou se o seu jeito meio largado é coisa de pobretão mesmo.
Fora que no caso da expo “Em dezembro”, o espaço é o próprio atelier dos artistas e seus colaboradores. Muito legal, porque dá para ter um vislumbre de como é o dia a dia de um atelier onde convivem seis artistas com poéticas totalmente diversas e como estas poéticas se entrelaçam.
E ademais, acho o máximo que em vez de chorar a falta de uma galeria ( exceto no caso de Rafael Coutinho, que é artista da Choque Cultural), o povo está colocando a mão na massa e se organizando em espaços alternativos! Power to the art people! Fora que o preço sem intermediários é um convite para quem quer começar uma coleção.
Não conheço o trabalho de todo mundo, por isso não posso falar, mas posso dizer que uma delas é our very own Sofia Costa Pinto, que continua no seu rolê mundo afora, mas mandou um trabalho sobre… Ausências. Sugestivo, vai?
E tive a oportunidade de ver as telas do Rafael Coutinho e os Bordados da Rita Vidal e da Angela May e tenho que dizer: vale a visita. Muito.
O Rafa é meu marido e eu sou absolutamente suspeita, mas acho que são as melhores telas que ele já fez.
E a Rita e a Ângela pegaram aquelas roupinhas infantis super trabalhadas por bordados à mão, que ficam guardadas por anos e rebordaram valorizando as marcas e manchas de mofo e do tempo. Um trabalho LINDO, que pra mim diz muito sobre a memória e a inexorabilidade do tempo.
Do resto das meninas vi apenas fragmentos, que posso dizer, me deixaram bem animada para amanhã.
Nos vemos?










detalhe do ótimo trabalho ‘plocantropía’, de ramon martins


