saí decepcionada do cinema… estava toda animada para ver comer rezar amar, que finalmente estreou por aqui, mas o filme é fraquinho, fraquinho. além de faltar sal, tem várias coisas estranhas.
a começar pela boca da julia roberts. não sei se é botox, preenchimento, dêem o nome que quiserem – o lábio dela parece feito de borracha. ela sempre teve a boca carnuda, mas dessa vez está esquisito. depois tem o fator rapidez. coisas que no livro acontecem de forma fluida, no filme parecem um pouco fast food (e mesmo assim o filme é longo).
tem partes gostosas, como as comilanças dela na itália ou a hora em que eles andam pela cidade descobrindo o que significa cada gesto italiano. aninha e eu saímos de lá direto para um restaurante italiano comer spaghetti!! as roupas dela, que mudam a cada parte da viagem, são gostosas de ver e os visuais em bali, incríveis.
mas alguns detalhes muito cruciais estragam o longa. achei, por exemplo, que não rolou muita química entre ela – julia roberts – e ele –javier bardem (deu saudade da carrie com o mr. big, nesse sentido). e olha que eu adoro a julia e sou fã do javier…
por falar em felipe – o personagem de javier –, o filho meio-australiano-meio-brasileiro dele faz um comentário que matou o filme. o pai cumprimenta ele com um selinho e o filho diz “poxa pai, eu não cresci no brasil. esse costume brasileiro de cumprimentar com selinho é muito estranho pra mim!”. gente, achei o fim. sei que não dá pra julgar o filme por uma frase, mas foi a gota d’água. faltou pesquisa, né? no brasil, o machismo mal deixa os homens se beijarem na bochecha, quanto mais um selinho no próprio pai. o maridão da liz gilbert na vida real, brasileiro, podia ter dado um toque nos roteiristas.
outro escorregão na brasilidade é a música tema dos dois. mais clichê impossível, o hit que embala o affair deles é ‘samba da bênção’ cantada por bebel gilberto, que toca quase que incessantemente na parte final do filme. quando ela chega na índia também rola um deslize dj. a ótima música ‘boyz’, da m.i.a., fica totalmente fora de lugar na cena em que ela está num táxi, cercada por pedintes. preguiça.
ah! e não acaba por aí… o javier solta umas frases em português no meio dos diálogos. mas com um detalhe assassino – ele fala meio que um portunhol, português de portugal. um horror!
claro que vale a pena ver o filme, principalmente pra quem leu o livro e se apegou à história e à autora. mas, como diriam as traças no fim da sessão, “o livro é muito melhor!”



