Dei sorte na minha primeira visita ao Whitney Museum of American Art. Além do acervo super contemporâneo com obras de Ed Rusha e Robert Mapplethorpe, há duas mostras de artistas nova-iorquinos que são obrigatórias neste museu do Upper East Side.
A primeira é a exibição Modern Life: Edward Hopper and his time. Os quadros de Hopper, considerado o maior pintor do realismo americano no século 20, retratam situações cotidianas e dão uma ideia de como era os Estados Unidos nos depressivos anos 30 e nos bélicos anos 40. Os trabalhos, apesar de mostrarem o dia- a -dia, têm densidade e carga psicológica. As pessoas aparecem sempre solitárias e perdidas.
Composta por cerca de 80 quadros do pintor, sendo a maior parte deles do próprio Whitney, a mostra traz também obras de outros artistas das décadas em que os EUA enfrentou a maior recessão e a maior guerra de sua história.
AMERICA, de Glenn Ligon, é a segunda mostra do Whitney. Com obras que incluem pinturas , instalações e fotografias, o norte- americano debate, com viés contestador e irônico, questões como racismo e sexualidade na sociedade americana . O destaque vai para as pinturas feitas nos anos 60, com textos de personalidades como o escritor francês Jean Genet e o ator de comédias Richard Pryor. A série com antigos cartazes de escravos procurados impressiona pelas descrições preconceituosas. Além de ter trabalhos artísticos fortes, a obra de Ligon levanta questões antropológicas atuais.
As mostras do Edward Hopper e do Glenn Ligon vão até 10 de abril e 5 de junho, respectivamente.





(os artistas em seus estúdios no novo catálogo da j.crew)