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Posts marcados como ‘lourenço mutarelli’

Ana Strumpf
29 de maio de 2009, às 18:05

participação especial – sequenciais – marcello quintanilha

por Ana Strumpf

por dennison ramalho

é ótimo escrever sobre um assunto que adoro e que vem ao meu encontro, tipo “semana que vem isso vai ser post dos bons!”

hoje é um desses dias, e o assunto são os quadrinhos de marcello quintanilha (vulgo marcello gaú).

conheci o trabalho e o estilo indefectível do cara na capa do álbum “a invasão do sagaz homem-fumaça”, do planet hemp, em 2000.

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soube, depois, que ele desenhava gibis pra antiga bloch editores (eu lia um: “mestre kim”), e que integrou as turmas que, nos anos 90, mandavam ver o melhor do potencial quadrinhístico brasileiro nas revistas “metal pesado”, “zé pereira” e na saudosa “general”.  e quando falo de ‘quadrinho brasileiro’, particularizo: não trata-se de mera localização do artista/obra, mas de identidade mesmo! no duro!

em 1999, ainda assinando como marcello gaú, quintanilha publicou pela editora conrad a coletânea de crônicas  “fealdade de fabiano gorila”. ali, eu percebi que, pareado com o lourenço mutarelli, esse seria o cara que traria toda a crueza de uma brasilidade autêntica para os quadrinhos. no caso do quintanilha, gosto até de falar em ‘tactibilidade’, porque, só entre ontem e hoje, eu já cruzei muitos dos personagens dele aqui pela cidade: o carregador, o pedreiro, o torcedor de futebol, a costureira… “fealdade…” me impressionou pela escolha e ambientação das tramas (estórias de niterói e dos subúrbios do rio de janeiro nas décadas de 40 e 50). foi um trabalho marcante para mim, muito vivo, e que se impunha com uma qualidade algo-fotográfica (e aí é que está o pulo do gato do cara: apesar dos personagens serem expressivos a um ponto muito realista, eles ainda reservam-se o peso do lápis. pra nossa grande sorte não trata-se do trabalho de  um ‘fotografista’, na onda alex ross, mas de um artista hábil em estudar e dar traço a emoções raras nas histórias-em-quadrinhos, como a dúvida, a ansiedade e a impaciência).

fiquei fã do cara de imediato. quando colaborei com a estruturação de um tributo em quadrinhos ao zé do caixão, em 2008, o ‘ainda-marcello gaú’, foi o primeiro nome que ocorreu a todos os envolvidos. foi nesse ponto que soube que ele andava em barcelona, desenhando uma série para editores europeus. lamentei, pois dei o cara por perdido pros quadrinhos do brasil.

pois eis que, na semana passada, estava eu às compras na livraria pop, quando vi um álbum da conrad assinado por esse tal marcello quintanilha: “sábado dos meus amores”. bom, foi só nessa ocasião que eu descobri a nova assinatura do cidadão, pois ao folhear o álbum, desavisadamente, eu me gritei: “manda matar! é um copycat do gaú!” só depois de ler na contracapa, em letras diminutas, que eu tinha em mãos uma obra ‘do mesmo autor de “fealdade de fabiano gorila”‘, foi que tive a grata surpresa de saber que, mesmo na catalunha, ele ainda está entre nós (amém!)…  e suas crônicas suburbanas ganharam não só cor, mas vigor! e o texto continua de primeira! vejam bem: trata-se de linguagem crua, coloquial, das ruas… e os personagens escondem corações de ouro, superstições, paixões e recalques atrás de peles queimadas, mestiçadas e corpos calejados e viciados – as texturas e a morfologia de nosso país… a comparação com o cinema de nelson pereira dos santos não é mero chute!

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o quintanilha tem fãs mais ilustres do que eu – o aldir blanc, por exemplo, que, em prefácio, já o chamou de “o rosselini tupiniquim (…) quadrinhos pra voz de ademilde fonseca.”

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enfim, se você quer descobrir o que foi o ‘manufatura sport club’, ou o que é um ‘amarra-cachorro’, vá à livraria mais próxima. ou chame a dona visa ou o sr. master card no loja virtual da editora conrad. marcello gaú / quintanilha é artista fundamental para quem quer entender o que melhor se faz de quadrinhos nesse país. e pra quem não conhece os artistas brasileiros, é uma emocionante porta de entrada.

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