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Posts marcados como ‘maarten baas’

Regina Strumpf
28 de junho de 2010, às 15:06

imperfeições

por Regina Strumpf

esta é uma parte do texto que escrevi para a revista da beach&country:

com as máquinas ficando mais e mais eficientes, computadorizadas, tecnologias a laser… e, portanto, gerando produtos mais perfeitos, fica a imperfeição como uma qualidade humana.

artesanato - poltrona betsey - as, ana strumpf para micasa

artesanato - poltrona betsey - as, ana strumpf para micasa

no design e arquitetura surgem peças com a preocupação da não perfeição, de não serem monótonas nem cansativas, de mostrarem que, mesmo sendo frutos da tecnologia industrial, elas têm um toque de ‘mão na massa’, de artesanal.

design com artesanato:tapete azul diesel . last supper- studio job - tapete-kiki-van-eyjek

design com artesanato: diesel - tapete azul . last supper - studio job . tapete - kiki van eyjek

alguns lançamentos na última feira de milão, como da inglesa ”established & sons” – uma das melhores atualmente, que, aliás, é do marido da estilista stella mccartney –, vem seguindo esta filosofia. o nome já remete ironicamente a um lugar clássico, só falta o ‘by appointment’, como eram ou são chamados os lugares onde a rainha da inglaterra compra. o estande, no fuori salone, era inteiro desconstruído, todo despencado em madeira crua, meio favela, meio irmãos campana, e ela representa alguns dos melhores designers atuais. trabalhos de jasper morrison, sebastian wrong, maarten baas, grupo front ou studio job exploram a idéia da imperfeição ou mesmo da simplicidade, de formas e materiais, do design sem design. formas tão simples que parecem que são da época em que design não era chamado design, mas sim uma mesa, uma cadeira e uma luminária.

aqui no brasil destaco o óbvio dos campanas, as peças zanine de zanini, cadeiras e luminárias do rodrigo almeida, e a nova linha do marcio kogan, ‘próteses e enxertos’, que sai garimpada diretamente dos canteiros de obra, customizada com detalhes sutis para as casas modernas, com muita ironia e bom humor.

design com imperfeição:mesa -beach&country . droog chest of drawers . gaveteiro - marcenaria trancoso - mesa - maarten baas

design com imperfeição: mesa - beach&country . droog - chest of drawers . gaveteiro - marcenaria trancoso . mesa - maarten baas

no japão, o conceito de elegância através da imperfeição tem o nome de wabi sabi, que significa a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas, emocionais e quentes. leonard koren, no seu livro waba sabi for artists, designers, poets & philosophers, coloca a seguinte lista de qualidades do que é o conceito: assimetria, textura, simplicidade, modéstia, intimidade, e o que parece ser resultado de um processo natural. estes atributos, que parecem descrever somente estéticas do design, podem e devem ser aplicados como um bom guia de qualidade de vida. esqueça o arranjo perfeito; simplesmente coloque as flores num vaso como se tivesse acabado de colhê-las no jardim. a estante de livros não deve estar milimetricamente arrumada; um pouco de bagunça mostra que realmente os livros foram lidos. móveis de madeira e de couro, quanto mais marcados e usados, mais bonitos são, com história para contar. infelizmente ainda não sei como aplicar estas regras em nós – principalmente as mulheres. quem sabe ainda vai chegar um tempo em que não vamos mais querer a perfeição estética. que simplicidade, assimetria, texturas e marcas virem qualidades e sejam valorizadas! quem sabe um dia, se nos permitirmos…”

“nothing we see or hear is perfect. but right there in the imperfection is perfect reality”

shunryu suzuki

sdadaddddddddddddddd
Regina Strumpf
20 de janeiro de 2010, às 17:01

uma cadeira é só uma cadeira…

por Regina Strumpf

“desenhar uma cadeira é mais difícil do que projetar um arranha céu”, dizia  mies van der rohe, um dos arquitetos da bauhaus, que pregava que a forma segue a função. mies também é pai de uma das cadeiras mais bonitas já feitas até hoje, a barcelona.

já sabem que eu gosto, e muito, de design. quando a monica figueiredo, editora da revista licia, pediu  que eu escolhesse 100 cadeiras e escrever sobre o assunto,  foi muito difícil… que dúvida… que responsabilidade…

editei o artigo e coloquei só as minhas top 10 de hoje, por que amanhã… tudo pode mudar! e com certeza esqueci de muitas cadeiras.  se quiserem ver todas as selecionadas comprem a revista, edição nº 3, hehehe…

no alto a direita, no sentido horário:

no alto a direita, no sentido horário: cadeira caruaru amarela de marcelo rosembaum para micasa, cadeira plywood preta , simplicidade em madeira de joaquim tenreiro, cadeira setu lançamento da herman miller, clay laranja de maarten baas, cadeira emeco desenvolvida para a marinha dos eua, cadeira amarela no quadro de van gogh, lizz de piero lissoni em tecnopolímero vermelho, linda a lcw de charles eames e a juliana de aristeu pires.

fui olhar em casa as cadeiras que tenho. bom, as minhas cadeiras da sala de jantar não têm design nenhum e são pesadas. dia sim, dia não, meus filhos reclamam delas. mas é o lugar onde mais conversamos e onde, quando o dudu cozinha com os amigos, ficamos horas na mesa batendo papo. e no sítio… não são nem cadeiras, são aqueles bancões de madeira. para quem fica no meio é uma tortura sentar ou levantar. e, mais uma vez…é naquela varanda, debaixo das mangueiras, ao lado do fogão de lenha, já fizemos almoços inesquecíveis que duraram horas.

portanto, se você tem uma família legal, bons e queridos amigos, às vezes uma cadeira… é só uma cadeira.

sdadaddddddddddddddd
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