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1 de fevereiro de 2010, às 21:02

comendo vogais pra ver se saudade passa

por admin

não tem coisa mais linda que ouvir um português falar português. eu ficava encantada, enquanto santa catarina falava, e ficava olhando para a boca dela que parecia engolir todas as últimas vogais das palavras como se esse fosse o único jeito de diminuir a famosa melancolia portuguesa. catarina falav’ com’si pr’ el’ as v’gais não t’vessem a m’nor imp’rtância…

em lisboa conheci duas coisas: armin e amália.

quando fui com o primeiro ao museu do fado, ele pediu que eu traduzisse toda estrofe de toda canção, todo parágrafo de todas as cartas e letras de música.

não acreditava que podia existir diminutivos para coisas tão desagradáveis. em meio a esboços de letras de músicas, cartas e documentos, encontramos frases como “me sinto azedinho”, “lembranças do teu patrãozinho” (juro!)…

vinicius de moraes, aliás, também usava diminutivo para tudo (vinicius e amália, aliás, têm um disco juntos, que comprei na fnac de lisboa).

armin me disse que em nenhum outro lugar do mundo que não seja portugal se deve ouvir fado, que em outro lugar não faz sentido.

no meu penúltimo dia de viagem, já de volta à lisboa depois de um mês com ele em colônia, perambulando pelo chiado, passei por um carro de som que tocava o único fado que eu nunca quero ouvir de novo, nem em lisboa, nem em lugar nenhum:

 

nem comendo todas as vogais do mundo essa saudade que eu sinto passa.

Gisela Gueiros
23 de março de 2009, às 00:03

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por Gisela Gueiros

todo ano, no finalzinho do inverno, o jardim botânico de nova york, no bronx, organiza o orchid show. orquídeas do mundo inteiro são expostas na estufa do parque, que é climatizada para imitar os trópicos, com aquecimento e chuvinha de vapor – a gente até esquece do frio que faz lá fora. me senti em casa!

nesta edição, o orchid show tem um tema – brazilian modern. muito legal, né? é que o curador da exposição, raymond jungles (raimundo florestas!?), era amigo do nosso super arquiteto e paisagista roberto burle marx. juntos, eles fizeram verdadeiras expedições pelas matas brasileiras para pesquisar a flora nativa.

além das flores – de todas as cores, formas e tamanhos – também estão à mostra alguns murais de cerâmica criados por burle marx. é um passeio lindo. antes de ir embora, vale fazer uma parada estratégica na lojinha, nem que seja pra olhar. eles vendem orquídeas divinas (claro!), vasinhos, sementes, acessórios para jardinagem e livros sobre como plantar sua própria horta, desenhar flores, cuidar do seu jardim, etc.

parei pra tomar um café na saída e só ouvi gente falando português na fila – acho que eu não era a única brasileira tentando matar saudade de casa…

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(o orchid show fica no ar até 12 de abril).

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