Faz um tempão que eu não falo de moda aqui. O que é estranho, porque é meu ganha pão principal e teoricamente meu assunto por excelência. O motivo é que eu ando meio desanimada com os rumos da moda em geral.
Via de regra o que temos visto é muita logística de distribuição, muita estratégia de marketing, muita comunicação visual de ponta. E pouca inspiração, pouca referência. O que é resultado direto da aceleração do desenvolvimento de coleções imposto pela indústria. Que duas coleções por ano que nada! O que é que o povo vai comprar no meio delas? E dá-lhe cruising colletion; premium collection; edição especial e afins.
Tudo baseado nos famosos bureaus de estilos, relatórios preparados por agencias de pesquisa de tendência de moda e mercado. O resultado é que o mercado virou nosso grande criador de moda!
Por isso, volta e meia visito sites dos poucos estilistas que considero grandes pesquisadores – profissionais da moda que transitam um pouco a margem do grande mercado. Eles estão em extinção, mas existem!
A minha preferida de já algum tempo é a Sandra Backlund. Sandra é Sueca e formada em design de moda pela universidade de Estocolmo.
Até 2010, todas as suas peças eram produzidas a mão, em séries limitadas. Hoje em dia, um pedaço da coleção é produzido industrialmente, mas com a mesma pesquisa de técnica, forma e material que acompanha sua marca desde 2004.
O primor da pesquisa de construção de formas é a primeira coisa que chama a atenção no trabalho da estilista e ela já é bastante celebrada - inclusive no Brasil – por conta disso.
Mas o que não aparece nos editoriais e que eu acho fundamental no trabalho de Sandra é que ela tem consciência de que tão importante quanto a técnica e as incríveis imagens de divulgação da marca, é o tempo dedicado à pesquisa e produção.
Tanto que ela se retirou da semana de moda de Londres, por não concordar com o calendário opressor da indústria. segundo ela, nos moldes do movimento Slow food, sua moda seria um “slow fashion”.
Também é interessante perceber que todas as coleções dela seguem as mesmas linhas: são o desenvolvimento de um trabalho contínuo. Sem a necessidade de um tema; imagem e inspiração completamente novos a cada temporada. E ainda assim, a cada coleção, ela se transforma e se supera: com o descobrimento de novas possibilidades e técnicas que só uma pesquisa aprofundada permite.
Além, claro, de recuperar técnicas incríveis no espírito DIY e transformar recursos tão prosaicos quanto um passa fitas ( aquele que você só vê no paninho de prato ou na loja ruim da esquina) em detalhes mega atuais de peças que por si carregam toda a informação de moda do que vem acontecendo de melhor no design atual – como na peça acima, uma das minhas favoritas de todos os tempos.
Por essas e outras, Backlund é uma inspiração para a vida.
Ficou querendo? Eu também. Sente o drama aqui.









