Esse é um post que eu estou para fazer faz tempo.
Em algum momento do ano passado eu estava num voo a trabalho, meio de madrugada, daqueles que a equipe da aeronave decide que é hora de dormir, então necas de luz, e você não consegue ler porque ainda por cima sentou do lado de um cara que grunhe a cada vez que você tenta acender a sua luzinha pessoal.
Bom, isso geralmente me dá o maior bode porque significa ter que se render à programação do avião, que costuma ser alguns capítulos de Friends que você já viu oito vezes, o show da Celine Dion e a versão dublada em Russo de “Vovozona”.
Mas viu? Tive que tirar o chapéu para o povo da Qatar Airlines … Não só eles tem uma seleção musical feita por algum fã de rock bem informado ( digo bem informado, com direito a The Fall e X, entre outros) que fez a minha noite muito feliz, como também assisti a esse documentário “Video Killed the radio star” - que ficou na minha cabeça desde então.
Eu sou da geração do começo da MTV no brasil e o videoclipe é mais ou menos parte da minha vida desde sempre. Por isso, este documentário feito para a TV inglesa, que conta a história do começo da produção de videoclipes, me deixou sem conseguir tirar os olhos da (minúscula) tela da poltrona do avião.
É muito legal ver o depoimento das pessoas dizendo o quão revolucionário e novo era pensar em juntar cinema e música, sem que a última tivesse apenas papel de trilha. E é mais legal ainda ver como evoluiu a narrativa possível dentro dos vídeos. Por exemplo, você fica sabendo que o video “Vienna”, do Ultravox causou o maior frisson , porque foi o primeiro video em que a banda aparecia atuando, ou seja, não estavam tocando e cantando a música em questão, mas esta aparecia como trilha de uma ação executada pelos integrantes da banda.
Hoje parece óbvio, né? Mas pense: sem o Ultravox, o que seria da Lady Gaga?
Tem também umas bagaceiras legais, como o clipe de “Dancing in the streets”do Bowie e do Jagger, que, juro, parece gravado pela sua irmã de 14 anos no pátio e na escadaria do prédio. Isso que era a época de orçamentos milionários e os dois já eram O Bowie e O Jagger! Dá só uma olhada! E a dancinha? Melhor do mundo!
Tem outros momentos áureos, como o diretor do Bowie na época do Ziggy Stardust arrancando os cabelos tentando transformar dia em noite e inverter cores numa época em que efeito especial era conseguido só a base de LSD e olhe lá, ou mais para o final, o diretor de “November Rain” contando que só conseguiu filmar as cenas com sol nos dias em que a farra durava até o amanhecer, do contrário, era impossível acordar a estraguera que era o Guns na década de noventa. Detalhe: era o clipe mais caro já feito na história, a pressão em cima da equipe era tremenda e Axl e companhia não podiam se importar menos…
Enfim, se puderem, assistam porque vale a pena, tem mil outras historietas e entre clipes incríveis e outros bregas de doer, eu fiquei sabendo um monte de coisas que não sabia sobre um assunto que eu achava que sabia muito e de quebra conheci algumas bandas muito legais das quais nunca tinha ouvido falar.
Aliás, você sabia que a música tema do documentário era dos Buggles? E que, by the way, eles tem outras músicas bacanas? Pra mim era uma dessas músicas que não tem autor, é “do rádio” e pronto.
Pra finalizar, o documentário deixa um sabor nostálgico muito bacana de uma época em que uma produção de vídeo era gigante e demorada, que todo mundo esperava pelo lançamento de um clipe e que ele ficava semanas sendo curtido pelos fãs – em oposição aos lançamentos que hoje se sobrepõe em velocidade alucinante no Youtube e o vídeo da semana passada já ficou velho e você inclusive já esqueceu porque desde então viu mais duzentos e quarenta e nove outros.
Ai, sei lá. Tou velha? Vida longa ao VideoStar!
P.S. do dia seguinte: acabo de descobrir que a música TOP #1 nas paradas Australianas no dia em que eu nasci era “Video Killed the Radio Star”!
Achei místico.



